10 factos sobre o Açúcar – um perigo à espreita


É mandatório não contabilizar apenas o açúcar branco ou amarelo processado que adicionamos aos cozinhados, café ou chá. Sub-repticiamente, ingerimos açúcar em praticamente todos os alimentos processados. Basta olhar para os rótulos…

 

Alguns produtores são explícitos. Outros optam por disfarçar a inclusão do açúcar com o uso de nomenclatura menos clara, que passa despercebida aos mais desatentos como é o caso do açúcar invertido, sacarose, maltose, dextrose, lactose, frutose, glicose ou glucose, xarope de glicose, xarope de milho, e xarope de açúcar amarelo, entre outros xaropes. A glicose, não obstante, é fundamental para os nossos processos bioquímicos. É a partir da glicose que obtemos a energia, o ATP. Então, o que fazer?

Opções saudáveis e outras nem tanto…

  • Para indivíduos não diabéticos, é recomendável reduzir o consumo de pão branco, massas, bolos, biscoitos e bolachas. Eles vão ser convertidos internamente em glicose (e ulteriormente em gordura, quando em excesso).
  • Em alternativa ao açúcar, podemos escolher alimentos com fibras solúveis açucaradas e baixo índice glicémico, como o xilitol, usar açúcar integral mineralizado ou mel biológico, tal como são obtidos na natureza. Gosto particularmente da rapadura, açúcar de coco e do açúcar mascavado de cana, não processados. Devemos usá-los, ainda assim, com moderação.
  • Outra alternativa interessante é adoçar sobremesas e pequenos-almoços com frutos desidratados, como os frutos do bosque — o mirtilo e o arando ou tâmaras. Em Portugal, podemos ainda usar as passas e as sultanas, ameixas e figos secos.
  • Devemos optar por amidos integrais mais complexos e que apresentem melhor digestibilidade, como a mandioca (tapioca), batata doce, cenoura ou feijão, quebrando a enraizada dependência das farinhas de cereais, e ponderar reduzir o número total de refeições diárias, evitando os cravings intermédios — como a indefetível “bolachinha” nos intervalos do trabalho, combatendo, assim, a resistência à insulina!
  • Outra situação capciosa é a substituição do açúcar refinado pelos adoçantes (artificiais, como a sacarina e o aspartame, ou naturais, como a stevia). O esquema, de um modo muito redutor, é o seguinte: na boca, as papilas gustativas, ao reconhecerem o poder adoçante destas moléculas – que chega a ser 200 vezes mais potente do que o açúcar – vão preparar o pâncreas para a produção de uma grande quantidade de insulina. Mais abaixo, no trato digestivo, os recetores vão detetar uma realidade totalmente contraditória — afinal, não entrou açúcar nenhum e é enviada para o pâncreas a mensagem para deixar de produzir insulina. O que acontece é que dia após dia de ingestão de “zeros” e outros alimentos que substituíram o açúcar por edulcorantes, o pâncreas fica à beira de um “ataque de nervos”. Em última instância, esta situação pode proporcionar, paradoxalmente, um terreno favorável à manifestação de diabetes.
  • Para quem já é diabético (tipo II), o índice glicémico dos adoçantes (zero) pode não ser assim tão negativo. No entanto, há outros aspetos menos positivos a ter em consideração quando abusamos dos adoçantes…

 

Factos sobre o açúcar:

10 factos sobre o Açúcar

  1. Desde 1900 que o consumo de açúcar quadruplicou, o que faz com que — alegoricamente — não nos seja difícil imaginar que uma criança, nos dias de hoje, já tenha comido tanto açúcar como o seu avô em toda a sua vida.
  2. O cancro gosta de açúcar. No procedimento PET-Scan — diagnóstico state of the art para deteção de metástases no corpo — é administrada uma solução de glicose (em bom rigor, um análogo da glicose — açúcar) marcada radioactivamente. O rápido crescimento das células tumorais consome mais avidamente a glicose do que as células normais.
  3. O açúcar excita. Dão-se alimentos e bebidas açucaradas (e com cafeína) às crianças e depois são-lhes diagnosticadas síndromes de hiperatividade e défice de atenção. Na maioria dos casos, uma simples correção dietética (mais ácidos gordos polinsaturados, do tipo DHA, e menos açúcares refinados) poderia contribuir para uma eficaz resolução.
  4. O açúcar é aditivo. Atua nas mesmas zonas do cérebro que certas drogas recreativas, como a cocaína. Investigadores franceses descobriram que os ratinhos de uma experiência preferiam a água açucarada (ou adoçada) à cocaína.
  5. O açúcar é inflamatório. Costumo dizer que o grande problema da atualidade não é as pessoas estarem com excesso de peso, mas sim estarem inflamadas.
  6. O açúcar tem uma estrutura molecular semelhante à vitamina C. A grande maioria dos mamíferos consegue sintetizar a vitamina C (ácido ascórbico) para os seus processos bioquímicos e para o combate a infeções, a partir da glicose. Os humanos e uns parcos “primos” primatas, por motivos de evolução natural, perderam a capacidade inata de produzir a L-gulonolactona oxidase, enzima que faz essa conversão. Então, quando ficamos engripados, como não somos capazes de converter a glicose em vitamina C como os restantes animais, é recomendável comer poucos doces e muita vitamina C, porque o açúcar vai competir com a vitamina C na entrada das células para o combate às infeções. Ficamos mais vulneráveis se comermos doces na altura das gripes (ou outras epidemias).
  7. O açúcar acidifica os tecidos conjuntivos e, em última instância, promove a desmineralização óssea e outras patologias severas.
  8. O açúcar engorda. Por isso, alguns antidiabéticos orais como a metformina são usados erroneamente, em automedicação, por indivíduos não diabéticos para emagrecer.
  9. O açúcar provoca cáries dentárias.
  10. O açúcar ajuda a desencadear a manifestação de doenças metabólicas e crónicas como a diabetes — a epigenética a influenciar a propensão genética.

 

Ricardo Novais

Licenciado em Ciências Farmacêuticas

Naturopata

Autor do livro Fleur d’Oranger sob o pseudónimo Rica Sainov

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