5 junho: Dia Mundial do Ambiente – o Planeta nas nossas mãos


Mudar o rumo do Planeta está mesmo nas nossas mãos, segundo Carmen Lima. E se é verdade que as grandes mudanças são fundamentais para garantir a continuidade da espécie humana, igualmente importantes são as medidas adotadas por cada um de nós.

Na sua opinião, qual é o “estado atual de saúde” do nosso planeta?

Estamos a entrar numa fase “crítica”, herdando alguns passivos ambientais e um historial de poluição e más práticas que nos colocaram num período complicado, no que respeita a questões que merecem uma intervenção urgente. A crise climática, o uso abusivo de recursos, a poluição generalizada (do ar, rios e mares, solo, abandono de lixo), perda de biodiversidade e a escassez de água tem colocado o nosso Planeta à beira do ponto de rutura.

Por outro lado, com o período atípico que estamos a atravessar devido à pandemia do Covid-19, veio a verificar-se a associação de outros impactos ao combate a este vírus, com o aumento do uso de recursos para a proteção dos prestadores de cuidados de saúde, ou da população em geral.

A própria reabertura da economia tem sido realizada assente no recurso a materiais descartáveis, o que contribuiu para um retrocesso em práticas e hábitos de vida, que já tinham sido adotados por muitos portugueses. Esta nova realidade irá inevitavelmente servir para repensarmos os nossos comportamentos, equacionando o que devemos manter, como o teletrabalho ou as reuniões por videochamada, o trabalho rotativo ou outros hábitos na nossa vida, por forma a contribuir para a melhoria das condições de saúde do Planeta.

 

É verdade que está nas nossas mãos ajudar a mudar o rumo do planeta e talvez possamos afirmar que existe já conhecimento suficiente em relação às medidas a tomar para que cada um dê o seu contributo. Afinal, o que impede muitas pessoas de começarem a agir?

É verdade que a discussão e o conhecimento das políticas ambientais e governamentais que deverão ser adotadas por cada um dos países em matéria ambiental para mudar o rumo do Planeta já são conhecidas. Existem muitas resistências associadas a má informação ou a algum comodismo. Por vezes, há falta de respostas. Achamos que para mudar o Mundo precisamos de grandes passos, sem perceber que os pequenos gestos do dia-a-dia pode fazer uma grande diferença.

Por vezes, estamos mal-informados, pensamos que não precisamos de separar o lixo porque alguém o vai fazer posteriormente e que é por isso que pagamos a “taxa do lixo”, ou muitas vezes faltam-nos respostas que nos ajudem a mudar hábitos. É preciso ajudarmos o próximo, no sentido de os incentivar à mudança. Uma palavra amiga, por vezes, faz toda a diferença e tem mais efeito que qualquer campanha de sensibilização ambiental nos media, não que estas campanhas não sejam importantes, mas tudo é importante nesta caminhada para salvar o Planeta.

 

Existirá uma consciência real da ameaça que determinados comportamentos humanos constituem para o planeta?

Tenho ideia que muitas pessoas estão a começar a ter essa consciência e aqui os media têm tido um papel fundamental com os documentários e artigos que têm dedicado a este tema. Por vezes, as pessoas acham que é um exagero por parte dos ambientalistas, que são utópicos, mas quando veem as imagens de praias carregadas de plástico ficam chocadas. Por outro lado, estas mudanças climáticas que temos vivido nos últimos anos têm provocado alguma preocupação, porque as pessoas estão a começar a acreditar que a mudança climática está realmente a acontecer.

 

Quais os principais problemas ambientais que parecem não ter um fim à vista?

Neste momento, o nosso grande desafio são as alterações climáticas. Este problema requer o envolvimento global, o que é difícil, e o compromisso de mudar políticas, práticas e hábitos. Não tem sido tarefa fácil envolver os países de uma forma unânime e isso tem levado a que muitos pensem que é um dos problemas sem fim à vista. Esta pandemia veio de alguma forma alertar novamente para este problema, bem como provar que conseguimos inverter o efeito da poluição se todos quisermos. É o verdadeiro desafio deste século, em termos ambientais.

 

Qual o impacto da poluição na nossa saúde e na Natureza?

É curioso como coloca a questão. Antigamente falávamos da poluição como algo que afetava o Planeta, sem nunca nos tocar, nos relacionar. Mas agora temos plena consciência de que não vivemos em mundos paralelos e que aquilo que afeta o Ambiente, a natureza, vai acabar por afetar a nossa Saúde. Este efeito pode ser direto, como a relação da poluição atmosférica com o aumento das doenças respiratórias, ou indireta, como a poluição dos oceanos e o aparecimento de microplásticos na comida. Mas o efeito da poluição é certo na nossa saúde, as consequências é que poderão ser maiores ou menores, desde o aumento de doenças como alergias, ou mesmo ao aumento de doenças como cancros.

 

O uso excessivo dos recursos do Planeta tem colocado em risco e comprometido o futuro no que respeita a diversas situações…”. Que recursos naturais poderão estar em risco de ameaça global?

Diversos recursos poderão estar em risco, mas aqueles que nos afetam mais são os recursos energéticos e a alimentação, sem os quais dificilmente conseguiremos manter a nossa vida no ritmo que temos atualmente. Falamos muito numa mudança de paradigma energético, abandonando o uso de combustíveis fósseis e procurando soluções renováveis. Teremos de o fazer, não só porque estes são escassos, mas porque o seu uso provoca um efeito grave em termos de poluição, com consequências desastrosas ao nível ambiental e na nossa Saúde.

 

A desflorestação é um dos problemas ambientais mais graves deste século.” Porquê?

As florestas funcionam como sumidouros da poluição, ajudam o Planeta a eliminar este problema, para além de contribuírem para o equilíbrio da biodiversidade de diversas espécies, muitas delas existentes apenas nestes locais. Sem esta ajuda, a poluição vai aumentar e dificilmente conseguiremos eliminá-la de outras maneiras. A biodiversidade permite manter o equilíbrio entre as espécies, num balaço perfeito e fundamental para a vida neste Planeta. Se afetamos este equilíbrio, podemos afetar a vida da forma como a conhecemos, e muito provavelmente contribuir para a extinção da espécie humana.

 

Até que ponto as nossas escolhas alimentares interferem com o equilíbrio ambiental?

A origem dos produtos que consumimos e o impacto que está associado ao seu processo produtivo/cultivo ou mesmo às distâncias percorridas pelos mesmos ditam uma espécie de uma pegada ecológica associada a cada alimento, que poderá aumentar se no nosso prato insistirmos em colocar apenas alimentos vindos de países longínquos ou de origem animal. A diversidade é a chave da questão, procurando produtos da época e locais. Se não quiser optar pela exclusão, por exemplo, da carne de vaca, deverá considerar a sua redução e a substituição por alternativas.

 

Quais as consequências do uso dos descartáveis?

Os descartáveis são, na sua maioria, compostos por produtos em plástico, de utilização breve (muitas vezes, alguns segundos ou minutos) e que após a sua utilização não são passíveis de reciclagem. Assim, usarmos recursos para descartar – deitar em aterro ou incinerar – não é uma boa opção ambiental. É importante diminuir o seu uso, substituir por alternativas reutilizáveis e encaminhá-los para os destinos adequados, evitando o descarte na natureza (como praias ou florestas).

 

Se nada fizermos, qual será o futuro da espécie humana?

Não quero assustar-vos, mas se nada fizermos corremos o sério risco da extinção da espécie humana, no futuro. O Planeta sobreviverá, mas nós não.

Não Há Planeta B

Lima, Carmen (2020) Não há planeta B. Chá das Cinco

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