A função do sono


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Para que serve? Para praticamente tudo!

Em Dormir bem para viver melhor (editora Albatroz), o neurologista e especialista do sono W. Chris Winter explica que, na sua opinião, os três principais pilares para uma boa saúde sobre os quais podemos exercer algum controlo são: nutrição, exercício e sono.

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Sabia que…

 – Embora praticamente todos os sistemas e órgãos do corpo sejam, de alguma forma, afetados pelo sono, é no cérebro que o sono se localiza?

– Um sono de má qualidade, a longo prazo, é como uma má cirurgia plástica: arriscado, caro e nada bonito de ver?

O sono e o cérebro

O cérebro possui um sistema de remoção de resíduos: o sistema glinfático. Os cientistas descobriram que o principal resíduo que este sistema remove é o beta-amiloide, a proteína que se acumula no cérebro dos doentes de Alzheimer. Apesar de este facto ser, em si, fascinante, há mais: o sistema glinfático é 60% mais produtivo quando dormimos do que quando estamos acordados! A decisão de ficar acordado até tarde afeta a capacidade que o cérebro tem de se livrar dos resíduos tóxicos acumulados durante o dia. Embora isto não constitua, certamente, a explicação integral da origem da doença de Alzheimer, pode desempenhar um papel significativo. Um artigo de 2013, publicado no Journal of the American Medical Association Neurology, apresenta mais evidências em favor deste mecanismo. Neste estudo, realizado com 70 adultos mais velhos, os indivíduos que referiram dormir menos ou sofrer mais interrupções do sono revelaram uma maior acumulação de beta-amiloide. A doença de Alzheimer não é o único distúrbio neurológico associado ao sono de má qualidade. Um estudo de 2011 mostrou uma ligação entre dormir mal e a doença de Parkinson.

O sono e a obesidade

Ao longo dos últimos anos tem havido muitos estudos que demonstram que dormir mal leva a um aumento de peso. Num estudo de 2015, que analisou os hábitos de mais de um milhão de chineses, o investigador de saúde pública Jinwen Zhang encontrou maiores níveis de obesidade em indivíduos que dormiam menos de sete horas por noite. Em 2004, um estudo do investigador clínico Shahrad Taheri mostrou que à medida que a duração do sono diminui, a produção de grelina sobe (hormona que atua no cérebro promovendo a fome), aumentando a probabilidade de comer em excesso e de sofrer de obesidade. Um estudo de 2015, da autoria dos investigadores Alyssa Lundahl e Timothy Nelson, demonstrou que após uma noite mal dormida, os nossos níveis de energia sofrem uma diminuição. Um mecanismo compensatório é comer mais, num esforço para aumentar a nossa energia.

O sono, o coração e a pressão arterial

Provavelmente, é sobre o nosso coração e sistema circulatório que os efeitos de um sono deficitário se fazem fizer de forma mais prejudicial. Há um número infindável de estudos que mostram que um sono de má qualidade aumenta o risco de ataque cardíaco, tensão alta, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral. A maioria destes estudos centra-se na apneia do sono, uma doença que provoca a obstrução das vias aéreas superiores, tornando impossível à pessoa que dorme respirar. Contudo, nem todas as investigações se focam neste problema. Estudos recentes mostraram que qualquer distúrbio que dê origem a um sono fragmentário (e não apenas a apneia do sono) tem o potencial de fazer subir a pressão arterial.

O sono e o humor

Quer algo que vai ajudar a melhorar o seu humor? Experimente dormir! Um sono de má qualidade pode levar à depressão e a emoções negativas. Para alguns profissionais de saúde mental, a associação entre depressão e insónia é tão forte que não diagnosticam depressão em alguém que não mostre sinais de perturbações do sono. Acordar frequentemente durante a noite, independentemente da causa, pode contribuir significativamente para piorar o humor e as emoções negativas. Num estudo de 2015, o investigador Patrick Finan, da Universidade Johns Hopkins, descobriu que as interrupções do sono podem ter efeitos mais fortes no humor do que um sono reduzido. Outro estudo de 2015, realizado por David R. Hillman e outros investigadores da Universidade da Austrália Ocidental, mostrou que o tratamento da apneia do sono pode reduzir significativamente a incidência da depressão, fazendo-a baixar de 73% para 4%.

O sono e o cancro

Embora haja evidências de que a má qualidade do sono pode estar ligada a uma variedade de neoplasias (cancro da próstata, oral, nasal e colorretal, bem como cancro do sistema nervoso primário), a ligação crescente entre um sono deficitário e o cancro de mama é a que se afigura mais forte. Em 2007, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma monografia intitulada Carcinogenicity of Shift-Work, Painting, and Fire-Fighting. Não só a OMS coloca o trabalho por turnos no mesmo grupo da inalação de vapores de tintas e de fumos de casas que arderam, relativamente ao potencial para causar cancro, como o põe à cabeça da lista! Na investigação inicial, os cientistas descobriram uma relação entre trabalho por turnos e cancro da mama, assim como um declínio geral no funcionamento do sistema imunitário. Estudos subsequentes que se focaram exclusivamente no trabalho por turnos levaram a Agência Internacional para a Investigação do Cancro, um organismo da OMS, a classificar o trabalho por turnos como um carcinogéneo provável.

O sono e o sistema imunitário

Em 2015, Aric Prather, da Universidade da Califórnia, São Francisco, conduziu um estudo no qual os sujeitos receberam voluntariamente o rinovírus. Os indivíduos que receberam o rinovírus e dormiram seis horas ou menos mostraram-se mais propensos a desenvolver uma constipação, em comparação com os indivíduos que dormiram mais de sete horas. Outro estudo de uma equipa de investigadores de Taipé, Taiwan, demonstrou que as perturbações do sono eram um fator de risco para o desenvolvimento de doenças autoimunes. Estas podem resultar numa grande variedade de sintomas incapacitantes, tais como dor e degeneração nas articulações (artrite reumatoide); uma “soldagem” lenta das articulações da coluna (espondilite anquilosante); secura nos olhos, boca e outras partes do corpo (síndrome de Sjögren); crescimento anormal do tecido conjuntivo em todo o corpo (esclerose sistémica); e uma outra doença que pode causar danos em praticamente qualquer parte do corpo (lúpus eritematoso sistémico).

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Winter, W. Chris (2017) Dormir bem para viver melhor. Albatroz

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