A Nossa Tragédia – Uma Vontade Divina?


Sunset over the fishing pier at the lake in rural Finland

Reflexões em quarentena (texto 13)

 

Já não precisamos que a mudança aconteça no mundo, ela já bateu à nossa porta e parece querer instalar-se nas nossas vidas para sempre. À primeira vista, a nossa vida parece ter perdido qualquer sentido com esta mudança. Tentamos desesperadamente ver a oportunidade e não apenas a desgraça, e descobrir o lado positivo deste tsunami tempestuoso que interrompeu o curso “tranquilo” das nossas vidas. Apercebemo-nos da nossa fragilidade e questionamos o nosso papel no mundo, tal como os nossos limites e vulnerabilidades.

Como encarar uma experiência destas e permanecer sereno e motivado no leme da nossa vida? As melhores coisas que me aconteceram foram por acaso, sem programação, sem expectativas. As piores também. Aconteceram simplesmente. Se calhar, só estamos à mercê do Destino, enquanto pensamos que somos nós a guiar a nossa vida e a escolher o nosso caminho.

Ao analisar a história da humanidade deparamo-nos com inúmeras situações em que milhões de pessoas foram expostas, sem querer, a uma vida desgraçada pela vontade maléfica de bárbaros, tiranos ou ditadores que desencadearam guerras, crises, pobreza e violência com repercussões dramáticas na vida dos demais.

Somos todos diferentes e isso deveria fomentar intercâmbios inestimáveis de criatividade, de riqueza cultural, social, emocional, mental e espiritual. Em vez disso, assistimos a uma explosão de violência verbal, ideológica, comportamental e física que assusta até os mais confiantes e idealistas.

Neste ambiente pesado, chegou um vírus pequeno, invisível a olho nu, traiçoeiro, que desencadeou tanta desgraça e sofrimento como as guerras mais sangrentas. Haverá alguma ordem no Universo que ditaria estes acontecimentos? Ou simplesmente acontecem de modo aleatório, como uma fatalidade, impossível de compreender e de deter?

Seremos nós, individualmente, responsáveis pelas guerras que existem no mundo, pelas doenças que dizimam nos países menos desenvolvidos milhões de crianças, pela pobreza que causa tamanho desespero em várias partes do mundo, enfim, pelos acontecimentos bons ou maus que acontecem todos os dias? Pense nisto.

E se não somos individualmente responsáveis por estas situações, não quererá isto dizer que de facto não temos nenhum controlo sobre as nossas vidas? Sim e não.

Quando era mais nova estava convencida de que afinal todos somos verdadeiros criadores da nossa realidade interior e, com isso, também do mundo exterior. Consequentemente, pensava eu, se quisermos envolver-nos de uma maneira mais ativa e mais consciente nos acontecimentos da humanidade será imperativo controlar, antes de tudo, as nossas vidas e o nosso dia-a-dia.

Acontece que o maior erro dos humanos é imaginar que estão separados uns dos outros e que as suas vidas não estão interligadas. Que aquilo que pensam, dizem e fazem não terá nenhuma incidência sobre a realidade exterior de todos.  A História da Humanidade mostra exatamente o contrário. Qualquer um de nós pode alterar a realidade exterior de todos.

E sempre que dois ou mais indivíduos se juntam, esse poder aumenta exponencialmente. Em cada um de nós vive a consciência universal, o campo unificado de energia inteligente. Todos participamos na sinfonia universal da vida numa forte interação de causa e efeito.

Temos de assumir a total responsabilidade pelos nossos pensamentos e ações que possam levar à unificação ou separação, a um mundo pacífico para todos ou à destruição total do nosso mundo.

É óbvio que para termos paz precisamos de ser pacíficos, e devemos amar a vida e começar a viver de acordo com as leis universais. Se queremos realmente paz, deveríamos gastar em educação aquilo que se gasta em armamento.

É imperativo responsabilizarmo-nos pelas nossas ações ou até pela falta delas. Não podemos dar-nos ao luxo de ficarmos indiferentes ao que acontece no mundo se amamos os nossos filhos, se nos respeitamos como seres humanos inteligentes, se gostamos minimamente do nosso planeta. Para acabar com a guerra lá fora, temos de acabar com a guerra dentro de nós.

Estou confiante de que esta mudança que está no ar irá trazer uma revolução interior, uma transformação radical que levará à ação exterior para o bem maior de todos.

Elisabeth Barnard

Diretora da Zen Energy

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