A obesidade infantil – O grande desafio do séc. XXI


child dipping a fried chip into tomato sauce

De entre as doenças que mais afetam as crianças, a obesidade e o excesso de peso são os problemas mais comuns e que mais afetam a qualidade de vida.

Em Portugal, os mais recentes dados estatísticos indicam que 1 em cada 3 crianças têm excesso de peso. A obesidade, associada a outros problemas de saúde, como o colesterol elevado, a dislipidémia, os maus hábitos alimentares e o sedentarismo, são, em conjunto, a grande epidemia do séc. XXI.

 

A proliferação dos jogos de computador, a presença quase assídua da televisão na vida das famílias, acompanhada de uma explosão de dispositivos informáticos como os computadores portáteis e os tablets, habitua as crianças, desde pequenas, a permanecer mais tempo em casa e sentadas.

Além disso, o atual estilo de vida mais exigente em que há menos tempo para efetuar refeições, levou a um aumento quase exponencial das refeições tomadas fora de casa e a um aumento do consumo de fast food. Assiste-se nos dias de hoje a um modo de vida, em que as crianças têm um estilo de vida mais sedentário que há 20 anos, o que são dados preocupantes e que comprometem a saúde atual e futura destes potenciais adultos.

 

A medicina chinesa e a obesidade

A medicina chinesa, além de ajudar a aliviar doenças e sintomas, também atua na prevenção, através do aconselhamento de alimentos e de modos de preparação de refeições mais saudáveis, introdução de alimentos saudáveis com menor aporte calórico e consequente alteração de hábitos que visam reduzir o sedentarismo. A escolha de pontos de acupunctura permite equilibrar o corpo, o funcionamento dos órgãos e reduzir o apetite, controlando e promovendo um melhor funcionamento dos órgãos afetados e ajudando a reduzir o peso.

No entanto, não são só os adultos que podem recorrer à medicina chinesa, como também as crianças. Aliás, devido à idade e às especificidades do organismo infantil, é mais fácil reestabelecer o equilíbrio quando em situações de doença. Contudo, é importante que situações, como a obesidade, sejam tratadas o mais precocemente possível pelos danos que causam ao organismo a médio e a longo prazo.

Assim, desde tenra idade que as crianças podem recorrer à medicina chinesa no sentido de prevenir problemas e doenças futuras, como também para controlar o peso, reduzir a fome e mesmo aconselhar os alimentos a evitar e a preferir ao longo das várias etapas da vida. O recurso à medicina chinesa nestas situações trata o bem-estar físico da criança, mas também o bem-estar psicológico, indispensável para o tratamento da obesidade.

 

Como atua a medicina chinesa na obesidade? 

Existem também alguns pontos de acupunctura, não só na zona auricular (auriculopunctura), como através de meridianos que se encontram espalhados pelo corpo e que têm uma importante função na redução do apetite.

De acordo com a medicina chinesa, todos os órgãos têm uma função específica no nosso organismo, sendo que o órgão Fígado, é o responsável pelos ataques de fome, pela fome voraz e pela maior apetência para o consumo de alimentos mais condimentados.

Assim, segundo a medicina chinesa, reveste-se de grande importância, controlar este órgão, sendo que, a partir do momento em que ele está mais controlado, o excesso de apetite também começa, progressivamente, a diminuir. Além do Fígado, também o órgão Baço, é um dos responsáveis pelo aumento de peso e pelo consumo excessivo e viciante de doces. O seu controlo, essencialmente, através de pontos de acupunctura localizados um pouco por todo o corpo, é indispensável para o controlo da fome e da voracidade em relação aos doces.

A dietética chinesa e a medicina chinesa

O primeiro passo para iniciar uma dieta é adaptar a dieta alimentar à idade e às necessidades nutricionais específicas pois, para cada idade, existem alimentos apropriados, sendo que, por exemplo, a introdução dos doces (guloseimas, gomas, chocolate e afins) só deve ser feita entre os 6 e os 7 anos de idade.

Quanto mais cedo são introduzidos os doces na alimentação, maior o risco de obesidade e de viciar o paladar da criança no sabor doce (que é, de entre todos os sabores, o mais viciante). Também o leite materno deve ser prolongado por um elevado período de tempo, sendo que a introdução desde cedo de papas e de alimentos pré-feitos não trazem qualquer benefício a médio-longo prazo.

Ao haver um diagnóstico de obesidade infantil, a medicina chinesa atua ao nível do Fígado (que, como visto anteriormente é responsável pelos ataques de fome) e do Baço especialmente. Os tratamentos podem ser feitos com agulhas pediátricas (com um tamanho mais pequeno e que causam menos dor na punctura) ou através de um aparelho laser. A massagem tui na em crianças de tenra idade (até aos 4 anos) é extremamente útil e eficaz, uma vez que normaliza todo o sistema digestivo, auxiliando o organismo na digestão e na regularização do trânsito intestinal.

No caso da obesidade infantil e, visto que tem inúmeras repercussões na vida futura das crianças, os tratamentos devem ser feitos 1 a 2 vezes por semana numa fase inicial, nunca esquecendo que o sucesso do tratamento só é conseguido através de uma conjugação de vários fatores, como o cumprimento de uma dieta, bons hábitos de sono, atividade física semanal e a ida frequente aos tratamentos de medicina chinesa (em que, neste caso, se deve ter em atenção que a acupunctura, juntamente com a dietética chinesa e a massagem tui na contribuem, em proporções iguais, para a obtenção de bons resultados).

Conselhos úteis para ajudar a reduzir o peso

Bebidas:

  • Beber entre 1 a 1,5l de água por dia;
  • Evitar bebidas com gás;
  • Evitar sumos pré-feitos, preferindo os batidos ou os sumos efetuados em casa.

Alimentos:

  • Fazer pequenas refeições ligeiras, de modo a acabar a refeição sem a sensação de estar ‘cheio’;
  • Evitar o consumo de doces (gelados, chocolate, gomas), sendo que é de eliminar o seu consumo após as 17h;
  • Limitar o consumo de água ou de sumo durante a refeição;
  • Frutas e legumes devem ser o ‘bolo maior’ presente no prato;
  • A introdução de fast food na alimentação da criança deve ser feita o mais tardiamente possível (e nunca antes dos 7 anos de idade), assim como todo o tipo de guloseimas, doces e chocolates;
  • Evitar fritos, preferindo cozidos e grelhados;
  • Evitar gorduras de origem animal preferindo as de origem vegetal.

Estilo de vida:

  • Procurar fazer exercício físico, pelo menos, 3 a 4 vezes por semana;
  • Procurar estar com amigos, fazendo actividades, como correr, andar de bicicleta, jogar futebol;
  • Procurar estabelecer bons hábitos de sono (uma criança tem uma necessidade de descanso e de repouso superior à dos jovens adultos e adultos), pelo que é imprescindível que durmam num ambiente arejado, arrumado, sem ruído e devidamente limpo (que são fatores que contribuem para melhorar a qualidade do sono), pelo menos 7 horas.

Por Lara Barbosa
Terapeuta de Medicina Chinesa, Health Club Infante de Sagres (Belém) e Ervanária de São Roberto (Almada)

larabarbosamtc@gmail.com
www.facebook.com/pages/Medicina-Tradicional-Chinesa-Dra-Lara-Barbosa

 

Por Marisa Menezes
Terapeuta de Medicina Chinesa, Consultórios Médicos da Casal Ribeiro (Saldanha), Clínica das Pétalas (Forte da Casa), Clínica Médica e Dentária Briiliant (Parque das Nações) e Clínica VitalBody (Almada)

marisaflmenezes@gmail.com

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