Cancro da mama – Diagnóstico precoce é crucial!


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O cancro da mama é o tipo de cancro mais comum entre as mulheres. Em Portugal são detetados cerca de 6 mil novos casos e corresponde à segunda causa de morte por cancro, na mulher. Felizmente, graças à evolução na medicina e aos comportamentos de prevenção na saúde, a taxa de sobrevivência é superior a 85%, nos casos em que o cancro da mama é diagnosticado atempadamente.

 

Há mulheres que apresentam um risco aumentado para cancro da mama, provavelmente associado a determinados fatores de risco que aumentam a probabilidade de uma pessoa desenvolver a doença.

 

Fatores de risco

 

  • Idade: a possibilidade de ter cancro da mama aumenta com o aumento da idade; uma mulher com mais de 60 anos apresenta maior risco.

 

  • História pessoal de cancro da mama: uma mulher que já tenha tido cancro da mama tem maior risco de ter esta doença na outra mama.

 

  • Primeira gravidez depois dos 31 anos

 

  • História menstrual longa: mulheres que tiveram a primeira menstruação em idade precoce (antes dos 12 anos de idade) tiveram uma menopausa tardia (após os 55 anos) ou que nunca tiveram filhos (nuliparidade), apresentam um risco aumentado.

 

  • Terapêutica hormonal de substituição: mulheres que tomam terapêutica hormonal para a menopausa (apenas com estrogénios ou estrogénios e progesterona), durante cinco ou mais anos após a menopausa parecem apresentar maior possibilidade de desenvolver cancro da mama.

 

  • História familiar: o risco de uma mulher ter cancro da mama está aumentado se houver história familiar de cancro da mama, ou seja, se mãe, tia, irmã ou outros familiares com cancro da mama, especialmente em idades mais jovens (antes dos 40 anos).

 

  • Alterações genéticas: alterações em certos genes (BRCA1, BRCA2, entre outros) aumentam o risco de cancro da mama; em famílias onde muitas mulheres tiveram a doença, os testes genéticos podem, por vezes, demonstrar a presença de alterações genéticas específicas. Assim sendo, em mulheres que apresentem estas alterações genéticas, podem ser sugeridas medidas para tentar reduzir o risco de cancro da mama e melhorar a deteção precoce da doença.

 

  • Inatividade física: mulheres que levam uma vida mais sedentária parecem ter um risco aumentado, sabendo-se que o exercício físico regular previne o aumento de peso e da obesidade.

 

  • Bebidas alcoólicas e tabagismo: alguns estudos sugerem haver relação entre a maior ingestão de bebidas alcoólicas e hábitos tabágicos, e o risco aumentado de ter cancro da mama.

A importância do diagnóstico precoce

É muito importante fazer exames de rastreio antes de surgirem quaisquer sinais ou sintomas. Se o cancro for detetado precocemente, a probabilidade do tratamento ser eficaz e bem sucedido é muito mais elevada e assim será possível alterar o percurso da doença.

Em Oncologia devemos ser proativos: é importante continuar a efetuar diagnósticos na fase inicial da doença, o que permite um melhor controlo da lesão, aumentando a possibilidade de cura. Para além de diminuir a mortalidade, o diagnóstico precoce poderá evitar cirurgias mutilantes em alguns casos, como a mastectomia radical e o uso de quimioterapia.

As chamadas “vias verdes”  são fundamentais para melhorar a resposta aos doentes, pois permitem uma resposta célere em caso de forte suspeita de cancro, privilegiando um diagnóstico rápido e preciso para o início atempado dos tratamentos.

 

Como é feito o diagnóstico?

 Para além do exame clínico, a mamografia, a ecografia e por vezes a ressonância magnética são os meios imagiológicos indicados para a deteção da doença. Recentemente, recorremos a uma nova tecnologia: a mamografia digital 3D ou tomossíntese. Vários estudos comprovam que este exame traz um acréscimo de informação diagnóstica de 27 a 30%, permitindo detetar lesões cada vez mais pequenas. A ressonância magnética é mais utilizada em pessoas mais jovens, normalmente abaixo dos 35 anos, por ser de definição mais precisa em glândulas mamárias mais densas e, por isso, com maior risco de falsos negativos na mamografia. Em caso de suspeita de cancro por algum destes exames, tem indicação a realização de biópsia para confirmação ou exclusão do diagnóstico.

 

Qual o tratamento?

 O tratamento do cancro da mama implica um trabalho conjunto de vários especialistas que determinam a melhor estratégia para cada doente. Em traços gerais, pode ser dito que a maior parte das doentes com cancro da mama é tratada com cirurgia, radioterapia e tratamento médico (quimioterapia e outras modalidades). A idade e o estado pré ou pós-menopáusico, o estadio ou extensão da doença e os subtipos histológicos são fatores determinantes para a seleção do tratamento.

A comunidade científica tem dedicado imensa investigação na área do tratamento do cancro, objetivando uma maior eficácia e menor toxicidade. A nível da cirurgia, a perspetiva é diminuir ao máximo a cirurgia e torná-la o menos mutilante possível para conforto físico do doente com manutenção da sua imagem corporal, sem comprometer a sobrevivência. A radioterapia complementar tem evoluído nos seus métodos e meios, também com menos toxicidade e mantendo a mesma eficácia. Com o melhor conhecimento a nível dos subtipos de tumores, com caracterização mais precisa das  alterações moleculares e genéticas de cada um, oferece-se um tratamento sistémico cada vez mais individualizado e preciso, dirigido a estas alterações, diminuindo a toxicidade sistémica e aumentando a sua eficácia.

 

A pandemia contribuiu para uma diminuição preocupante no diagnóstico de novos casos de doenças oncológicas, prevendo-se um impacto profundo na saúde da população. É urgente alertar para a necessidade do diagnóstico e respetivo tratamento rápido. Procure o seu médico!

 

Maria Helena Gervásio
Coordenadora de Oncologia no Hospital CUF Coimbra e Hospital CUF Viseu

 

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