Combater a dor com exercício físico


Modern young woman in sports clothing running while exercising outdoors

Enxaqueca e desporto

Lembro-me muito bem de estar a brincar com os meus primos e ter de parar para ir descansar. Já lá vão 25 anos desde a primeira memória de enxaqueca. A enxaqueca hereditária veio da parte da minha mãe, que melhorou a nível de frequência com o passar da idade.

 

Sempre fui muito ativa. Joguei andebol durante muitos anos e sempre gostei de praticar exercício físico. A minha enxaqueca tem vindo a piorar com a idade e só por volta dos 23 anos é que consultei um médico neurologista, sendo que apenas aos 25 anos é que fui diagnosticada com enxaqueca crónica por um médico neurologista com especialidade em cefaleias. Desde então faço medicação profilática e durante dois anos fiz também tratamento com toxina botulínica (botox). Com este tratamento foi notória a redução das 14 ou 15 crises de enxaqueca por mês para 7. Contudo, todos os dias e todos os meses são diferentes, sendo que neste momento este número é variável.

 

Desporto: medicamento eficaz

Tenho uma vida muito ativa e um trabalho muito exigente. Não tenho dúvidas que toda esta agitação, responsabilidade e pressão (social, profissional e pessoal) contribuem para o aumento da frequência e intensidade das crises de enxaqueca. Não obstante a estes factos, a alteração do padrão de sono (quer seja para mais ou para menos); a fome; as mudanças bruscas de temperatura e de clima; o período menstrual e a falta de exercício, entre outros, são fatores que contribuem para o aparecimento das crises. Nesta fase, comecei a perceber que a prática de exercício físico regular de média e alta intensidade tinham um impacto muito significativo no aparecimento e diminuição da enxaqueca.

Há três anos atrás era impensável ir ao ginásio durante uma crise, devido à intensidade da dor e da inércia que sentia, porque sempre pensei que fosse piorar. Lembro-me bem do dia em que isso aconteceu. Após os primeiros 15 minutos de cardio, apercebi-me que a dor tinha desaparecido quase por milagre e nem precisei de recorrer a medicamentos SOS. Desde então, o exercício físico regular (praticamente todos os dias) de média e alta intensidade tem sido a minha salvação. Para além de libertar endorfinas, aumenta a circulação sanguínea e, por consequência, promove uma maior oxigenação a nível cerebral. Apesar do exercício físico de alta intensidade aparecer descrito na literatura como um trigger para o aparecimento de enxaqueca, posso afirmar que é o meu melhor aliado e o “remédio” que a faz diminuir de intensidade para, por fim, desaparecer.

 

Não se renda. Enfrente a dor!

Sei que é muito mais fácil render-se à dor, porque é muito intensa. Eu própria já o fiz e ainda tenho dias que troco o exercício pelo sofá, mas acabo quase sempre por me arrepender. Dado a conjuntura atual, a frequência das crises tem aumentado pela falta de rotinas de sono, de alimentação, das horas passadas ao computador… Existem dias em que estas crises provocam em mim sensações de irritabilidade, inquietação, aborrecimento e alguma tristeza. Nos dias em que estou assim obrigo-me a fazer ainda mais exercício e posso afirmar que todas essas sensações desaparecem praticamente por completo.

Deixo a minha solidariedade e incentivo para que todas as pessoas que sofrem de enxaqueca tentem! Por vezes, é apenas necessário tentar.

 

 

Joana Ferreira
Terapeuta da Fala
Presidente da mesa da Assembleia-Geral da MiGRA Portugal – Associação Portuguesa de doentes com enxaqueca e cefaleias

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