Como ultrapassar um coração partido?


Quem é que nunca sentiu o coração dilacerado com a perda de alguém que ama? Seja sob a forma de uma relação que termina ou vendo alguém que amamos partir para o outro lado, o luto faz parte da experiência humana na Terra.

 

Quando um relacionamento termina, o coração procura conforto e determinadas questões – “Como é que eu vou ultrapassar isto?” – surgem naturalmente. A mente precisa de controlar. No entanto, não consegue controlar o que não compreende. Em vez de tentarmos sucessivamente encontrar explicação para coisas que estão para lá do nosso estado atual de consciência, o caminho da aceitação é a única solução viável.

Mas como chegar a esse ponto? É possível ultrapassar tempos de luto com tranquilidade? Sim, é possível! Se respirar durante o processo, sentir-se-á mais e mais confortável com todas as sensações que tal perda provoca. Há momentos em que a energia da dor parece ser inesgotável, mas garanto-lhe que ela passa. É como quando está no meio de um choro intenso: parece que vai estar ali, no meio daquela agonia, para sempre, mas depois das lágrimas saírem surge uma sensação de alívio.

 

Reconheça o que sente

Dizer adeus é sempre um desafio, devido à natureza das nossas emoções e ao apego natural criado pela forma como vivemos. Quando um relacionamento termina, é necessário despedir-se de alguém que ama e a dor intensa que sente parece ser demasiado pesada para aguentar.

À semelhança de uma cobra a mudar de pele, tem de remover as camadas do seu velho Eu para permitir espaço para o novo. Tal não significa negar o passado, mas sim honrá-lo, permitindo que a energia das emoções flua através de si, sem lhe resistir. Quanto mais resistir ao que sente, mais bloqueios cria para o seu progresso emocional. Pode ser desafiante estar recetivo a certas emoções, mas reconhecê-las e estar presente com elas é o primeiro passo para avançar na sua jornada.

Como ultrapassar um coração partido?

3 passos que o vão assistir neste momento da sua vida

 

1-O que importa é como se sente

Foque-se em si e não remoa no passado. O passado terminou! O que importa é que amava essa pessoa e, quer essa pessoa sentisse ou não o mesmo, isso agora não interessa. Amar verdadeiramente alguém significa deixar a pessoa ir. Libertar-se e libertar a pessoa. Muitas vezes, a dor que sente está mais relacionada com o apego a um certo desfecho, com o desejo de querer estar com essa pessoa, do que propriamente com o amor.

Por isso, se se focar no quanto ama essa pessoa e na probabilidade de sentir essa emoção, vai progressivamente elevar-se de estados de sofrimento para estados de aceitação e libertação. Aceite que a pessoa que ama vai ter sempre um lugar especial dentro do seu coração.

Todas as pessoas têm uma opinião sobre o tema, mas o mais importante é como você próprio se sente. Isto significa que mesmo que descubra que a pessoa que amava não era quem você pensava que era, ou mesmo que pessoas próximas de si continuem a partilhar as suas intermináveis opiniões sobre a forma como se comportariam se estivessem no seu lugar, oiça apenas a sua voz interior. Não interessa o que fariam os outros se estivessem no seu lugar. Sabe porquê? Porque não estão no seu lugar. O seu compasso interior é o melhor guia que pode ter para atravessar o que está a passar.

 

No caso de separações amorosas, às vezes existe a tendência para substituir a pessoa que amava por outra pessoa. Mesmo que isso lhe pareça uma boa ideia inicialmente, a longo prazo, só se vai revelar um atalho que provavelmente o fará repetir a mesma história com “personagens” diferentes. Se quer mesmo resolver o assunto, esteja presente com o que sente agora, não lhe resista, não vá a correr distrair-se. Esteja suficientemente presente consigo próprio para compreender o que sente verdadeiramente, dando-se a oportunidade de criar algo novo na sua vida.

 

2-Perdoar acontece quando acontece

Quando as pessoas terminam um relacionamento, é comum ouvir coisas como “perdoa-o ou perdoa-a”, “perdoa-te” ou “o perdão vai libertar-te”. De facto, perdoar é a chave para deixar ir, mas o que as pessoas não sabem é que esse processo acontece naturalmente. Não pode forçar o perdão.

É muito mais eficaz aceitar onde está, mesmo que esteja a lidar com emoções desafiantes como a ira, do que fingir que está tudo bem quando não está, ou tentar apressar-se para estar mais próximo do objetivo. Saber como se sente em cada momento é uma ferramenta necessária para o seu progresso. O seu compasso emocional é um indicador de onde está, pelo que tapá-lo não vai mudar a forma como se sente, nem vai resolver a questão.

Dizer a si próprio que tem de perdoar é o mesmo que exigir-se que fale um idioma que não conhece. Até pode dizer que se trata de violência emocional. Por isso, pare de se forçar! Esteja onde está! O perdão vai acontecer naturalmente.

 

3-Confie no processo

Quando aceita onde está, tudo se desenrola a partir daí. Às vezes, pode não ver a evolução ou o propósito de estar no estado onde se encontra, à luz da sua perspetiva atual, mas se render o que sente a uma força superior e confiar no processo, estará a permitir-se viver o que está a sentir sem lhe resistir e a fluir através da dor com mais serenidade. Sentir-se-á mais próximo do fecho espiritual que procura ao aceitar estar presente aqui e agora. E isso dar-lhe-á um certo conforto.

Quando escolhe confiar no processo da vida, sabe que está exatamente onde tem de estar. Deixa de se preocupar com as pessoas ou com as circunstâncias e, em vez disso, foca-se em controlar a sua atitude perante o processo, em vez de controlar os eventos em si. Assim, em vez de pensamentos obsessivos ou de reviver a história na sua cabeça vezes e vezes sem conta, focará a atenção em estar presente com a energia das emoções que está a sentir.

Ao aceitar onde está, liberta a resistência, pelo que avança instantaneamente para o que quer, pois estará a permitir que a sua vibração se eleve para o seu estado natural de bem-estar.

 

Uma última nota:

Sei que a dor da perda não é fácil. Também sei que as nossas almas, quando aceitaram viver o desafio de estarem aqui na Terra, foi porque sabiam que ultrapassariam estas experiências. Estamos tão habituados a praticar padrões de desconforto e desequilíbrio por tanto tempo, que pode ser desafiante colocar estes três passos em prática.

O que é certo é que no momento em que começamos a honrar o que sentimos e a delegar para a vida o que está fora do nosso controlo, a experiência global muda. Experimente e descubra!

 

Natália Costa

Skin at Heart

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