Coronafobia: 10 dicas para amenizar o medo do vírus


O termo Coronafobia foi criado no final de 2020. Trata-se de uma ansiedade grave e desproporcional causada pela atual pandemia de Coronavírus. É uma desordem psíquica que diz respeito ao impacto psicológico do medo extremo de contrair o vírus e que desencadeia sintomas de ordem física, psicológica e comportamental.

 

A nível fisiológico aparecem sintomas como palpitações, tremores, dificuldade em respirar, agitação do corpo, perturbações do sono e do apetite. Já a nível comportamental, os sintomas podem ser notados através do evitamento desproporcional de contacto com o mundo exterior e pela compulsão em medidas de segurança, e idas repetidas ao médico por achar que se está doente. Esses prejuízos à saúde vêm acompanhados de pensamentos disfuncionais e respostas emocionais desajustadas.

O medo tem a função de preservar a vida. Mas o medo exacerbado leva a sintomas típicos de fobia. A ativação do sistema límbico no cérebro, particularmente da amígdala, é a nossa resposta evolutiva ao perigo. O sistema nervoso simpático é ativado em momentos de presumível perigo. Uma resposta aguda ao stress pode salvar vidas, mas quando se torna crónico pode “matar”. Também interfere com o equilíbrio do sistema nervoso autónomo. O sistema nervoso autónomo e o sistema imunológico estão intimamente relacionados. Uma interrupção desse equilíbrio dinâmico, por meio do aumento da ansiedade, pode levar à desregulação imunológica, tornando as pessoas mais vulneráveis ​​a doenças infeciosas.

 

Medo exacerbado de contágio

O Coronavírus, com a sua alta contagiosidade e imprevisibilidade, provocou eventos traumáticos, medo, altos níveis de ansiedade e insegurança na população em geral. Além disso, durante a pandemia, muitos sentiram dificuldade para dormir e para se concentrar.  Houve um agravamento de doenças crónicas e um aumento de consumo de álcool, tabaco e drogas.

Diante do medo excessivo, as pessoas ficaram retraídas, desesperadas, com a ideia de morrer e de perder familiares e amigos. Esse contexto de pandemia tocou na noção de imprevisibilidade, não só em relação à doença, mas também no que diz respeito ao futuro da carreira, do sustento e dos negócios. Essas incertezas elevam a propensão de transtornos psiquiátricos e precisam de ser interpretadas como um sinal de alerta, pois podem criar ou piorar doenças psíquicas pré-existentes, como depressão, ansiedade ou manifestações psicóticas.

 

A Coronafobia, dependendo do grau, pode invalidar a vida quotidiana e criar muito sofrimento.

O termo Coronafobia não é, tecnicamente, um diagnóstico oficial. Representa um distúrbio obsessivo compulsivo, uma desordem de ansiedade, de fobia ou de um tipo de hipocondria. O excesso de novas informações sobre o vírus, o uso de máscaras e conversas sobre a doença podem acionar ou exagerar a resposta básica do organismo numa situação de perigo de “luta ou fuga”.

 

Sintomas de Coronafobia:

  •  Ter grande e desproporcional preocupação em contrair o vírus;
  • Ir ao médico frequentemente por achar que está doente;
  • Evitar locais e situações públicas;
  • Sentir ansiedade intensa e persistente, tremores e batimentos cardíacos acelerados;
  • Ter obsessão em lavar as mãos com frequência, desinfetar e verificar os sinais vitais sempre que possível;
  • Acreditar que irá morrer se contrair o vírus ou que irá infetar familiares.

 

  • Nenhum destes sintomas, sozinhos, são problemáticos, mas quando ocorrem juntos, persistem e impactam a vida quotidiana é preciso procurar ajuda.

 

O truque é trabalhar o medo!

É importante saber que os medos têm um sentido, uma narrativa, um significado e podem ser expressos. Expressar sentimentos e pensamentos é importante, para que o medo perca esta tonalidade mais depressiva, mais paralisante e não se cristalize. A angústia permanente pode deixar sequelas. Por isso, é essencial darmos um sentido ou trabalharmos essa angústia.

O ambiente de ansiedade extrema pode deixar graves sequelas e o impacto traumático está muito relacionado com os recursos internos de cada pessoa para fazer face à situação. As fobias mais comuns, diante desta pandemia, são relativas ao medo da morte, medo de contrair o vírus ou passar o vírus à família. Segundo estudos, 66% das pessoas consideram o vírus uma ameaça e 56% estão muito preocupadas. Também afirmam que as mulheres relatam mais ansiedade do que os homens durante a pandemia. A boa notícia é que as pessoas que possam estar com Coronafobia, não estão condenadas a viver assim para sempre: a hipocondria, ou seja, o medo da doença pode ser passageiro.

 

Para minimizar o efeito traumático:

  1.  Evite ver, ler ou ouvir notícias de maneira descontrolada, principalmente aquelas que podem aumentar a ansiedade e a angústia.
  2. Procure informações em fontes fidedignas e não exaustivamente, para evitar assoberbamento e obsessão pelo tema.
  3. Pense logicamente sobre os riscos.
  4. Cuide da estabilidade emocional, pois o sistema imunológico oscila ao sabor do stress.
  5. Não descuide da sua saúde.
  6. Descanse e tenha uma alimentação saudável.
  7. Pratique exercício físico.
  8. Preserve uma rotina positiva de socialização.
  9. Exercite o autocontrolo e mantenha a calma.
  10. Cultive a esperança e reassegure-se: a pandemia vai passar.

 

  • Em algumas situações, as estratégias individuais podem não ser suficientes para estabilizar as respostas emocionais, fisiológicas e cognitivas de quem sofre de Coronafobia. Portanto, nesses casos, recomenda-se a procura de ajuda especializada.

 

 

Mariagrazia Marini Luwisch

Especialista em psicologia clínica e da saúde

Psicoterapeuta

Artigo originalmente publicado na revista Reiki & Yoga Prático, nº47.
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