Covid-19: toda a verdade sobre a nova vacina


Covid-19 vacina
Side view shot of male nurse wearing protective mask and gloves preparing medical syringe for giving injection to senior patient

A Covid-19 tem sido o “inimigo” número um da humanidade em 2020, não só ao nível da saúde como também a nível social e económico. A sociedade teve de se adaptar e as empresas da área da saúde também. Laboratórios privados como a Synlab tiveram que abrir unidades físicas e móveis para a realizar testes e evitar, ao máximo, a propagação do vírus.

Quase um ano depois, chegou o momento ansiado por muitos. Os telejornais abriram com a notícia: “Foi lançada a vacina contra a Covid-19”. Depois de várias tentativas falhadas, eis que foi aprovada a primeira vacina contra a Covid-19.

Vacinas na linha da frente

O mecanismo envolvido na conceção das vacinas tradicionais passa pela utilização do próprio vírus ou bactéria, numa versão desativada ou atenuada, para que o organismo reaja e responda à infeção. A tecnologia utilizada nesta nova vacina para a Covid-19 nunca tinha sido testada em humanos. Nas vacinas fabricadas pelas Pfizer e Moderna, utilizando o mRNA, não é o agente do vírus que é introduzido através da vacina, mas sim parte do seu genoma que produzirá uma determinada parte do micro-organismo (naturalmente, uma parte fundamental para a propagação do vírus) e assim estimulará a produção de defesas contra essa parte específica do agente infecioso.

Esta vacina vai imitar o que o vírus faz, com a diferença que não gera uma infeção completa. Obriga a célula do hospedeiro humano a produzir uma parte da constituição do vírus, a tal parte fundamental do mesmo.

Uma polémica existente frisa que esta vacina poderá modificar o ADN humano. Tal não acontece, uma vez que o vírus não permanece nas células e não tem capacidade para se integrar no cromossoma. É uma vacina eficaz (>90%) e é das mais seguras que pode haver. A juntar a isto, temos ainda outras vantagens, das quais se destacam:

  • Facilidade de produção
  • Facilidade de correção rápida e fabricar uma nova vacina, caso o vírus Covid-19 sofra uma mutação que diminua a eficácia da vacina

Efeitos secundários

A vacina é eficaz e segura, mas é importante realçar que a sua administração poderá produzir efeitos passageiros nas primeiras 24 horas, após a sua administração, dos quais se destacam o mal-estar ou a febre baixa. Embora incómodos, não são sinais negativos, pelo contrário. Se sentir esse tipo de efeitos, é sinal de que o sistema imunitário está a reagir de forma positiva ao vírus.

Quanto ao relato recente de algumas reações alérgicas, podemos dizer que não é um fenómeno inesperado. Parece ser raro, mas merece certamente acompanhamento. Vai haver a necessidade de um acompanhamento médico em larga escala dos vacinados, para que se perceba se existem ou não efeitos secundários não conhecidos/ não detetados durante o período dos ensaios clínicos.

Vacinas Covid-19: o que falta fazer?

As vantagens destas vacinas estão à vista, mas faltam passos importantes a percorrer:

  • A aprovação da mesma pelas entidades reguladoras europeias e a nível logístico
  • Uma rápida e eficaz distribuição, uma vez que a vacina é embalada a -70ºC, com embalagens de gelo seco, tendo um tempo de armazenamento relativamente curto.

 

Paulo Paixão
Médico
Virologista da Synlab Portugal
Professor da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa

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