Cuidar do planeta é cuidar de nós! 4 formas de o fazer


Existimos num planeta como não há outro (que seja do nosso conhecimento), que nos proporciona condições extraordinárias para sermos quem somos e podermos explorar todo o nosso potencial. Contudo, a relação que estabelecemos com a base que permite a nossa existência é tudo menos a que deveria ser.

Existem duas formas de termos o suficiente. Uma é continuar a acumular mais e mais.

A outra é desejar ter menos.” G. K. Chesterton

Avançamos numa lógica de conquista e exploração, perseguindo objetivos de acumulação numa visão muito estreita de crescimento económico, pouco inclusivo e tendente à acumulação em determinadas franjas da sociedade. A mudança é urgente e não é suficiente fazer mais do mesmo, ainda que um pouco mais eficiente, mais tecnológico, mais inovador. A eficiência, que tem subjacente a ideia de que podemos fazer mais com o mesmo, é um conceito interessante, necessário, mas insuficiente. Após anos de políticas de eficiência energética ou na produção de bens de consumo, teremos hoje uma pegada ecológica menor do que há 20 anos? A resposta clara é: não!

 

Quem pode, de facto, agir?

O indicador do dia da sobrecarga do planeta (overshoot day) permite-nos ter a noção da tendência que estamos a seguir enquanto espécie. Indica-nos o momento no ano a partir do qual a Humanidade está a mobilizar recursos naturais que só deveriam ser mobilizados a partir de 1 de janeiro do ano seguinte. Em 2019, em termos globais, o cartão de crédito ambiental foi acionado a 29 de julho, mas o mais preocupante é que desde a década de 70 temos estado a antecipar, a cada ano, o momento a partir do qual passamos a usar o cartão de crédito ambiental. Fruto desta relação predatória, vemos já as consequências em termos de alterações climáticas, perda de biodiversidade, poluição e escassez de recursos.

É importante termos presente que não haverá sociedades nem economia se não existirem os recursos naturais e os serviços ambientais generosamente fornecidos pela Terra. É por isso que quando falamos de desenvolvimento sustentável – e ainda que o objetivo seja promover o equilíbrio entre os três pilares (ambiental, social, económico) – existe um que é o fator limitante. Sem ele, os outros não poderão existir.

Para alterar este estado de coisas, é fundamental focarmo-nos em valores como o da frugalidade, da suficiência, da qualidade e do bem-estar, e progressivamente afastarmo-nos do modelo de crescimento contínuo, do acumular constante e da ânsia de querer ter sempre mais e mais.

 

Para uma mudança efetiva, no nosso entender, será necessário compreender que todos têm responsabilidades, mas que estas são diferenciadas. Assim, a maior responsabilidade por esta alteração estrutural reside em quem pode definir regras, caminhos que o país deve trilhar – os nossos representantes políticos.

 

A par com a componente política e de regulamentação, encontramos as empresas que diariamente alimentam o atual modelo de produção e consumo, e que têm a responsabilidade de alterar os seus modelos de negócio e de disponibilizar as soluções que permitam aos cidadãos concretizarem a sustentabilidade com as suas escolhas.

Os cidadãos podem ter um papel fundamental na mudança estrutural. Qualquer rutura com o atual modelo de produção e consumo só acontecerá quando essa for a mensagem que é passada aos decisores políticos e empresariais. A título de exemplo, a recente aprovação, em tempo recorde, da Diretiva Europeia que veio regular a área dos plásticos de uso único, só foi possível devido à mobilização massiva da sociedade civil (organizada e informal), de investigadores, de jornalistas, que recorrentemente colocaram o tema dos plásticos e dos seus impactos ambientais, sociais e económicos no debate público, e tornaram inevitável a ação política e a adaptação das empresas envolvidas a uma nova realidade.

 

 

Medidas a implementar

Na ação individual, há algumas mudanças que podem fazer a diferença, não apenas pela mensagem que passam a decisores políticos e empresariais, mas também porque reduzem a impacto ambiental e social dos atos de consumo quotidiano:

 

1.Reduzir o consumo de proteína animal. Em Portugal consumimos proteína animal acima do recomendado, mas consumimos muito menos frutas, legumes e leguminosas do que deveríamos. Aumentar o consumo de proteína vegetal (por exemplo, através das leguminosas), vegetais e fruta permite reduzir muito o impacto ambiental da nossa dieta, para além de contribuir para uma melhor saúde. Devemos ter presente os poluentes persistentes e bioacumulativos, que têm tendência para acumular ao longo da cadeia alimentar. Quanto mais na base formos buscar os nossos alimentos, menos estaremos sujeitos aos impactos negativos na nossa saúde, que podem advir da presença destas substâncias perigosas.

 

2.Viajar menos em modos motorizados. Preferir os transportes coletivos, os meios de transporte suaves (bicicleta ou trotineta), andar a pé (aproveitando para fazer exercício) ou partilhar boleias com colegas, vizinhos e amigos são passos relevantes. O setor dos transportes continua a ser um dos maiores desafios em termos de sustentabilidade. Acima de tudo, evite viajar de avião.

 

3.Pense muito bem antes de comprar. Treine a resistência às tentações do consumo e reflita antes de comprar. Será que precisa mesmo? Poderá pedir emprestado ou comprar em segunda mão? Será que o que está a pensar comprar é de qualidade, durável, pode ser reparado, reutilizado ou atualizado? Pode ser reciclado no fim da sua vida? Como é que foi feito? Será que foram respeitados os direitos dos trabalhadores? É local ou veio de muito longe? É da época?

 

4.Se tiver mesmo de comprar novo, prefira produtos com certificados de qualidade e desempenho, como é o caso do rótulo ecológico europeu, da agricultura biológica ou do comércio justo. Não são uma panaceia, mas são um passo no bom caminho.

 

Não adie a integração destes cuidados nas suas práticas diárias. O planeta Terra, onde temos o privilégio de viver, é único. Cuidar dele é cuidar de nós.

ZERO Cuidar do planeta é cuidar de nós

Susana Fonseca

ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável

https://zero.ong/

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