Depressão e ansiedade: Ser ou estar? – 5 estratégias


Depressão e ansiedade

Primeira consulta! O paciente senta-se à minha frente ainda renitente em partilhar a sua história e com dúvidas se este será o caminho ou o local certo para estar.

Após explorar o motivo que originou a procura de apoio psicológico, ouço muitas vezes a frase “Sabe, eu sou muito ansioso!”. E de imediato dá-se início à terapia, levando-me a questionar: “É ou está? Não existem pessoas tristes ou alegres, calmas ou nervosas. São apenas estados. A pessoa está ou não triste ou alegre, está ou não calma ou nervosa, e por aí adiante.

A boa notícia é que se está, pode deixar de estar!”. Transformar um estado numa característica idiossincrática, é como dizer que é de família, quase uma herança. Separar o ser do estar permite-nos ampliar a perceção de autocontrolo. É mais fácil ter controlo sobre um estado, pois poderei entendê-lo como “um mau pedaço, de um bom caminho”. Se eu sou, como posso deixar de ser? Pelo contrário, se eu estou, então posso deixar de estar, certo?

 

Quando “herdamos” estados de espírito…

Em relaçãoàs“heranças”familiares,muitoemboraestudosindiquemqueaprevalênciade determinadas patologias na família poderão aumentar o risco do diagnóstico, sabemos que a exposição contínua a contextos familiares disruptivos, onde os padrões de comunicação utilizados sugerem dissonância, agressividade, insegurança, manipulação, etc., poderão ser facilmente aprendidos por modelagem.

Assim, assistimos muitas vezes a adultos que dizem ser ansiosos, depressivos, inseguros, não porque o sejam, mas porque foram expostos a estes padrões e, por esse motivo, acabam por replicar esses padrões de funcionamento e de comunicação.

 

Torna-se importante, numa primeira fase, separar a pessoa do comportamento, ou seja, separar o ser do estar.

A mente tem uma capacidade extraordinária para criar a própria realidade e aquilo em que acredita. Se, por um lado, podemos ter crenças potenciadoras que nos levam a zonas de desafio e superação; por outro lado, existem crenças limitantes e tóxicas que nos impedem de alcançar o nosso potencial e, sem nos darmos conta, boicotamo-nos sem perceção de que estamos a fazê-lo.

Uma das crenças mais limitantes que surge em consultório é a crença de não ser suficiente: não ser suficientemente capaz, não ser suficientemente merecedor, não ser suficientemente amado, não ser suficientemente inteligente… Esta crença é muito limitante, pois desencadeia um conjunto de atitudes, sentimentos e comportamentos bloqueadores, como o medo de falhar.

Por sua vez, o medo de falhar origina comportamentos de autopreservação, fazendo com que a pessoa se retraia perante um desafio, evite determinados contextos ou situações e fuja para a sua zona de conforto, reforçando novamente a crença que a originou.

 

Ao ser questionado sobre como fizera a escultura de David, Miguel Ângelo respondeu: “Foi fácil. Fiquei um tempo a observar o bloco de mármore até nele ver David. Aí, pequei no martelo e no cinzel, e tirei tudo o que não era David!

Depressão e ansiedade: Ser ou estar? - 5 estratégias

Identificou-se com este artigo?

Se a resposta for afirmativa, sugiro que implemente algumas estratégias como as que proponho de seguida:

  1. Conheça as suas crenças, identificando situações que considera limitantes e questione-se sobre a sua veracidade. Identifique momentos em que essa crença não se manifestou verdadeira. Por norma, quando temos uma crença, generalizamos e, por esse motivo, será importante perceber se de facto isso acontece sempre.
  2. Perante uma situação desencadeadora de ansiedade, pare e use a técnica SOS. Salte fora da situação, colocando-se fisicamente fora da situação que não lhe está a agradar, dissociando-se. Depois, observe de forma objetiva a situação sem julgamento. Salte novamente para dentro da situação e reproduza-a de forma diferente, já que agora possui uma melhor compreensão do cenário em si. Esta técnica permite-nos colocar o foco em nós, perceber o que estamos a fazer de errado, compreender como o comportamento gera comportamento e observar a situação sob várias dimensões e perspetivas.
  3. Quando os pensamentos negativos vierem, questione “Porque é que estou a preocupar-me?”, “Por que estou a dar importância a este tema?”. Ajuste a questão mediante a situação em que se encontrar e apenas pare de questionar “Porquê?” quando encontrar a resposta. Este exercício ajudará a compreender os benefícios secundários dos pensamentos limitantes e a procurar alternativas mais eficazes.
  4. Recorde e Resgate. Recorde-se de todos os momentos em já se sentiu capaz, confiante, seguro, amado, inteligente, e resgate esses momentos. Onde está essa parte de si? Resgatar essa parte irá ajudá-lo a conectar-se com os seus recursos interiores. Lembre-se que só porque não vê esses recursos, não significa que não os tenha!
  5. Ser e estar. Quanto mais próximo estiver do seu Ser, aceitando-se nas suas potencialidades e fragilidades, exigindo de si apenas o que pode dar e não o que os outros esperam de si, aceitando-se e amando-se total e incondicionalmente, melhor Estará!

 

Joana Dolgner | Instagram | Facebook

Psicóloga Clínica

www.drajoanadolgner.pt

934 196 996

Artigo originalmente publicado na revista Reiki & Yoga Pocket, nº13.

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