Dia da Igualdade Feminina | Viver num mundo de homens… Conquiste o seu lugar!


Ao longo dos anos temos percorrido um caminho em direção à igualdade entre homens e mulheres. No entanto, parece que ainda há umas boas milhas a percorrer…

Na esfera profissional, os estudos revelam que, apesar de as mulheres e homens desempenharem funções de igual responsabilidade, as condições para o desempenho das mesmas não são iguais. Uma análise do Gabinete de Estudos Sociais da CGTP-IN, baseada em dados do INE referentes ao quarto trimestre de 2020, concluiu que o salário médio das mulheres trabalhadoras em Portugal, neste momento, é 14% inferior comparativamente com o dos homens, considerando que exercem profissões iguais. Já no que respeita a tarefas domésticas, as mulheres despendem sempre mais horas por semana a cuidar da casa do que os homens, em qualquer idade.

 

Portugal e Espanha são os países europeus onde se verificam maiores diferenças entre o tempo gasto por homens e mulheres jovens em tarefas domésticas (7 horas semanais).

 

Todas estas horas de trabalho a mais têm consequências para a saúde física e mental das mulheres, sendo que a grande maioria menciona sentir cansaço crónico. A falta de tempo para descansarem, cuidarem de si próprias e direcionarem tempo e energia para as suas carreiras impacta todas as esferas da vida. Isto é apenas um sintoma do que vivemos. Séculos de discriminação e de patriarcado profundamente enraizado criaram uma enorme disparidade de poder entre géneros na nossa economia, sistema político e mundo laboral.

 

Forçadas a recuar?

As mulheres da nova geração têm mais oportunidades, maior acesso à educação, abraçam projetos de carreira e desenvolvem competências que há alguns anos atrás estavam vedadas a uma pequena minoria.  No entanto, quando olhamos a realidade dos nossos governos e empresas, verificamos que as mulheres continuam a ser excluídas das posições de topo.

Desde a mais tenra idade, as mulheres aprendem que o seu bem-estar e o sucesso dependem do respeito por certos comportamentos estereotipados, como ser delicada e dócil, falar com voz suave e ser atenciosa com os outros. Como se isso não bastasse, os media, a família e a sociedade encarregam-se de lhes martelar a mensagem pela vida fora. Em boa verdade, as mulheres não destroem a sua vida profissional e pessoal de forma consciente. Agem, sim, segundo os princípios que lhes ensinaram.

Não se pode generalizar, mas ainda há muitos comportamentos culturalmente implícitos. Quando mais tarde tentam libertar-se da pressão social que se exerce sobre elas, são postas a ridículo e suscitam censuras e desprezo. Quando falam alto chamam-lhes histéricas; quando têm ambição são chamadas de gananciosas; quando estão zangadas é da alteração hormonal.

Quando tentam despir-se de papéis e agir de forma mais madura e condicente com a própria realização, deparam-se com uma resistência subtil – ou nem por isso -, que visa mantê-las no papel de meninas.  Comentários do tipo: “Ficas tão gira quando estás zangada”, “Que foi? Estás a gozar, não estás?” ou “Porque não ficas satisfeita com o que tens?”  destinam-se a manter as mulheres nesse papel de meninas. Quando terceiros põem em causa a validade dos seus sentimentos, a reação habitual é recuar sem fazer ondas.  Questionam a veracidade da experiência vivida e, muitas vezes, acabam por desistir.  E sempre que o fazem, recuam um passo e colocam em causa o seu sucesso.

Dia da Igualdade Feminina

Receio constante

Enquanto psicóloga, trabalho com mulheres no seu desenvolvimento pessoal. Desde cedo percebi que a fronteira ténue entre a esfera pessoal e profissional é uma das maiores barreiras. Por outro lado, o dilema de “assumir o controlo” da situação assombra a autoconfiança e, consequentemente, a realização pessoal e profissional. Quaisquer que sejam os acontecimentos da nossa vida, somos sempre confrontadas com o dilema de escolher. Não serve de nada querer mudar os outros, é uma ilusão. É preciso identificar potenciais áreas a desenvolver e enumerar fatores que são uma chave para o êxito do objetivo delineado.

Um dos exemplos é a atitude e expressões ambíguas do género: “Talvez devêssemos ter em conta que …”; “Se calhar isso deve-se a …” e “Que tal…”. Com esta atitude, ninguém pode acusá-la de ser desagradável, mas também ninguém lhe reconhecerá capacidade de liderança. Em vez de “talvez devêssemos ter em conta”, tente “acredito que se tivermos em conta X, poderemos atingir o objetivo Y de forma mais rápida. Qual a vossa opinião?”.

Quantas vezes dá por si a sorrir para suavizar uma informação importante que quer transmitir ou a emitir uma opinião em forma de pergunta, em vez de o fazer sem rodeios, ou ainda ter dificuldades em dizer “não” e aceitar metas irrealistas para fazer num dia. Estas são pequenas atitudes que utilizamos de forma subtil com receio de sermos demasiado agressivas.

 

Eleanor Roosevelt estava certa quando dizia: “Ninguém pode fazer que se sinta inferior sem o seu consentimento.”. Então, pare de consentir!

 

Da teoria à prática:

  1. Identifique pequenas atitudes derrotistas e comportamentos que a impedem de evoluir positivamente na sua carreira.
  2. Após este passo, escolha um dos hábitos que pretende mudar e substitua por outro mais eficaz. Escolha um por semana e concentre-se nele.
  3. Tudo depende de si. O novo hábito tornar-se-á mais consciente e mais frequente, e a forma como se manifesta terá repercussões na sua vida.
  4. Tenha um diário da gratidão. Escreva todos os dias algo pelo qual é grata.
  5. Comemore as pequenas vitórias. Podem parecer pequenos passos aos olhos dos outros, mas constitui um grande passo para si.
  6. Não se compare com os outros. O seu termo de comparação é consigo mesma.

 

Cabe a cada uma de nós mudar os sistemas que impedem as mulheres de alcançar o seu potencial. São pequenos hábitos que podemos mudar na nossa casa, no nosso local de trabalho, no que transmitimos aos nossos filhos e filhas, nas conversas com família e amigos.

O poder diferenciador está em cada uma de nós. Comece hoje.

 

Nadine Caldas | Instagram

Psicóloga e Consultora

Instrutora de Yoga e Meditação

www.nadinecaldas.com

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