Dia do Amigo – Viver a Amizade


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Desde os tempos de Aristóteles que se diz que os amigos “são o nosso refúgio na pobreza e no infortúnio; ajudam os mais jovens a evitar os erros; ajudam as pessoas idosas amparando-as nas suas necessidades; estimulam as pessoas na plenitude das suas forças à prática de ações nobilitantes, pois com amigos as pessoas são mais capazes de pensar e de agir”.

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Platão via na amizade a possibilidade de alcançar a verdade através da partilha diária da vida. Segundo a filosofia grega, a amizade detém uma valência pedagógica em termos de percurso evolutivo. Afirma não haver um progresso individual, se não houver a partilha íntima de experiências, característica da relação de amizade.

Amizade, palavra derivada do latim amicus, possivelmente derivada de amore, amar, ainda que se diga também que provém do termo grego philia que significa amizade. Exprime uma relação afetiva entre duas pessoas, em princípio, sem características romântico-sexuais. A amizade é um tipo de ligação afetiva, baseada na comunicação, respeito mútuo, na compreensão, no amor e harmonia entre duas pessoas; é uma forma de relação que nos permite ser nós próprios, mesmo em companhia de outra pessoa. A amizade não se baseia no interesse, mas no amor. Com um amigo podemos ser completamente honestos, abertos, sem medo, sem reservas. No amigo colocamos confiança, esperança e compreensão.

 

Quem é um amigo?

 

É aquele que aceita o outro como ele é, com todos os seus defeitos, características, méritos, confia nele e sente-se responsável pelo seu bem-estar. O amigo é uma presença. Saber que há alguém que está perto fisicamente ou mesmo só com o pensamento, transmite um sentimento de segurança e de calor humano. São os amigos que procuramos quando em dificuldade ou quando queremos compartilhar uma alegria ou simplesmente passar um tempo prazeroso em boa companhia. Numa relação de amizade é comum falar livremente, agir ou ficar em silêncio sem o sentimento de estarmos a ser julgados. O objetivo da amizade é dar apoio, força, segurança, compreensão, atenção e interesse. Em sentido amplo, amizade é um relacionamento humano que envolve o conhecimento mútuo, afeição e lealdade. Floresce silenciosamente, preenche de energia, alarga os horizontes da consciência e conduz à felicidade.

Bons e maus amigos

Estudos demonstram que a amizade verdadeira e profunda ativa efeitos curativos que suprem de energia, como um medicamento. O fator que mais influi no nível de saúde das pessoas não é a riqueza, a genética, a rotina nem a alimentação, mas sim os amigos. De facto, com a amizade, a química do corpo modifica-se. No cérebro são ativadas novas áreas e excretadas substâncias que favorecem o bem-estar, alargando os limites da consciência. A amizade ajuda a mantermo-nos física e mentalmente saudáveis. Na relação com o amigo, entrevimos o nosso reflexo, que ao ser focado leva-nos a encontrar o nosso lado “sombrio”, desconhecido. Amigos são uma referência de nós próprios.

As pessoas crescem mais quando podem ter amigos com quem dividir as suas angústias e deceções, um aprofundamento que intensifica e amadurece a formação da própria identidade e contribui para um crescimento amplo que não pode ser adquirido no universo familiar. O filósofo Zygmunt Bauman refere que no mundo atual, onde tudo muda rapidamente, as relações humanas tornaram-se líquidas e as amizades são facilmente descartadas conforme as conveniências, o que prejudica os laços humanos. Viver isolado é prejudicial à saúde, facto que é potencializado quando vivemos em tempos de relações superficiais e imediatistas baseadas em redes sociais. A verdadeira amizade é um relacionamento profundo de entendimento, de partilha, proteção e aceitação. Constrói-se por uma longa estrada e, mesmo quando termina, permanece leal ao vivido. É colocar à disposição do outro a força da vida, renovada constantemente. Daniel Goleman, autor do livro Inteligência emocional, descreve a empatia (colocar-se no lugar do outro) e a ética (ser leal e honesto com os outros), como as raízes da amizade. A amizade é dar coragem, consolar e ajudar. É através da ajuda mútua que se estabelecem boas relações. No entanto, é preciso reconhecer os bons e os maus amigos. Bons amigos fazem-nos felizes, tornam-nos mais fortes e transmitem-nos energia positiva; os maus amigos podem arruinar a nossa autoestima e inundar a nossa vida de emoções negativas, como inveja, competitividade, zanga e traição. São os chamados amigos tóxicos.

 

Amizade e amor: a diferença

 A amizade assemelha-se ao amor, mas não é a mesma coisa. Amizade e amor são campos energéticos que se movem em binários paralelos. Podem intersectar-se, sobrepor-se e voltar a ser distintos com diferenças precisas.

Na amizade, ajuda e conforto são dados sem necessidade de pedir. O amigo é aquele que pré-vê, ou seja, vê além, como se fosse uma reserva energética disponível. No amor é preciso conquista e o amante não representa um suporte sólido que ajuda na necessidade. O namoro projeta-nos inteiramente no outro. A amizade não requer possessão, nem sufoca com obrigações e requisitos, nem tolhe a liberdade. No amor, na fase da paixão, o foco é a possessão total do outro e teme invasões externas. No amor, a energia é exteriorizada, enquanto na amizade a energia interioriza-se.

Mariagrazia Marini Luwisch

Especialista em psicologia clínica e da saúde

Psicoterapeuta

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