Dia Mundial do Sorriso – O poder do sorriso


Directly below shot of young friends forming huddle. Low angle view of girls and guys with their head forming a circle. Portrait of young people looking at camera. Friendship and unity concept.

O sorriso é uma manifestação afetiva imediata de uma emoção desencadeada por estímulos externos ou internos. Provoca alterações psicofisiológicas e proporciona alguns dados sobre o nível de contentamento das pessoas ao comunicarem alegria, prazer, felicidade e afeição, bem como ao dissimular emoções profundas, como timidez, tristeza, embaraço, medo ou raiva.

 

Hipócrates (460 a.C. – 370 a.C.), o pai da Medicina, na Grécia Antiga, animava os seus pacientes com brincadeiras. Sigmund Freud (1856 – 1939), o criador da Psicanálise, dizia que as cenas cómicas e o rir ajudam a melhorar a saúde. O cientista Charles Darwin (1809 – 1882), autor da Teoria da Origem e da Evolução das Espécies, afirmava que o ato de sorrir proporciona bem-estar.

 

Fisiologia do sorriso

 O processo fisiológico do sorriso inicia-se no sistema límbico do cérebro, considerado o centro emocional. O cérebro liberta serotonina e endorfina, presente em todos os estados emocionais positivos e principal responsável pela sensação de prazer, conforto e bem-estar.

Sorrir diminui os níveis de hormonas relacionadas com o stress, como cortisol e adrenalina, e ainda assim conseguimos libertar energias negativas do corpo, como falava Freud, e o cérebro recebe mais oxigénio, o que facilita a fixação da memória. Mesmo que o sorriso não seja espontâneo, toda a reação acontece igualmente, o que resulta numa mudança do estado psicológico e emocional.

Função do sorriso

 O sorriso, juntamente com a alimentação e o sono, é um fenómeno biopsicossocial. As emoções podem ser compreendidas como produto de uma dinâmica complexa de interações fisiológicas, sociais e culturais. É através do sorriso que se cria um processo de vinculação e de socialização. No recém-nascido já é possível observar um sorriso incipiente que pode ser traduzido como um reflexo mecânico facial da sensação de prazer e, atualmente com as ecografias, sabe-se que os bebés expressam feições sorridentes já antes de nascer. Na maioria das vezes, a pessoa sorri por estar bem, ao partilhar bons momentos ou por estar alegre e feliz

O sorriso consegue provocar outros sorrisos nas pessoas graças aos “neurónios espelho”. Esses neurónios têm a função de imitar naturalmente aquilo que se vê no exterior e tornam o sorriso contagiante. Ron Gutman, pai da Psicologia Positiva, diz que uma boa gargalhada causa uma sensação de prazer, ou seja, não só o prazer causa um sorriso, como o sorriso induz prazer.

Nem sempre o sorrir é associado à alegria. Investigações numa comunidade das ilhas Trobriand concluíram que 58% das pessoas relacionam o sorriso com a alegria, 46% com a tristeza, 31% com o medo, 25% com o nojo e 7% com a raiva. Noutras aldeias, o sorriso é interpretado como convite para atração. O género, a idade e o contexto social condicionam a expressão do sorriso, que é mais comum e intenso na idade reprodutiva.

As mulheres sorriem mais frequente e intensamente do que os homens, embora inúmeras vezes sorriem mais em tensão do que em descontração. A sociedade exige que a mulher seja agradável, daí ela exibir o sorriso como sinal dessa conduta. A mulher utiliza-o especialmente como poder de sedução, enquanto o homem o faz para delimitar o seu desejo de dominação. Enquanto a mulher sorri com mais espontaneidade, o homem fá-lo mais racionalmente.

O sorriso pode ajudar na recuperação de pessoas com depressão. O contacto com imagens que transmitem alegria potencia pensamentos positivos e ajuda a melhorar o humor. Pesquisas da Wayne State University, nos Estados Unidos, constataram que pessoas sorridentes vivem, em média, sete anos a mais em relação aos que sorriem menos.

 Efeitos do sorriso

 Um dos efeitos do sorriso é a pessoa parecer mais atraente e jovem, com uma imagem mais harmoniosa. Projeta ainda uma sensação de segurança, gera mais confiança e convida a uma aproximação. Pessoas sorridentes parecem mais simpáticas, competentes e otimistas. Segundo um estudo realizado na Universidade de Loma Linda, nos Estados Unidos, assistir pelo menos durante 20 minutos diários a programas humorísticos diminui em 66% o risco de problemas cardíacos. Sorrir ajuda a manter o bom humor e ainda:

  • Aumenta consideravelmente os níveis de colesterol bom e ajuda a controlar a diabetes;
  • Reduz as hormonas que causam stress;
  • Contribui para o aumento da automotivação, autoestima e autossatisfação;
  • Fortalece os relacionamentos interpessoais;
  • Promove melhor condição para trabalho em grupo;
  • Diminui as dores físicas e promove o relaxamento dos músculos;
  • Aumenta a imunidade e diminui o risco de enfarte.

Tipos de sorriso

 No século XIX, o neurologista francês Duchenne de Boulogne desenvolveu um estudo sobre expressões faciais e classificou o sorriso em verdadeiro e falso. Daí o sorriso verdadeiro ser chamado de ”sorriso de Duchen”.

Segundo o psicólogo especialista em expressões faciais Paul Ekman existem principalmente 18 tipos de sorrisos. As pessoas sorriem por muitas razões, das quais apenas algumas expressam a emoção positiva. As pessoas sorriem também para estabelecerem conexões com os outros, pedirem desculpa, impressionarem, seduzirem e acalmarem, mascararem sentimentos negativos, restaurarem relações harmoniosas. Também podem sorrir ao passar por situações complicadas ou em jeito de cumplicidade ou jogos de sedução.

Um estudo da Universidade de São Francisco (Califórnia, E.U.A.) concluiu que entre muitos tipos de sorrisos analisados, apenas seis traduzem felicidade. A grande maioria pode esconder tristeza ou situações de dor, vergonha e horror, ou podem disfarçar sentimentos de desprezo, raiva, mentira e desorientação. Enquanto os sorrisos de satisfação traduzem sentimentos positivos, há sorrisos que não estão tão associados ao sentimento, mas sim ao que se pretende mostrar ao outro.

Psicologia do sorriso

 O desejo de sorrir é uma representação psicológica. A imagem mental do sorriso obriga a um processo cognitivo. A identificação e o reconhecimento das emoções básicas expressas com sorriso são moderadas pela inteligência.

Tentar afastar emoções negativas só para parecer mais jovem, mais magro ou eternamente positivo pode, eventualmente, trazer um custo psicológico. Uma falta de correspondência entre as emoções sentidas e as emoções exibidas pode levar a um estado de stress profundo.

A cultura é uma das variáveis moderadoras da produção e exibição do sorriso. Segundo o psicólogo Freitas-Magalhães, o sorriso do povo português é influenciado por essas variáveis. É um sorriso com propensão para a contenção e revelador de uma certa preocupação social.

Psicólogos avaliam que quando um paciente consegue sorrir dele mesmo e alcança a capacidade de ser bem-humorado diante das suas questões e dificuldades, está em condições de terminar a terapia.

 

Mariagrazia Marini Luwisch
Especialista em psicologia clínica e da saúde
Psicoterapeuta

Revista zen Energy nº 129

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