Do Egito a 2021: A evolução da Moda


O vestuário surgiu como uma necessidade do ser humano de se proteger do frio e do calor, mas ao longo dos tempos tornou-se muito mais que isso. Hoje a Moda é o símbolo de uma época, marca uma posição, distingue uma personalidade.

• Os Egípcios e os Romanos já usavam o vestuário como uma forma de distinção de classes e afirmação de poder. O tecido mais utilizado era o linho e, apesar das pinturas mostrarem imensas vestimentas brancas, as roupas coloridas eram as mais apreciadas. Os homens trajavam uma espécie de saia e as mulheres vestidos longos de alças. Os cosméticos eram também já bastante utilizados. Não foi à toa que Cleópatra, habilidosa política e autora de um livro de beleza, conseguiu conquistar dois dos mais importantes generais romanos: Júlio César e Marco António.

Do Egito a 2021: A evolução da Moda

• A Idade Média trouxe a consolidação do feudalismo e do domínio da Igreja. Para a Moda, a Idade Média trouxe o botão, como hoje é conhecido. Até aqui, utilizavam-se conchas. Nesta altura, a peça básica era uma espécie de túnica, mas este pequeno ornamento, prático e decorativo, veio alterar significativamente o vestuário. No século XVI, os botões eram um símbolo de posição social, quase do género: “Diz-me quantos botões tens e dir-te-ei quem és.”

• A Renascença trouxe a celebração da vida (a sobrevivência à Peste Negra), a reforma científica, artística e literária. Ambos os sexos queriam evidenciar certas características do seu corpo: os homens usavam roupas que aumentavam os ombros, já as mulheres procuravam uma forma semelhante à do violão. A preocupação destas com a cintura fez surgir o corpete, o antecessor do conhecido espartilho.

• O “Século das Luzes” foi marcado pela Revolução Industrial. E o século XIX pelas invasões francesas. Descobriu-se a hereditariedade e a radioatividade. A escravidão foi abolida em quase todo o mundo. Na moda surge “Le grand couturier”, o “pai da alta-costura”: Charles Frederick Worth. Substituiu a crinolina pelas pequenas “anquinhas”. As suas roupas eram bastante apreciadas pelas mulheres, pois eram elegantes e confortáveis. Também foi o primeiro a utilizar manequins humanos para as clientes poderem ver como ficava a roupa já vestida.

 

• O século XX foi bastante conturbado: Hitler, a guerra da Bósnia, da China, da Coreia, do Vietname… Também o Apartheid na África do Sul, a corrida ao armamento, a aterragem na Lua… O conforto passou a ser a palavra de ordem. As mulheres, obrigadas a trabalhar durante a guerra, preferiam usar roupas práticas e confortáveis. A falta de tecidos para a confeção de vestuário exigiu que as saias fossem encurtadas até à altura dos tornozelos.

• Em 1959, Pierre Cardin criou o prêt-à-porter. Nos anos 60 surge um dos movimentos que mais mentalidades mudou e mais transformou o modo de vestir. O movimento Hippie surgiu na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, e queria oferecer uma nova visão do mundo. Assistia-se a uma grande escalada de violência. Gera-se uma cultura que questionava praticamente todos os valores tradicionais: o estilo de vida, a moral, os padrões de beleza, o casamento, o consumismo.

• O visual na década de 70 continuava a seguir o movimento Hippie, mas acabaria por ser muito mais rico que isso. Foram os anos do estilo Disco, Punk, Glam rock. Figuras como Jimi Hendrix, John Travolta, Silvester Stallone e Michael Jackson influenciaram toda uma geração. Era tempo de ser polémico, transgressor, vibrante, dançante… Surgem os Queen, os Pink Floyd, os Abba, os Rolling Stones.

Nas ruas desfilam jeans, calças boca de sino, macacões, golas altas, brilhos e, saídos do vestuário Punk, tachas, alfinetes, camisolas grafitadas. O cenário da Moda cresce a nível internacional com a presença de nomes como Giorgio Armani, Kenzo, Calvin Klein, Jean Paul Gautier, Yamamoto… A excentricidade e a teatralidade na Moda surgiram nesta altura, com figuras como Elton John e David Bowie, representantes do glam rock e da androginia.

• Os anos 80 serão dominados pelos Yuppies, os Young Urban Professionals. Os ideais de outrora são substituídos pelo consumo desenfreado. Comprar peças de grandes estilistas e marcas é agora o objetivo dos jovens. É a década do exagero, do kitsch, dos chumaços nos ombros, do vinil e do bigode. É a época do pujante rock português: os GNR cantam “Portugal na CEE”, António Variações o “Estou Além”. Foi a explosão dos criadores portugueses (à qual assisti de camarote!). As tendências aprendem-se nas novas revistas femininas: Elle, Marie Claire, Máxima… As mulheres fazem aeróbica com Jane Fonda.

• Em 2000, o mundo era para acabar, mas afinal ainda cá estamos… Nós, o mundo e a moda. Aliás, esta nunca esteve tão presente nas nossas vidas como nos últimos tempos, seja em desfiles, revistas, programas de televisão, na rua… Hoje em dia, o diversificado leque de materiais à disposição, todo um conhecimento global que a internet facilita e poucos tabus a respeitar, facilitam as criações dos designers. Mas é preciso sensibilizar o mundo para o impacto socio- ambiental do setor, lembrar as pessoas por detrás da confeção e incentivar a sustentabilidade.

• Hoje, em 2021, o que podemos dizer que está a influenciar a moda? Um vírus que nos isola, confina, separa. Uma pandemia que nos obriga a esconder a alegria, o sorriso. As marcas cancelaram os seus desfiles ou realizaram-nos à porta fechada. Muitas fábricas de confeção fecharam. Temos um novo adereço entre o nosso vestuário: a máscara. E os profissionais têm novos desafios: adaptar a sua criatividade aos dias da pandemia.

 

Carolina Carvalho de Sousa

Formada em Design de Moda

(Artigo completo no blogue “Zing”: https://zing.blogs.sapo.pt/ )

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