Doenças da tiroide: como ter uma vida saudável?


A tiroide é uma pequena glândula que pesa apenas cerca de 15-25 gr. Localiza-se na face anterior da base do pescoço e tem a forma de uma borboleta, com dois lobos unidos pelo istmo, cada um num dos lados da traqueia.

É uma glândula endócrina, porque as duas hormonas que produz – T4 (tiroxina) e T3 (triiodotironina) – são secretadas diretamente para o sangue. É através da corrente sanguínea que as hormonas chegam a todas as células, tecidos e órgãos do organismo.

 

O contributo da alimentação

Um contributo adequado em iodo é fundamental para a síntese de hormonas tiroideias. O iodo está presente nos peixes e mariscos provenientes do mar, no leite e derivados, e em alguns vegetais (no entanto, a sua concentração nestes últimos depende do teor em iodo do solo onde são cultivados).

A alimentação deve ser variada com estes alimentos em concentração equilibrada. Se se suspeitar de um défice de iodo pode também optar-se por usar sal iodado, não esquecendo que o uso excessivo de sal é prejudicial para a saúde. Em Portugal, e porque se provou que existia um défice de iodo durante a gravidez, as mulheres devem tomar um suplemento de iodo no período antes da conceção, durante toda a gestação e na amamentação.

 

Hipertiroidismo Vs. Hipotiroidismo

As doenças da tiroide são relativamente frequentes. Pensa-se que entre 5-10% dos portugueses tenha alguma forma de doença da tiroide, mas não se conhecem números exatos em Portugal. As mulheres são cerca de 10 vezes mais afetadas que os homens.

As duas alterações da função da tiroide são o hipertiroidismo e o hipotiroidismo. Este é cerca de 10 vezes mais frequente que o primeiro.

 

Hipertiroidismo

  • Acontece quando a glândula tiroide produz hormonas em quantidades excessivas. Com um excesso de T3 e T4, o organismo está “acelerado”. Esta situação deve ser rapidamente tratada, pois pode causar “exaustão” em alguns órgãos, nomeadamente no coração.

 

  • O hipertiroidismo aparece, geralmente, de forma súbita com uma clínica exuberante: alterações do humor, irritabilidade, agitação, perda inexplicada de peso apesar de aumento do apetite, tremor, suores, intolerância ao calor, palpitações, diarreia, irregularidades menstruais, aumento do volume cervical (bócio).

 

  • Podem também surgir nódulos na tiroide que autonomamente produzem excesso de hormonas tiroideias. Pelo contrário, no hipotiroidismo, os níveis de hormonas tiroideias estão baixos e as células do corpo não recebem hormona tiroideia suficiente, começando o organismo a funcionar de forma mais lenta.

 

Hipotiroidismo

  • O hipotiroidismo é geralmente uma patologia insidiosa que se manifesta lentamente e os seus sinais e sintomas podem ser inespecíficos. Muitas vezes, não são valorizados convenientemente pelo doente ou pelo médico, o que leva a que o seu diagnóstico seja tardio.

 

  • À medida que o corpo começa a funcionar a um ritmo mais lento surge o cansaço, maior sensibilidade ao frio, queda de cabelo, pele seca, aumento de peso, edemas, fraqueza muscular, obstipação, depressão e esquecimento fácil. Por vezes, este quadro é confundido com uma depressão, o que atrasa o seu diagnóstico e tratamento.

 

  • A causa mais frequente de hipotiroidismo em Portugal, assim como em outros países da Europa em que há uma ingestão razoável de iodo, é a doença autoimune da tiroide – Tiroidite de Hashimoto ou Tiroidite autoimune crónica. Nesta, o sistema autoimune (anticorpos) que habitualmente protege o organismo contra agentes e infeções externas, confunde as células tiroideias e as suas enzimas com agentes invasores e ataca-as. Surge um estado de inflamação crónica – tiroidite, que se for suficientemente severo pode originar hipotiroidismo. A tiroidite autoimune pode dar-se mais repentinamente ou demorar vários anos a desenvolver-se. Não sendo hereditária, a Tiroidite de Hashimoto pode aparecer em várias pessoas (principalmente mulheres) da mesma família. Quando há um elemento da família afetado deve-se estar atento aos sinais e sintomas que aparecem nos outros elementos e, eventualmente, realizar uma análise à tiroide.

 

  • Outras causas possíveis de hipotiroidismo são o défice de iodo (essencial para a síntese da T3 e T4) ou o seu excesso, a radiação da cabeça e pescoço, a cirurgia de remoção da tiroide, o uso de certos fármacos ou uma malformação congénita – hipotiroidismo congénito.

 

Tratamento

A hormona tiroideia sintética em forma de comprimidos – levotiroxina – deve ser tomada na dose certa. Se se toma em demasia desenvolve-se um hipertiroidismo, mas se a sua dose não for suficiente, os sintomas de hipotiroidismo persistem. O ajuste da dose deve ser realizado pelo médico através da análise da concentração no sangue da TSH e da T4. No início do tratamento, esta análise deverá ser realizada em intervalos de tempo menores, mas uma vez estabilizada a dose, é suficiente fazê-la uma ou duas vezes por ano (nas crianças em crescimento a vigilância deve ser maior).

Apesar de não ser um tratamento complicado, exige alguns cuidados como a toma geralmente diária da levotiroxina, deve ser feita em jejum, tendo a atenção para não tomar simultaneamente certos fármacos como antiácidos, protetores gástricos, suplementos de cálcio ou ferro (estes, assim como os alimentos, podem reduzir a absorção da hormona da tiroide), a dose e a marca não devem ser alteradas sem o conhecimento do médico.

 

Maria João Oliveira

Endocrinologia e representante do Conselho Científico da Associação das Doenças da Tiroide (ADTI)

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