Entrevista – Ágata Roquette, autora de O Grande Livro da Alimentação Saudável


Buddha bowl with grilled avocado, asparagus, chickpeas, pea sprouts and broccoli. Vegan food concept.

Penso que não há hipótese de não comermos bem, se realmente o quisermos fazer.

Em O Grande Livro da Alimentação Saudável, a nutricionista Ágata Roquette ensina o leitor a comer de forma nutricionalmente equilibrada, segundo os diferentes objetivos e fases da vida.

 

No seu livro afirma que fazer uma alimentação saudável não é sinónimo apenas de evitar os alimentos considerados pouco saudáveis. Então, o que engloba uma alimentação saudável?

Uma alimentação saudável enquanto estilo de vida, juntamente com alguma atividade física, pode ajudar na prevenção de algumas doenças. E se, de facto, existir um compromisso connosco próprios de nos alimentarmos bem a maior parte do tempo, isso permite que nos deixemos levar pelo prazer da mesa. Alimentação saudável consiste em equilíbrio entre vários nutrientes e variar o mais possível entre eles.

 

Na sua opinião, como é a alimentação dos portugueses? Será que têm em atenção as percentagens recomendadas de alimentos a consumir pela Roda dos Alimentos?

Acho que leem mais sobre alimentação e estão mais interessados, mas na hora de ir para a mesa algumas coisas falham. Ou porque não têm tempo e acabam por fritar algo rápido ou acabam por comer muitas quantidades por não terem feito refeições intermédias. Também acredito que muitos pratos não correspondem a 50% vegetais/legumes.

 

O ferro é um dos principais minerais de que o organismo necessita, já que é essencial para que os glóbulos vermelhos transportem o oxigénio até às células. Contudo, verificam-se baixos níveis de ferro em algumas pessoas. A que se deve esta condição?

Acredito que existam mais mulheres afetadas. Alguns casos ocorrem em mulheres que têm um fluxo menstrual acima do normal e perdem muito sangue nessa fase. Nas pessoas mais velhas, julgo que a tendência para a anemia seja maior, pois não consomem muita carne, tipicamente acabam por só fazer uma refeição completa e a própria absorção de nutrientes já não é tão eficaz como antes. A gravidez também conduz a anemia, sendo fundamental suplementar em ferro.

 

O açúcar é um grande vício para muitas pessoas. Existe algum açúcar mais saudável que possamos usar em casa?

Há açúcares mais saudáveis. No entanto, podem causar vício na mesma. Temos o açúcar de coco e o mel, ambos calóricos, mas com alguns nutrientes interessantes. No entanto, o seu consumo deve ser controlado para evitar problemas de controlo de peso, diabetes, obesidade. No emagrecimento são aconselhados substitutos do açúcar, como o stevia e xilitol, dois adoçantes baixos em calorias que provêm de fontes naturais.

 

Qual a sua opinião sobre as dietas para emagrecer que excluem os hidratos de carbono, uma vez que poderá produzir o efeito contrário? Ou seja, pode criar mais tecido adiposo, dificultando a perda de peso…

Aconselho dietas com hidratos de carbono ao pequeno almoço e jantar, e aconselho que sejam retirados ao jantar, mas sempre acompanhados de legumes/vegetais. Normalmente, dietas muito baixas em hidratos, que os proíbem o dia todo e ainda limitam o consumo de vegetais, podem, a longo prazo, conduzi r a alguma fraqueza, carências nutricionais, depressão.

 

Uma ideia que ainda prevalece em muitas mentes é o facto de o pão engordar. Trata-se de um mito ou de uma realidade?

O pão em excesso engorda. Pão ao pequeno-almoço e, eventualmente, ao lanche não engorda. Se este lanche responder a um pré-treino, não levará ao aumento de peso. A questão é que muitos portugueses, para além de comerem pão nestas duas refeições, comem também ao almoço e ao jantar a acompanhar a refeição. Ao fim do dia, acabam por consumir muitas calorias só com a quantidade de pão que consumiram e que acrescentaram às refeições.

 

Embora as gorduras sejam vistas como um dos maiores inimigos para a saúde, a verdade é que são essenciais para o nosso organismo.” Porquê?

Existem muitos tipos de gordura. Umas são benéficas para a saúde, quando usadas em doses controladas, e outros tipos de gordura são prejudiciais. Falando das boas, ricas em ómega-3 e 6, presentes em alimentos como azeite, abacate, oleaginosas, salmão, atum, cavala ou sardinha poderão ter benefícios a nível da saúde cardiovascular, prevenindo o aparecimento de colesterol mau (LDL) e do bom (HDR), arteriosclerose, AVC, ataques cardíacos, importantes para o desenvolvimento cerebral e atividades do cérebro como a aprendizagem.

 

São muitos os estudos que associam a dieta mediterrânica a uma maior longevidade e à prevenção de doenças cardiovasculares.” Porquê?

Acredito que a dieta mediterrânea traga alguns benefícios para a saúde ou que não aumente riscos a nível da mesma. O consumo de frutas e hortícolas em boas quantidades, consumo de leguminosas, azeite como gordura de eleição, mais peixe do que carne são alguns dos pontos em que a dieta assenta.

 

Ao longo do livro salienta a importância de dormir bem e de descansar. Afinal, por que é tão importante para a adoção de uma alimentação saudável?

Pessoas que dormem têm maior probabilidade de aumento de apetite durante o dia, e não é aumento de apetite por alface, mas sim por comida calórica e de conforto. Uma das razões prende-se com o facto de durante a noite serem sintetizadas hormonas que controlam o apetite durante o dia. Se não existir descanso, o corpo não consegue “fabricá-las” (uma delas é a leptina). Pelo contrário, poucas horas de sono podem estimular o aumento da grelina, outra hormona responsável por aumentar o apetite durante o dia. Para além disto, o cansaço impulsionado por uma noite mal dormida pode ser confundido com fome/fraqueza e leva as pessoas a comerem mais para se manterem ativas durante o dia.

 

Seja qual for o objetivo, por onde deve começar alguém que deseja melhorar os hábitos alimentares?

Deve começar por não comprar nada que não tenha qualquer interesse nutricional. Tenha em casa alimentos aos quais possa recorrer, tanto por fome (verdadeira), como por fome emocional que, muitas vezes, surge ao fim de um dia mau, stressante e cansativo.  Alimentos embalados, empacotados, cheios de conservantes e corantes são de evitar ao máximo. Quanto menos rótulos tiver um alimento, mais interesse nutricional terá. Falo de frutas, legumes, frutos secos, etc. Em Portugal temos a facilidade de variar, que é uma das regras mais importantes da alimentação saudável. Seja em termos de fontes de hidratos (arroz, massa, feijão, grão, quinoa, batata-doce), como em termos de proteínas (carne, peixe, ovos, mariscos, proteínas vegetais). Penso que não há hipótese de não comermos bem, se realmente o quisermos fazer.

Fotografia: Charlotte Valade/Contraponto Editores

 

Anterior Thetahealing® - A mais alta frequência cerebral para mudar crenças limitadoras
Seguinte O Voucher de Natal D. Maria II está de regresso

Nenhum Comentário

Deixar um Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *