Entrevista João Magalhães, presidente da Associação Portuguesa de Reiki e autor de Reiki é Simples


Compreendi que a vida merece ser vivida e que temos essa responsabilidade…

 Se não nos sentirmos bem, se não estivermos bem connosco próprios, como poderemos cuidar dos outros? Reiki é Simples aborda a importância do autotratamento para mais harmonia e equilíbrio. O autor, João Magalhães, diz-nos em entrevista que este é um ato de bondade e amor-próprio.

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Reiki é Simples é o seu décimo primeiro livro. O que traz esta última obra de novo para os leitores?

Em Reiki é Simples quis focar o grande propósito do Usui Reiki Ryoho, que se traduz na “melhoria do corpo e da mente”, através da “arte secreta de convidar a felicidade”, e assim enaltecer uma vertente que tanto se esquece – o autocuidado. Por outro lado, quis mostrar que o autotratamento vai muito mais além da aplicação das mãos. Ele é também constituído pela filosofia de vida. Além disso, quis auxiliar com vários casos práticos para se aplicar Reiki no nosso quotidiano.

A união do Eu através da harmonia e do equilíbrio”: poderíamos usar esta citação de Mikao Usui para definirmos o Reiki?

Sem dúvida. Este é o lema que o Mestre Usui escolheu para a sua escola e que representa o conceito de todo o método. Se eu não estiver em união comigo mesmo quero fazer uma coisa, mas tenho de fazer outra, penso de uma forma e sinto de outra. Se assim for, não existe congruência. O Mestre Usui apela para que sejamos congruentes naquilo que pensamos, sentimos e fazemos. Sem dúvida que a mudança começa em nós.

Na sua opinião, o Reiki é mais uma prática terapêutica ou uma filosifia de vida? Se tivesse de escolher apenas uma opção, qual escolheria e porquê?

O tempo de confinamento mostrou a resposta correta: filosofia de vida. Para mim, a escolha é clara porque se não me mudar a mim mesmo, a minha consciência, de nada vai adiantar estar a fazer autotratamento ou tratamento aos outros. Se não crescer enquanto pessoa, como poderei ensinar? A certa altura refleti: “E se não puder mais fazer sintonizações presenciais, o que faço?”. A resposta foi clara: não as farei à distância, mas continuarei a ensinar a filosofia de vida.

Concorda que Reiki é amor incondicional?

É e não é. Não existe amor incondicional quando a nossa existência é feita de condições. Tal é demonstrado claramente na Lei da Causalidade – boas ações, bons resultados; más ações, maus resultados; as minhas ações, os meus resultados. No entanto, é como pensarmos em vazio. Não existe um vazio absoluto, assim compreendemos que existe um amor muito próximo à incondicionalidade, assim como um vazio próximo do absoluto. Isto traz-nos serenidade. Reiki está mais próximo da Compaixão, que é representada pelo símbolo Seiheki, cuja origem vem da palavra semente “Kiriku”. A própria forma de escrever compaixão em japonês significa “dar felicidade, removendo o sofrimento”. A “Arte Secreta de Convidar a Felicidade” é precisamente remover o sofrimento para descobrirmos a felicidade que já residia no nosso interior e vida.

Até que ponto os Cinco Princípios (Sou calmo, Confio, Sou grato, Trabalho honestamente, Sou bondoso) nos conduzem em direção a um corpo e mente saudáveis? No fundo, qual é o poder destas cinco afirmações?

Tudo o que está em tensão tende a partir, colapsar. O que está em harmonia tende a fluir. O stress causa-nos tensão mental/emocional e também física. Quando praticamos os Cinco Princípios, eles trazem uma espécie de onda serena para o nosso interior – a mente acalma, as emoções apaziguam-se, o corpo relaxa.

No livro refere também o contributo dos Cinco Princípios para manter ou adquirir mais saúde mental. Como funciona?

A saúde mental é a base da nossa existência. De pouco me adianta ter um corpo saudável, se a minha mente é poluidora e descontrolada. O Usui Reiki Ryoho começa por uma atitude de atenção plena (Só por hoje). Então, o Mestre Usui pede-nos, neste momento, aqui e agora, que tenhamos calma, que cultivemos a harmonia em nós e nos outros; que tenhamos confiança em nós e na vida, e que aprendamos a construí-la nos outros. Pede ainda para desenvolvermos gratidão e aprendermos as lições que a vida traz; a sermos honestos e diligentes para aquilo que é verdadeiramente importante; para cultivarmos a bondade em nós, na vida e nos outros.

Estes Cinco Princípios ajudam-nos a reavaliar as nossas ações e já vimos que as minhas ações trazem os meus resultados. Por vezes, até acho que estou a ser bondoso, mas só estou a ser bonzinho, prejudicando-me e não ajudando verdadeiramente o outro, apesar de achar que estou a fazê-lo. Esta tomada de consciência traz leveza interior, porque estamos em união connosco. Estamos em congruência e encontramos um sentido na vida.

Relativamente ao autotratamento, e tendo em conta a fase atual que atravessamos, acha que tem sido cada vez mais necessário?

Sem dúvida, porque o autotratamento permite a desintoxicação. É como a água pura que passa por um rio que está sujo. Demora o seu tempo, mas se não o continuarmos a sujar, essa água limpa irá clarear o rio da nossa vida. Esta desintoxicação permite-nos estar mais leves e, possivelmente, com melhor capacidade para gerir as situações da mente/coração. Este tempo foi e continua a ser de enorme exigência, e pede-nos para mudarmos. Precisamos de mudar por nós e por todos. Esvazie-se para se preencher do que é realmente importante.

Será seguro ou recomendado praticar o autotratamento se estivermos com um esgotamento energético?

Se for energético, sim. Mas se for psicológico, é aconselhável que exista acompanhamento profissional. Qual é a diferença entre os dois? O esgotamento energético pode representar apenas um momento e situação. Não quer dizer que tenhamos de fazer o autotratamento completo, mas se nos deitarmos no sofá e aplicarmos Reiki durante uma hora no abdómen, ou no chakra cardíaco e plexo solar, algo vai começar a mudar – a energia recicla-se e a nossa energia vital é potenciada. Para outras condições de esgotamento energético, podem ser precisos dias contínuos de autotratamento. No entanto, precisamos também de conhecer as causas para as tratar através da filosofia de vida e até mesmo envio de Reiki. Se o esgotamento for psicológico, poderemos não ter força interior para ultrapassar a questão e isso pode ser muito delicado, porque Reiki no seu processo de desintoxicação pode mostrar o que há a trabalhar e o praticante pode não o aceitar. Não há problema em sermos acompanhados por um psicólogo ou psicoterapeuta, mas pode existir um problema se não nos tratarmos.

As mãos estão muito presentes no Reiki. Como desenvolver a sensibilidade nas mãos?

A técnica tradicional é estarmos com as mãos juntas (Gassho) durante 20 minutos, sem as separar. Sem dúvida que, ao fazermos esta prática, iremos sentir. Aquilo que sentimos é o byosen.

No livro esclarece que um dos objetivos do Reiki não é detetar doenças, mas sim perceber se existem desequilibrios ou desarmonia na pessoa. Caso exista, o que poderá isto significar?

Sim, Reiki não pode ser usado como um detetor de doenças, esse é o campo médico com os seus devidos instrumentos e análises. Compreender a irradiação do nosso desequilíbrio e desarmonia é um propósito do Usui Reiki Ryoho. Essa irradiação é chamada byosen e tem várias características. Sentimos esta irradiação para podermos tratar o campo energético de forma mais eficiente. Podemos ter a perceção de calor, piquinhos, pico forte, frio, dormência, entre outros. Mas há quem não tenha sensações. Será que essa pessoa não deve praticar Reiki? Claro que deve praticar Reiki. Por vezes, não sentimos pelos nossos pensamentos ou porque ainda não compreendemos o que é a sensação. Se esse é o seu caso, continue a praticar. Não interessa se não sente. O que importa é o bem que traz a si mesmo.

O que trouxe o Reiki de mágico para a sua vida, para o seu interior?

Ajudou-me a compreender-me, a tratar de questões que me foram colocadas como desafios de vida e também a ultrapassar-me a mim mesmo. Acima de tudo, auxiliou-me a ter mais consciência. É um caminho que vejo para a vida, porque realmente ajuda-me a ser melhor. É um esforço diário, mas também uma felicidade por saber, continuar a descobrir, algo que me ajuda. Compreendi que a vida merece ser vivida e que temos essa responsabilidade, que devo promover a harmonia, confiança, gratidão, honestidade e bondade em mim mesmo e para os outros. Desejo que todos possam viver o mesmo. Não é um caminho fácil, mas é um caminho de vida que nos leva ao que é mais importante.

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