Entrevista – Miguel Raposo, autor de Profissão: #Influencer


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Além de talento, o grande segredo é, na minha opinião, manter a autenticidade e a genuinidade.

O conceito de influenciador não tinha, há alguns anos atrás, o significado e a dimensão que tem atualmente. Miguel Raposo é consultor de Marketing de Influência e partilha, neste livro, os ingredientes necessários para se ser um bom criador de conteúdos ou para criar boas relações com as marcas.

 

Atualmente, qual é o significado do conceito influenciador?

Prefiro usar a expressão criador de conteúdo! O fator humano é cada vez mais importante no marketing de influência. Não somos apenas consumidores, todos podemos ser criadores de conteúdos (Influenciadores), e, o que é ainda mais espetacular, todos somos (potenciais) criadores de engagement. Para simplificar, um influenciador é alguém com a capacidade de influenciar um comportamento, seja uma compra, um serviço, etc.

 

Quem pode ser considerado influencer?

Na realidade, todos podemos ser! Mas tipicamente começamos a considerar influenciador, os micro influenciadores que começam nos 1000 seguidores e até aos 10 mil. Um dos argumentos mais fortes a favor do marketing de influência é o poder das pessoas comuns. Embora uma celebridade possa chegar a um número astronómico de seguidores através da sua conta de Instagram, a verdade é que a recomendação de alguém que conhecemos ou que identificamos como próxima tem muito mais força. Por isso, as reviews de pessoas anónimas têm mais credibilidade. Os micro influenciadores são muito importantes e decisivos.

 

Qual é o primeiro passo para alguém se tornar um influencer?

Não existe uma fórmula mágica. Na realidade, acredito que os bons influencers nasceram todos de forma genuína e sem qualquer ambição de o ser. As grandes referências não usaram as redes sociais para ficarem influencers. Na minha opinião, o primeiro passo é criar um perfil social e ser genuíno e autêntico. O resto acontecerá naturalmente.

 

O Marketing de Influência é mais do que fazer posts nas redes sociais e partilhar vídeos? O que engloba, na verdade?

O Marketing de Influência ganha todos os dias mais relevância quando a maior parte da publicidade tradicional começa a ser irrelevante. Não só porque as pessoas desconfiam desse tipo de discurso e estão fartas de ser inundadas com mensagens publicitárias, mas também porque num contexto com demasiada informação e excesso de estímulos é cada vez mais difícil para as marcas terem visibilidade, distinguirem-se e passarem uma mensagem credível. Com um investimento relativamente baixo, as marcas conseguem um retorno incrível. Obviamente que é necessária uma boa estratégia para garantir que o conteúdo seja relevante e autêntico, tanto para a marca como para o influenciador. Para chegar ao seu target, os marketeers de influência contactam influenciadores que fazem a ponte entre a marca e o consumidor.

 

Na sua opinião, por que adquiriu tanta importância ao longo do tempo, tornando-se até numa profissão a tempo inteiro?

É mesmo uma profissão a tempo inteiro. Criar conteúdo, bom conteúdo, não é fácil. No mundo digital atual, o influencer é, antes de mais, um criador, pela sua alta capacidade de criação de conteúdo relevante para o seu público e pela forma como interage com os seus seguidores. O bom influencer trabalha a criatividade juntamente com as marcas, e as boas marcas escolhem os influencers certos para elas. O trabalho de equipa permite construir conteúdos reais, genuínos e autênticos.

 

Como ser um bom influenciador e conseguir destaque num mundo digital em constante transformação e tão cheio de conteúdos?

Além de talento, o grande segredo é, na minha opinião, manter a autenticidade e a genuinidade. Acredito que o sucesso, e principalmente manter o sucesso, só depende disto. As pessoas não estão só fartas de publicidade tradicional, nem estão só fartas dos meios de comunicação de sempre, como os jornais e a televisão (a Netflix é um mundo à parte, obviamente). As pessoas também estão fartas de tudo o que soa a falso ou, para usar um termo muito em voga no mundo das redes sociais, e não só, estão fartas de fake. É por isto que insisto tanto na importância de se ser autêntico e genuíno, quando falo sobre influenciadores.

 

As marcas desempenham também um papel essencial no sucesso de um influencer. Como conquistar uma boa relação com as marcas?

Do ponto de vista do marketeer, a forma mais fácil de conseguir que um influencer fale da sua marca ou produto é pagando-lhe. É uma relação que se estabelece entre a marca e o influencer, em que o influencer defende a marca porque acredita nela ou porque quer ser reconhecido pela qualidade dos seus posts (neste caso, a marca fornece ao influencer informação exclusiva, em primeira mão, algo que ninguém mais tem). Pode parecer um bocadinho romântico, mas existem vários casos de alianças fortíssimas e cheias de sucesso entre marcas e influencers que, pelo menos numa fase inicial, não envolvem pagamento. Sou da opinião que todos os influenciadores devem ser pagos pela criação de conteúdos, mas para que isso aconteça defendo que, em primeiro lugar, é obrigatório que exista uma ligação entre a marca ou produto com o influenciador. Ou seja, ninguém deve “influenciar” sem ter a certeza de que gosta e acredita no produto que está a promover.

 

Qual parece ser a rede social mais benéfica para os influenciadores?

Neste momento, é o Instagram, claramente. No entanto, o YouTube também é uma rede social que lança muito influenciadores, mas a produção de conteúdos é mais complexa.

 

A transparência é igualmente essencial no sucesso dos influenciadores. Como proteger a vida pessoal e mostrar, em simultâneo, a transparência, a honestidade, a autenticidade que os seguidores querem ver?

Este assunto é sempre complicado de gerir, mas um bom criador de conteúdo consegue proteger a vida pessoal. Partilhar mais ou menos da sua vida pessoal é sempre uma opção de cada um.

 

Qual continua a ser o grande obstáculo para uma expansão ainda maior do Marketing de Influência?

No Marketing de Influência, os seguidores e o alcance são métricas importantes, mas não são as únicas. Na realidade, é possível que nem sequer sejam as mais importantes, mas são as mais valorizadas pelas marcas. É óbvio que as marcas olham para o número de seguidores que um influencer tem quando querem determinar o seu raio de influência, mas é preciso ir mais longe. Uma marca deve consultar sempre uma agência de Marketing de Influência para garantir que vai trabalhar com os criadores de conteúdos corretos e, principalmente, que os mesmos conseguem conversão para os objetivos de cada projeto.

Fotografias: Andy Dyo

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