Guia prático: Aprender durante as férias


Boy with treasure map in the forest wearing backpack during navigation activity in summer camp

Um guia para ajudar os pais & filhos de como aprender durante as férias.

O ano letivo terminou e com ele os horários estruturados, as manhãs atribuladas, os fins de tarde mais stressantes e a dinâmica familiar colocada em causa com um dia-a-dia de desafios e de superação. Os dias parecem confusos e o tempo em família insuficiente.

 

Do ponto de vista logístico, as férias parecem ser a solução para restaurar e reorganizar o tempo útil, ou até a fuga que nos reequilibra a qualidade das relações entre pais-filhos e irmãos. A escola é, por excelência, um espaço de aprendizagem a todos os níveis: social, emocional, psicomotor e linguístico. E quando o ano letivo chega ao fim? A brincadeira livre e sem limites, o jogo simbólico que permite à criança ser o que ela quiser, imaginar os cenários que deseja, experienciar o seu corpo e descobrir conceitos por si própria, promovem a consciência do “eu” com vista a uma melhor organização da estrutura cerebral.

 

O corpo experimenta e o cérebro aprende.

O tempo em família é fundamental e enriquece os laços afetivos e necessários ao longo de toda a vida, embora saibamos que, dentro da azáfama do quotidiano, muito tempo não significa tempo de qualidade. Desse modo, torna-se imprescindível sistematizar a importância dos ambientes facilitadores de aprendizagem que podem ser promovidos em tempo de férias pelos pais – em casa com materiais do dia-a-dia, na praia sem materiais específicos ou no campo com o que a natureza nos oferece.

Estimular a criatividade, a memória, a atenção, a flexibilidade de pensamento e linguagem não tem de se cingir a papel e caneta, nem tão-pouco a livros com exercícios pensados e planeados. Aprender é aprender, salvo a redundância, com a experiência, com o corpo e com o máximo de estímulos a que nos propomos. Pôr a mão na massa é a forma mais eficaz de aprendermos a fazer pão, com todos os processos que lhe são inerentes.

 

Crianças felizes

Vivemos um momento em que a tendência para a privação da exploração do corpo, o sedentarismo e a facilidade de entretenimento com o mundo digital podem comprometer o comportamento social e as áreas psicomotoras da criança que, naturalmente, influenciam os domínios afetivos, sociais e até cognitivos. Brincar é a melhor forma de aprender e de desenvolver o sentido de responsabilidade e as competências comunicacionais; de promover o espírito de entreajuda e estimular a autonomia e a independência.  As crianças de hoje podem determinar o desempenho dos vários papéis sociais dos futuros adultos.

E, quando o ano letivo chega ao fim, é tempo de aproveitar a “folga” dos momentos à secretária, das canetas e livros, das mochilas a rebentar pelas costuras e usufruir da liberdade de horário. Subir às árvores, brincar com terra, saltar nas poças e esfolar os joelhos pode soar a perigo, necessidade de cautela, proteção e, em muitos casos, restrição. O que pretendemos reiterar são os benefícios de correr alguns riscos e perigos: a capacidade de lidar com a frustração, autorregulação, o espírito de desenrasque, capacidade de resolução de problemas… No fundo, o processo de aprendizagem requerido sem o investimento de materiais “pedagógicos” que o marketing faz questão de nos dar a conhecer.

Aprender durante as férias

Seja criativo

O desenvolvimento infantil tem que se lhe diga, mas em período de férias tem muito mais a expressar-se! Deixamos algumas sugestões de momentos de diversão em família. Sejam felizes!

 

  • Em casa

Mikado com palitos coloridos

Slime com farinha maizena e água + corante alimentar da cor que desejar

– Jogo da memória com caricas sensoriais (colar em cada par de caricas uma textura diferente – arroz, algodão, massinhas, areia…)

Twister com almofadas (cada almofada tem um número/cor associada com post-its)

 

  • Na praia

– Corrida dos caranguejos – mãos e pés na areia, barriga para cima – andar para trás

– Escrever letras/formas/desenhos na areia

– Escavar túneis e imaginar uma história

– Apanhar conchas e fazer sequências, separar por cores/texturas/tamanhos

 

  • No campo

Bowling com torres de pedrinhas

– Piquenique com espetadas de fruta (segundo sequência a pedido)

– Caça ao tesouro em família

– Acampamento em família

 

Sara Henriques

Técnica Superior de Reabilitação Psicomotora

Filipa Dias

Mestre em Reabilitação Neuropsicológica e Estimulação Cognitiva

Artigo originalmente publicado na revista Zen Energy Julho, nº 150.
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