Inspire, expire – Acalmar a mente


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Sente-se com medo, ansioso e tem tido ataques de pânico? Como estão as suas emoções nesta época de confinamento, distanciamento social e inúmeros cuidados necessários?

Como acalmar a mente?

Em época de instabilidade e incertezas a nível global, é natural que experienciemos medos e desconfortos. É como se a organização de tudo o que está à nossa volta, e que de certa forma possui a tendência de sustentar a nossa saúde emocional, se tornasse incerto. No meio das dúvidas surge, inevitavelmente, o medo do que pode acontecer, e com este desconforto vem o não saber para onde ir ou o que fazer, quase como se congelássemos ao sermos tocados pelo gelo doloroso dos acontecimentos.

O Coronavírus veio sem avisar e teve o poder de nos influenciar a todos, e o desconforto sentido é quase unânime, embora não consigamos mensurar o grau de desconforto que cada um sente. E jamais conseguiríamos, porque as respostas aos acontecimentos e todas as interpretações que fazemos deles depende do nosso estado interno, das nossas emoções e do reflexo das nossas ações perante cada emoção sentida.

Esta unicidade no sentir das emoções é o que vai estabelecer como cada um de nós estará face a um acontecimento menos bom. O que a humanidade hoje vive é algo muito forte e que veio para nos abalar a todos. É quase impossível escapar ileso ao peso dos acontecimentos sem sentir desconforto, sem sentir o seu peso em algum setor da vida.

De repente, a vida alterou-se. Não podemos tocar, cumprimentar, abraçar. Ficamos confinados, não podemos conviver, partilhar momentos, objetos, carinho. Não se sabe o que vai acontecer no futuro, na economia, na nossa vida financeira e profissional. Não se sabe o que vai acontecer no mundo.

Quanto à saúde emocional, quem já tinha muitas emoções por trabalhar, experiências traumáticas vividas ou algum tipo de disfunção psicológica, pode ter determinadas manifestações de sintomas. É o que está a acontecer a muitas das pessoas que já possuíam um nível elevado de ansiedade devido a diversos fatores etiológicos (diferentes origens), que passaram por experiências traumáticas ou que poderiam desenvolver a Síndrome do Pânico.

Sintomas de ataque de pânico

Os ataques de pânico podem ser considerados uma perturbação de ordem psicofisiológica, tendo o stress como fator desencadeador. Em muitos casos, o início acontece de repente, sem que a pessoa tenha consciência do que está a despoletar o ataque, podendo ser devido a uma informação que esteja no subconsciente ou inconsciente.

No momento atual, os medos, a ansiedade gerada pelos atuais acontecimentos ou o risco de morte pela Covid-19 acaba por ser um gatilho consciente para disparar o processo do pânico. É um stress consciente, uma ameaça real que atinge várias esferas, risco de contágio, risco de morte, risco de perder o emprego ou outra ameaça sentida pela pessoa devido aos acontecimentos.

Quando o ataque ocorre, a pessoa tem diversos sintomas que diferem em especifidade, quantidade e intensidade, ou seja, o que alguns sentem não é necessariamente sentido da mesma forma por outros e na mesma intensidade. Os sintomas podem ser batimentos cardíacos acelerados que começam sem explicação, sensação de tontura, dificuldade em respirar, sensação de aperto no peito, tremores que parecem ficar cada vez mais intensos, transpiração, dores abdominais, sensação dos membros (braços e pernas) a formigarem, calafrios. Estes sintomas podem ocorrer em conjunto ou não.

Respirar para acalmar

O corpo está preparado para nos capacitar para atacarmos ou fugirmos em situações de perigo. Equivocadamente, em momento de stress, é como se a pessoa estivesse a ser atacada por algo que representa risco de morte. Neste momento, o corpo começa a reagir: sobem os níveis de epinefrina no sangue, de noradrenalina, de cortisol e de glicose para fornecer energia. Começa também a aumentar o número de plaquetas para conter uma possível hemorragia, ou seja, ocorre uma resposta adaptativa para dar energia e suporte, para que o ataque ou a fuga seja efetivo.

Geralmente, o que acontece no segundo ataque é que o medo de sentir os sintomas e a sensação de morte sentida no primeiro ataque passam a ser o agente desencadeador do processo. Fica-se com medo de estar só, de não obter ajuda ou que aconteça novamente. Para tentar minimizar ou evitar os ataques, o ideal é procurar ajuda profissional para tratar a fonte da ansiedade, o possível trauma, a origem dos sintomas. Outras medidas simples que podem ajudar a conter e a minimizar os ataques é fazer exercícios de respiração consciente.

Atenção, não é respirar rapidamente! É inspirar calma e profundamente até encher os pulmões de ar e expirar lentamente. Experimente contar até cinco ao inspirar e contar novamente até cinco ao expirar. Enquanto realiza o processo de respiração, envie informações contrárias ao cérebro, que contrariem o medo e sinalizem que está tudo bem.

Mesmo que aparentemente sinta que não está a acreditar nas afirmações proferidas, é importante repeti-las para sinalizar que não há perigo. As inspirações e expirações conscientes e compassadas acabam por interromper a libertação de noradrenalina através de um processo fisiológico provocado pelos movimentos dos pulmões e diafragma. Ou seja, vai diminuindo os sintomas.

 

Conselho: tome nota

O momento atual é complexo e alterou a nossa forma de viver, mas é essencial permanecer no aqui e agora, sem expectativas nem medos do que possa acontecer no futuro. Por vezes, muito do que tememos não chega a acontecer. Estar aqui e agora, contrariando os pensamentos que nos levam ao futuro, ajuda-nos a diminuir a ansiedade. Não esqueçamos que quando alimentamos emoções positivas, estamos a aumentar a nossa vibração de energia. Somos o que vibramos. Somos o que pensamos.

 

Reliane de Carvalho
Hipnoterapeuta
Autora dos livros Menina dos olhos da alma e A luz dos meus olhos – Uma viagem interior
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