Lombalgia: conheça os 7 fatores de risco


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Ano Global sobre a Lombalgia: A importância de adotar medidas de prevenção e de um tratamento eficaz

A Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) definiu 2021 como o “Ano Global Sobre a Lombalgia”, cujo objetivo é promover uma comunicação mais eficaz entre médicos e doentes para auxiliar na abordagem da prevenção e tratamento da lombalgia, aumentando a qualidade de vida de quem vive com esta dor.

A lombalgia é um dos problemas de saúde mais comuns entre a população mundial e continua a ser a principal causa de perda de funcionalidade e do número de anos vividos com incapacidade em todo o mundo. Resumindo, a lombalgia é um problema muito comum e com grande impacto na saúde  da pessoa.

O termo lombalgia refere-se à dor persistente na região lombar inferior, podendo apresentar ou não irradiação para os membros inferiores. À lombalgia são comumente associadas outras denominações como: “dor nas costas”, “dor nos rins” ou “dor nas cruzes”.

Esta é uma das condições de dor crónica mais comuns no mundo, estimando-se que a sua prevalência ao longo da vida é superior a 70% nos países industrializados e que, entre 15% e 45% dos casos, os sintomas persistam durante um ano ou mais.

A lombalgia é classificada como aguda quando tem uma duração de quatro a seis semanas e como crónica quando persiste por 12 semanas ou mais. Esta pode variar em intensidade, entre ligeira e severa; em frequência, desde dor constante a uma dor súbita, ou até mesmo em características, podendo ser uma dor tipo “facada” ou como se fosse um “choque elétrico”. A dor pode surgir como resultado de um acidente ou levantamento de algo pesado ou pode desenvolver-se com o tempo, à medida que envelhecemos.

 

Impacto evidente e negativo

Quando temos uma dor como a lombalgia deixamos de desempenhar as atividades do dia-a-dia como desempenhávamos até então. A limitação da nossa capacidade funcional consequente da dor tem um impacto negativo na nossa saúde e bem-estar, que vai além da dor propriamente dita. O doente com lombalgia pode apresentar, entre outros, sentimentos psicológicos negativos, como a tristeza e/ou depressão, perturbação do sono, isolamento social e absentismo laboral.

Todos estes fatores fazem com que a lombalgia impacte seriamente a qualidade de vida destes indivíduos. A dor nas costas é uma das razões mais comuns para as pessoas consultarem um médico ou perderem dias no trabalho. É, por isso, fundamental compreender a importância da prevenção da lombalgia e dos modelos de tratamento disponíveis, para que os doentes possam melhorar a sua saúde e qualidade de vida.

 

Fatores de risco

Apesar de qualquer pessoa poder ter dores nas costas, existem alguns fatores de risco para o desenvolvimento de dor lombar, como:

  1. Genética: algumas causas de dor nas costas podem ter uma componente genética;
  2. Idade: o primeiro episódio de dor lombar ocorre, normalmente, entre os 30 e 50 anos, e a sua frequência torna-se mais comum com o avançar da idade;
  3. Condição física: a dor nas costas é mais comum entre pessoas sem preparação física, tendo em conta que, se os músculos das costas e os abdominais estiverem fracos, podem não oferecer apoio suficiente à coluna vertebral;
  4. Aumento de peso: o peso acima do recomendado, obesidade ou ganho repentino de uma quantidade significativa de massa corporal pode colocar demasiada carga nas costas e causar dor lombar;
  5. Atividade laboral fisicamente exigente: um trabalho que requer levantamento de pesos ou um esforço físico elevado pode causar lesões e dores nas costas, assim como trabalhar sentado à secretária o dia todo pode também contribuir para a dor, especialmente devido a má postura ou uso de cadeiras sem suporte suficiente para as Nas crianças, a sobrecarga de peso nas mochilas escolares pode forçar as costas e causar fadiga muscular;
  6. Saúde mental: fatores psicológicos como ansiedade e depressão podem influenciar a perceção da gravidade e intensidade de dor. Uma dor que se torne crónica também pode contribuir para o desenvolvimento de tais fatores psicológicos;
  7. Tabagismo: o fumo do tabaco pode restringir o fluxo sanguíneo e o oxigénio para os discos vertebrais, fazendo com que se degenerem mais

 

É essencial prevenir!

A prevenção é um aspeto central na abordagem terapêutica desta condição. A estratégia preventiva passa principalmente por limitar os fatores de risco modificáveis. Para prevenir a lombalgia recomenda- se a prática exercício físico regular com o foco no treino de reforço muscular e reforço dos músculos lombares e abdominais, manter um peso saudável para a idade e ter uma alimentação e hábitos saudáveis, evitando o álcool e o tabaco. No trabalho tenha atenção à sua a postura. Faça alguns alongamentos ao longo do dia e utilize sapatos confortáveis.

Se a dor lombar se mantiver é fundamental consultar o seu médico, para que seja sujeite a uma avaliação clínica e proposta uma intervenção terapêutica ajustada e eficaz.

 

Miguel Marques Ferreira

Médico especialista em medicina geral e familiar

Professor universitário

 

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