Meningite e o impacto nos adolescentes


Teenage school friends smiling to camera, close up

24 de Abril: Dia Mundial da Meningite

A adolescência é uma etapa bonita da vida. Fase de descoberta de identidade, de autonomia, de partilha, de crescimento, mas na adolescência muitos também se julgam dotados de superpoderes. E esta invencibilidade torna-se perigosa quando falamos de doenças, tanto de prevenção, como de diagnóstico e, ainda, do seu tratamento.

 

 A meningite é uma doença grave, potencialmente fatal, causada por micróbios que infetam as membranas que protegem o cérebro e a medula (as chamadas meninges).  Na grande maioria dos casos é causada por vírus, mas são as bactérias, nomeadamente o meningococo, também chamada de Neisseria meningiditis, as mais perigosas.

Estima-se 10% de risco de vida e 20% de sequelas a longo prazo (como cegueira, surdez, amputação de membros, epilepsia).

No adolescente, a meningite pode manifestar-se com febre, dores de cabeça, vómitos, dor/ rigidez no pescoço ou aumento de sensibilidade à luz. Em casos de doença mais generalizada (sépsis), podem aparecer manchas violáceas no corpo, mas que surgem mais tarde do que em crianças mais pequenas. Em alguns casos, a meningite pode ter também um quadro de constipação ou diarreia associada, sintomas comuns a outras doenças virais banais, nomeadamente à Covid-19, o que pode levar a uma desvalorização de sintomas. Este facto, aliado ao medo de recorrer a serviços de urgência em tempos de pandemia, pode atrasar o diagnóstico de uma doença que progride rapidamente.

 

Comportamentos que aumentam o risco de doença

Nesta fase da vida, os adolescentes exploram os seus limites adotando comportamentos de risco social que podem comprometer a sua integridade física e mental, bem como a saúde dos outros em seu redor. Falamos de consumos, de sexualidade e naturalmente de maior risco de transmissão de doenças infeciosas.

As bactérias responsáveis pela meningite encontram-se no nariz ou na garganta de pessoas saudáveis ou doentes e transmitem-se através das secreções respiratórias. O namoro, a partilha de objetos (incluindo comida, bebida, cigarros) e a frequência de lugares sobrelotados (como bares, discotecas, festas, residências de estudantes) aumentam o risco de transmissão da doença entre adolescentes e jovens adultos.

 

Importância da vacinação

Devido a estes comportamentos de risco, os adolescentes são o maior grupo portador de meningococo, podendo provocar doença aos próprios ou a outras pessoas, nomeadamente crianças pequenas ou idosas.

Um estudo nos Estados Unidos da América referiu que o número maior de adolescentes portadores da bactéria Neisseria meningitidis ocorre no primeiro ano da faculdade. Os adolescentes são o grupo em que esta doença é mais mortal, sendo o agente mais frequente o meningococo B. Assim, a vacinação contra a doença meningocócica em adolescentes é fundamental para proteção individual, pois é a única forma de prevenir a doença. É também muito importante para conquistar imunidade de grupo, pois dá-se a redução de transmissão de bactérias a outras pessoas, sobretudo as mais vulneráveis.

 

Taxas de cobertura vacinal mais baixas nesta faixa etária, agravada em tempos de pandemia

Os adolescentes com menos episódios agudos de doença e estabilidade de crescimento/desenvolvimento acabam por se afastar dos serviços de saúde e das consultas de vigilância, perdendo-se oportunidade de atuar na prevenção, incluindo na prevenção de doenças infeciosas. Por esse motivo, as taxas de vacinação em adolescentes para a doença invasiva meningocócica estão longe do desejável e a pandemia agravou ainda mais esta situação, deixando-os mais vulneráveis à doença.

A decisão de vacinação e proteção contra a doença meningocócica é uma decisão individual, diz a Sociedade Portuguesa de Pediatria, do adolescente e dos pais, que devem ser devidamente esclarecidos pelo médico sobre os benefícios e riscos das vacinas e sobre o impacto da doença. Assim, mesmo em tempos de pandemia não se deve, se por receio de contágio da Covid-19, adiar as consultas pediátricas de rotina e os atos de vacinação. Saiba que as unidades de saúde têm em curso protocolos e circuitos para segurança dos utentes e profissionais de saúde.

 

Mónica Cró Braz

Pediatra no Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas e na Clínica CUF Alvalade

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