Neoplasia Maligna da Mama – Diagnóstico precoce é essencial


Text CANCER in white frame with symbolic healthy and sick flower buds, symbolizing fight humanity against cancer

A Neoplasia Maligna da Mama, ou Cancro da Mama é nos dias de hoje, em Portugal, o cancro com maior incidência global e por conseguinte também na mulher.  A sua incidência é, segundo a Direcção-Geral de Saúde, de 11%, ou seja, em cada 100 mulheres portuguesas, 11 terão um cancro da mama ao longo da sua vida.

Tem havido um aumento ligeiro do número de casos por ano. Este aumento deverá estar relacionado com um aumento da prática do rastreio por mamografia, pelo aumento da longevidade das mulheres, e não tanto por alterações do seu estilo de vida. Por outro lado, a mortalidade por cancro de mama é baixa. Cerca de 85% das mulheres com cancro de mama estão bem ao fim de cinco anos. A taxa de mortalidade tem diminuído de um modo contínuo e consistente. Para isso, tem contribuído um diagnóstico cada vez mais precoce e a maior eficácia das terapêuticas disponíveis.

O cancro de mama tem uma etiologia plurifactorial. Infelizmente, não são conhecidos fatores que determinem o seu aparecimento e que poderiam levar à instituição de medidas preventivas. Não sendo possível prevenir, temos de nos concentrar em tentar fazer o seu diagnóstico o mais precoce possível. Um diagnóstico precoce leva a que o tumor seja identificado numa fase inicial com repercussões nas opções terapêuticas a propor e no seu prognóstico. Existem, contudo, dois grupos em que a atenção deverá ser redobrada: as mulheres com uma história hereditária de cancro da mama e as que realizam alguns tipos da chamada terapêutica hormonal de substituição.

As mulheres sem queixas mamárias e sem antecedentes familiares de cancro da mama deverão começar a fazer a mamografia e a ecografia mamária aos 40 anos. Inicialmente com uma periodicidade bienal até aos 50 anos e depois anual, até aos 65. Posteriormente, será bienal até ao fim da vida. O aparecimento de algum sinal e sintoma poderá fazer com que esta periodicidade seja alterada.

Autoexame: saiba como fazer

Igualmente importante, porque poderá ser realizado todos os meses, é o autoexame mamário. Este deverá ser realizado, idealmente, na semana seguinte ao período menstrual. Dele consta a observação das mamas ao espelho, procurando a mulher encontrar alguma diferença entre ambas. Alterações como altos, áreas retraídas da mama (por exemplo, o mamilo), corrimento mamilar, sobretudo se for sangue vivo ou escuro, alterações eventualmente descamativas do mamilo e aréola, etc. Estas alterações não são exclusivas de um cancro de mama.

No entanto, é bom estar alerta e recorrer a uma consulta de mama (senologia) para um correto esclarecimento. A segunda parte do autoexame consta da palpação da mama. Esta poderá ser feita estando a mulher em pé ou deitada. Muitas mulheres aproveitam a hora do banho para palparem a mama. Outras preferem fazê-lo deitadas de barriga para cima.

Aqui, a mulher deve esticar o braço, do lado em que vai palpar a mama, para cima ao longo da cabeça. Em ambas as posições, a mama deve ser palpada com a ajuda da mão contralateral, percorrendo toda a mama, inclusivamente a região retro mamilar. Deve exercer-se uma pequena pressão com a mão e fazer um pequeno movimento circular. Qualquer alteração palpada deve ser sempre valorizada e esclarecida em consulta.

Cuidado ao analisar os seus mamilos!

Os mamilos não devem ser espremidos. A existência de corrimento mamilar é observada aquando da palpação ou na roupa, nomeadamente no soutien, que aparece manchado. Ao espremer o mamilo pode obter alguma secreção que é normal. Poderá também traumatizá-lo, obtendo sangue vivo, ficando a dúvida se o mesmo é secundário a uma lesão interna ou simplesmente consequência do traumatismo. Por outro lado, ao abrir os poros do mamilo, permite uma  entrada mais fácil de bactérias e o aparecimento de uma mastite.

Muito embora o autoexame seja menos eficaz que a imagiologia mamária, o autoconhecimento das suas mamas é uma mais-valia adicional. Assim, quanto mais cedo começar a fazê-lo, mais rapidamente conseguirá identificar uma alteração nas mesmas.

 

Luís Mestre
Coordenador da Unidade da Mama do Hospital CUF Infante Santo

 

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