Nutrir a saúde mental dos jovens (com mentoria)!


Com as distintas transformações físicas, emocionais e sociais a influenciarem o comportamento dos jovens, é muito provável que essas mudanças provoquem dilemas que possam vir a exigir uma observação por parte de um especialista, para se reduzir os impactos resultantes das adversidades tão típicas da adolescência.

A mentoria é uma das ferramentas que pode ajudar, em muito, os jovens que enfrentam esses dilemas. Como? Dando-lhes uma melhor perspetiva do seu futuro através de um acompanhamento exclusivo, adequado e inspirador que lhes permitirá tomar as melhores decisões e alargar as suas opções sobre as formas de estar na vida e na carreira.

Jovens não diagnosticados

Num mundo tão rápido e tão digital como o nosso, nunca os jovens se sentiram tão desacompanhados. Prova disso são as conclusões da Global WEB INDEX que revelam que apenas 15% dos jovens, da geração Z, se sentem compreendidos e refletidos no mundo que os rodeia. Olhando para a realidade atual, existem outros estudos que afirmam que o não tratamento da saúde mental tem, no jovem adulto, sequelas na performance pessoal, educacional e profissional, causando o risco de aumento de consumo de álcool, drogas e reações extremas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) já referiu que a maioria dos problemas mentais que afetam os mais novos não são diagnosticados ou tratados. Esta é uma realidade que desafia, sem dúvida, pais e professores a estarem cada vez mais atentos a comportamentos desviantes. Sendo que é importante salientar também que a maioria das doenças mentais perdura até à vida adulta e compromete a estabilidade mental e física daquele que não recebeu auxílio.

Partilho alguns contextos que podem influenciar negativamente a saúde mental de um jovem:

  1. Experiências negativas com familiares;
  2. Pressão social;
  3. Vontade de ter maior autonomia;
  4. Uso excessivo das novas tecnologias;
  5. Vítimas de bullying;
  6. Rejeição;
  7. Lidar com a violência (incluindo pais agressivos).

Perante este cenário, é importante que se aprenda a desenvolver formas de resolver conflitos interpessoais, pois é de extrema relevância para a gestão das emoções, para o fomentar da resiliência e do autocontrolo. Os contextos familiares, escolares e/ou profissionais devem ser um círculo de suporte, e não de ameaça.

Apoio parental

Dentro da personalidade dos jovens, o mais fácil de apoiar e de influenciar é, sem dúvida, a questão comportamental. Todos temos o nosso comportamento natural (advém da nossa personalidade, genes, ADN, etc.) e o nosso comportamento adaptado (por consequência do meio onde estamos inseridos). Acredito que entre os 11 e os 18 anos seja a altura em que os comportamentos adaptados começam a ganhar espaço na personalidade do futuro adulto.

A forma mais fácil de evidenciarmos um comportamento adaptado é quando expomos a mesma situação a um adolescente, mas em contextos diferentes (amigos, família, desconhecidos, etc.). O seu comportamento tende a mudar consoante o grupo que tem à frente. Os pré-adolescentes e adolescentes têm uma grande facilidade de aprendizagem, o que favorece a sua adaptação ao ambiente em que estão inseridos e, por sua vez, percebem que necessitam de adquirir novos comportamentos para sobreviver.

Também aqui entra o papel fulcral dos pais/tutores para garantir que as bases principais para aquisição de novos comportamentos são trabalhadas, como sejam:

 

  1. Ajudar a que o jovem tenha consciência da sua individualidade e que as suas eventuais diferenças são positivas – alimentar a autoestima e a autoconfiança;
  2. Promover ambientes de felicidade produtiva;
  3. Adaptar o discurso de acordo com a sua personalidade (introvertido, extrovertido, sensível, sociável, etc.);
  4. Dar voz ao jovem, sem interromper e sem castrar, para exprimir uma opinião diferente sobre os mais diversos temas (exceção são os atos verbais de insolência ou má educação);
  5. Dar responsabilidades com regras claras e irredutíveis. Desta forma, dão a conhecer a grande diferença entre o que pode ser flexível na vida e o que é imperativo. As regras neste caso devem ser exequíveis (pela parte dos pais/tutores) e realmente implementadas;
  6. Enquadrá-los nas decisões e explicar o porquê e o para quê;
  7. Explicar e ajudar a definir o seu papel e responsabilidades em casa e na sociedade;
  8. Reforçar a importância da empatia e compaixão por si e pelos outros;
  9. Tentar perceber quais são as suas fragilidades e encontrar formas de as minimizar;
  10. Ter autoconsciência que existe sempre a nossa perceção (pais), a perceção deles (jovens) e a perceção real;
  11. Incutir e trabalhar a resiliência, visto ser uma das melhores formas para lidar com as adversidades;
  12. Ajudar na procura do seu propósito;
  13. E por último, e que vale a pena desenvolver, o foco nos pontos fortes e no talento inato do jovem.

 

Tal Ben-Shahar defende que a felicidade e a performance bem-sucedida dependem da forma como trabalhamos os nossos pontos fortes e aquilo em que somos naturalmente bons a fazer. Um trabalho que tem de ficar pronto em apenas 15 minutos terá melhor resultado se for realizado por alguém que já é bom naquela tarefa, em vez de ser feito por alguém que está contrariado ou que tem pouca aptidão para a realizar – o mesmo tempo de execução terá rigorosamente resultados diferentes.

Logo, devemos ter em conta, sempre que possível, os gostos e propósitos dos nossos filhos. Quanto mais felizes estiverem a fazer algo, melhor serão na sua execução e mais hipóteses terão de ter sucesso, ainda que estejamos num campo de atuação concorrido.

Acredito que, no fim do “dia”, o que os pais mais querem é a felicidade dos seus filhos, e, por isso mesmo, não podem esquecer-se que o seu caminho deve ser decidido apenas por eles.

Sofia - Nutrir a saúde mental dos jovens

Sofia Tavares

Mentora na Motto – Consulting, Mentoring, Reshaping Young Careers

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