O estigma do estereótipo – Que “ameaça” é esta?


Multi racial Ethnic Group of Womans with diffrent types of skin standing together and looking on camera. Diverse ethnicity women - Caucasian, African and Asian against pink background

Quantos de nós já experienciaram a dificuldade de ter um rótulo ou estar sujeito a uma estigmatização? Embora pareça que devemos simplesmente parar de prestar atenção aos estereótipos, muitas vezes não é assim tão fácil. Falsas crenças sobre a capacidade, aparência ou personalidade individual facilmente se transformam numa voz questionável na nossa mente.

 

Os cientistas apelidam este fenómeno de Ameaça de Estereótipo, uma autodiscriminação inconsciente que se refere ao medo de fazer algo, baseado em perceções negativas num grupo social. Este fenómeno foi identificado por psicólogos americanos na década de 90.

Ficou demonstrado que micro agressões e preconceitos podem afetar a capacidade intelectual de um indivíduo.

Num estudo realizado com um grupo de pessoas caucasianas e outro grupo de pessoas negras, os participantes negros tiveram um desempenho pior do que os participantes brancos nos testes de capacidade verbal quando foram informados de que o teste era “diagnóstico”, um “teste genuíno das suas habilidades e limitações verbais”. No entanto, quando esta descrição foi excluída, nenhum efeito foi observado. É evidente que esses indivíduos tinham pensamentos negativos sobre as suas capacidades verbais, o que, consequentemente, afetou o seu desempenho.

Vivemos em segurança?

Os efeitos da Ameaça de Estereótipo são muito robustos e afetam todos os grupos estigmatizados. Vou referir os rótulos básicos e de conhecimento geral: ser mulher; pertencer a uma etnia diferente da sociedade onde se insere; ser gay; ser gordo; ter uma aparência física ou estética diferente; ter uma deficiência; etc. Somos todos diferentes e estamos todos sujeitos a sofrer com ameaças à nossa identidade, integridade ou intelectualidade.

A ameaça estereotipada gera um ciclo vicioso: os indivíduos estigmatizados experimentam uma ansiedade que esgota os seus recursos cognitivos e conduz ao mau desempenho, à confirmação do estereótipo negativo e ao reforço do medo. Os neurocientistas conseguiram medir os efeitos desta ameaça e da sua repercussão no cérebro. Quando somos afetados pela ameaça do estereótipo, as regiões do cérebro responsáveis ​​pela autorregulação emocional e pelo feedback social são ativadas, enquanto a atividade nas regiões responsáveis ​​pelo desempenho da tarefa é inibida.

Como lidar com a intolerância?

A intolerância pode, de facto, ser danosa e violenta perante atos discriminatórios à nossa pessoa. Mudar o estereótipo é morosamente frustrante, portanto, não se pode depender deste pressuposto. A estratégia é reabilitar a autoestima, criando foco pessoal nos valores e propósito de vida, isto irá relativizar a autoperceção do que envolve e reforça o medo com base no estereótipo que é predominante. Outros dados a ter em conta: a autoafirmação, a autoconfiança, o autoelogio são imprescindíveis para lidar com a ansiedade gerada ao viver com um estereótipo. Utilizar ferramentas de reprogramação neurolinguística previne e redefine comportamentos gerados neste âmbito. Por fim, é importante encarar esta estratégia como um desafio regular até deixar de o ser.

Agora, seja franco: já sentiu algum tipo de discriminação durante a sua vida? Eu já, e não foi uma vez nem duas. Foram muitas e em alturas diferentes da minha vida. Em todas elas utilizei recursos próprios internos e externos para gerir as minhas emoções e adotar novos comportamentos. Isto porque a resiliência impedia-me de ceder e porque a minha essência investe como uma força de combate perante adversidades. Primeiro, está o amor-próprio. Depois, estão os outros amores. Seja feliz.

 

Sandra Pereira
Life Coach e Formadora de Gestão Emocional
sassacoaching@gmail.com
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