O nódulo e o cancro da tiroide


24 de setembro: Dia da Sensibilização para o cancro da tiroide.

A tiroide é uma glândula situada no pescoço, abaixo da maçã de Adão, com uma forma que se compara a uma borboleta e pesa menos de 20 gr. Esta produz uma hormona que é indispensável à vida, porque tem como função regular a intensidade do funcionamento do nosso corpo.

 

Nos casos em que existem alterações nesta hormona, podemos estar perante o mau funcionamento, de mais ou de menos (alteração da função), ou porque aumenta de tamanho (alteração da forma), a que chamamos bócio. É de referir que a maioria dos bócios ocorre porque a tiróide ganha nódulos embora funcione normalmente.

Os nódulos da tiroide são vulgares e afetam, principalmente, mulheres. Na grande maioria dos casos, não se veem e não dão queixas, a não ser quando crescem.

 

Mas se a tiroide com nódulos funciona bem, porque é que é importante?

O bócio nodular cresce sempre, mais ou menos rapidamente, acabando por dar queixas de compressão no pescoço, e podendo dificultar a deglutição e a respiração.

Por outro lado, os nódulos podem ser malignos. O cancro da tiroide surge como um nódulo com aspeto inofensivo e a sua frequência tem aumentado muito nos últimos anos. É já um dos cancros mais frequentes no sexo feminino. O único tratamento dos nódulos é a cirurgia e é muito mais difícil e arriscado quando são grandes.

Estas razões devem levar-nos a encarar os nódulos da tiroide com seriedade, começando pelo seu tamanho e se este já permite uma biopsia. O nódulo é picado e aspirado com uma agulha fina guiada por uma ecografia.

Esta é uma técnica sem dor e praticamente sem riscos, que permite saber se o nódulo é perigoso. Contudo, nos casos em que os nódulos são muito pequenos podem ser mais difíceis de picar e devemos aguardar até que atinjam o tamanho certo.

 

A biopsia irá dizer que:

  •  É benigno e que, por isso, não apresenta riscos, a não ser pelo tamanho. Devemos vigiar com ecografia para ponderar a cirurgia quando ficar grande, visível ou incomodar. Sabendo que os nódulos aumentam devemos operar atempadamente para não existirem riscos desnecessários.
  • É maligno ou suspeito de ser maligno, pelo que, qualquer que seja o seu tamanho, deve ser enviado para cirurgia. O cancro da tiroide tem cura, mas essa cura é sempre através da cirurgia.
  • O diagnóstico não diz se a lesão é benigna ou maligna. Nestes casos, devemos repetir a biopsia para esclarecer a situação que, a continuar, deve orientar para cirurgia. Não devemos ignorar um nódulo que não sabemos se é maligno.
  • O material não chega para dar um diagnóstico. Neste caso, devemos repetir a biopsia, passados 2 a 3 meses, para que o nódulo recupere da primeira picada. Alguns nódulos não permitem a colheita de material adequado e dão resultados repetidamente impróprios.

 

O cancro da tiroide é importante?

Embora seja um cancro com um bom prognóstico, deixado sem tratamento evolui até causar a morte. Pode ser mais ou menos agressivo, mas espalha-se e invade o pescoço, provocando a morte por impedir a alimentação e a respiração. Deve ser sempre tratado através da cirurgia. Só a retirada de toda a glândula e toda a doença garante a cura e isto deve ser feito na primeira cirurgia. Ter de operar um doente várias vezes aumenta imenso o risco e diminui a probabilidade de cura. O tratamento com iodo radioativo (radioterapia) é uma forma usada, só em certos casos, para completar o tratamento cirúrgico.

 

Como operar?

 A tiroide tem duas partes, uma à direita e outra à esquerda da traqueia, e pode ser tirada toda ou só metade (nunca se tira só os nódulos). Se toda a glândula pode estar doente, não tem sentido deixar metade porque, provavelmente, irá obrigar a uma nova operação mais tarde.

 

Quem deve operar?

A cirurgia da tiroide é feita por todos os cirurgiões gerais, mas não com a mesma frequência. As complicações eram, antigamente, tão graves e frequentes (ficar sem poder falar, sem poder respirar, sem cálcio, entre outros) que alguns cirurgiões se dedicaram mais a esta cirurgia para que, com uma maior prática, houvesse maior segurança.

 

E depois da cirurgia?

A tiroide produz uma hormona que regula o ritmo de funcionamento do corpo e a sua falta tem de ser compensada. Ela existe em comprimidos e deve ser tomada uma única vez por dia, de manhã e em jejum. Existem muitas dosagens, sendo fácil escolher a que será ideal para que as pessoas que ficaram sem tiroide possam ter uma vida normal.

Nenhum doente irá engordar porque retirou a tiroide. Este comprimido terá de ser tomado o resto da vida, devendo ser feitas análises uma ou duas vezes por ano para determinar se deve ser feito algum ajuste na dose. Mesmo os doentes que só retiraram parte da tiroide podem precisar de tomar hormona porque o resto que fica nem sempre chega para as necessidades.

 

 

Pedro Koch

Responsável da Unidade de Cirurgia Endócrina e cervical do hospital Pedro Hispano

Cirurgião Endócrino do Grupo Trofa em Braga

 

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