Confie! Está na hora!


Young woman with face mask getting vaccinated, coronavirus, covid-19 and vaccination concept.

Se lhe disser: “Tem confiança em…”, que palavra lhe viria espontaneamente à cabeça? Essa palavra desvendará, provavelmente, o tipo de preocupação que tem neste momento. As opções são infinitas, mas a nossa maior preocupação nesta altura está certamente ligada à vacina contra a Covid-19.

 

 Mas também podemos, ou não, ter confiança nos nossos entes queridos, amigos e pessoas à nossa volta, como nos políticos, nos médicos, nos banqueiros, nos vendedores, nos pilotos com os quais viajamos a grande altitude, nos construtores das nossas casas ou até nos motoristas que levam as nossas crianças à escola, nos professores que ensinam os nossos filhos.

Mais ainda, podemos ou não confiar no que dizem os jornalistas no Telejornal da noite, na maneira como repararam o nosso carro, na forma como são tratados os assuntos da justiça, nas análises científicas sobre o aquecimento global, na água que bebemos, na comida que compramos, nos medicamentos que nos receitaram, etc., etc.

 

A questão da confiança envolve toda a nossa sociedade e cada um de nós a todos os níveis, em qualquer momento da nossa existência. É impressionante a dimensão que um elemento que parece tão simples pode ter, mas que, por outro lado, pode revelar-se tão complexo e com incidência major em tudo o que nos diz respeito.

Já imaginou as graves consequências de uma crise geral de confiança nos valores que tomamos por garantidos? Eu tentei e fiquei espantada, pois a nossa sociedade voltaria à Era das Trevas pelo caos que criava e que envolvia não 1%, nem 10%, mas 100% da população mundial, com resultados devastadores a nível social, moral, cultural, ético, económico, etc.

Neste sentido, há uma grande polémica no que diz respeito à vacinação contra a Covid-19 em alguns países. Os negacionistas e os que gostam de acreditar nas teorias da conspiração têm medo ou acham que a vacinação representa um modo de nos inserirem um chip para nos controlarem melhor. Como se ainda fosse necessário…

 

É verdade que tudo o que desconhecemos pode ser assustador. Concordo, não sabemos o que há na vacina. Nem compreendemos bem como é que foi desenvolvida tão rapidamente, quando outras levaram décadas. Não sabemos como é que o nosso corpo lhe vai reagir.

Mas sabe o que continham as vacinas que levou enquanto criança e que o protegeram de doenças graves e até mortais durante décadas? Alguma vez soube o que contêm os medicamentos que ingere para a sua dor de cabeça? Contra a febre? Os tratamentos contra o cancro ou o HIV?

Alguma vez pensou nos químicos que podem estar contidos na tinta com a qual são feitas as suas tatuagens? Ou ainda na sua roupa preferida e mesmo na cor do seu cabelo e unhas?

E já agora, nos seus produtos de beleza e de higiene? Conhece o efeito, a longo prazo, do seu telemóvel? E o conteúdo da comida que ingere todos os dias? Ou da água da torneira ou engarrafada em garrafas de plástico?

 

Não sabemos se o piloto que nos leva ao nosso destino de sonho teve depressão e se está em condições para pilotar o avião. Mas confiamos na mesma…

Não sabemos o que as plataformas digitais fazem com todos os dados recolhidos “graças” à nossa ingenuidade, mas continuamos ativos nas plataformas, nas redes sociais.

Todas as nossas interações, compras, pesquisas, localizações e gostos são permanentemente recolhidos por uma indústria de milhares de milhões de dólares e euros. No século XXI, os nossos dados valem mais do que ouro. É o ativo mais valioso na Terra. É a razão pela qual Google, Facebook, Amazon, Apple são as empresas mais poderosas do planeta.

Esta tecnologia avassaladora, invasiva, trabalha de uma forma muito subtil, manipulando a nossa mente e emoções, agindo sobre dois aspetos fundamentais da ação humana: a esperança e o medo.

Isto não o incomoda? Não se revolta contra isto?                                                               

 

No entanto, recusa uma vacina que é a única forma de sairmos desta crise sanitária para podermos todos continuar a nossa vida. Já houve 5 mil milhões de vacinações no mundo inteiro e ninguém morreu.  Morreram, sim, 5 milhões de pessoas de Covid por não terem sido vacinadas a tempo.

Se é bem verdade que ultimamente cada um de nós perdeu grande parte da confiança que tinha nos valores da democracia e da justiça, não é menos verdade que precisamos de confiar na estrutura da nossa sociedade e na solidez dos seus valores, se quisermos viver uma vida equilibrada.

 

Temos de evitar transformar o nosso planeta num lugar inóspito, sem qualidade de vida, onde triunfaria a manipulação, as teorias da conspiração, as notícias falsas e a desinformação, a paranoia com medo de tudo e de todos, e sobretudo do nosso sistema de valores que tem na base a educação, a ciência, o conhecimento, a tecnologia, o progresso.

Se entrar num avião, fruto de uma sociedade científica, tenho de confiar no piloto e no construtor do avião. Se deixar os meus filhos na escola, tenho de confiar no sistema da educação, nos professores. Se for ao médico, tenho de me fiar nos conhecimentos e na experiência dele. Se levar uma vacina, fruto de testes clínicos científicos bem comprovados, tenho de acreditar no seu desempenho.

 

Todos os anos são evitadas, no mundo, 2 milhões de mortes graças a várias vacinas. Afinal, as vacinas são instrumentos eficazes de proteção individual e coletivo. Se não queremos vacinar-nos por nós e pelas nossas famílias, temos o dever de o fazer pela nossa sociedade, num ato altruísta, cívico, de amor. A imunização protege o indivíduo e toda a nossa sociedade, as nossas mães, os nossos filhos.

Um dos maiores progressos na saúde durante o século XX foi a eliminação quase total de doenças infeciosas graves, letais, graças às vacinas.

Enquanto crianças fomos vacinados para difteria, tétano, tosse convulsiva, hepatite B, meningite, pólio, sarampo, rubéola, etc. Os nossos pais confiaram na ciência por detrás destas vacinas e nunca tivemos estas doenças, nem as transmitimos aos outros. A nossa sociedade tornou-se mais saudável, mais livre.

 

Muitos ainda duvidam, mas eu fiquei muito agradecida quando a ciência conseguiu vacinas eficazes contra a Covid. Por isso, nunca me passou pela cabeça boicotar estas vacinas e não me vacinar, apesar de ter alguns receios, como qualquer um. Mas vacinei-me para:

  • Não morrer de Covid.
  • Não ficar com sequelas do Covid.
  • Não permitir mais mutações que poderão ser ainda mais perigosas do que a variante Delta.
  • Não ocupar uma cama no hospital que poderá ser mais útil a um doente necessitado.
  • Poder abraçar os meus entes queridos sem receios.
  • Ser livre para viajar e entrar nos restaurantes, bares, teatro e cinema, ou nos festivais de música sem medo de ficar infetada ou de passar o vírus a alguém que poderá morrer.
  • Fazer o meu dever cívico e responsabilizar-me pela saúde da nossa sociedade e para a conservação e evolução da humanidade.

 

É verdade, não sabemos 90% de tudo o que nos envolve, e nunca saberemos, mas isto não pode impedir-nos de confiar e viver.

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