Perspetiva: 3 formas de aprender a relativizar


Woman is sitting on the roof of old house

Tudo na vida é uma questão de perspetiva. A lente que escolhemos utilizar para analisar cada situação determinará a interpretação que dela faremos. Digo escolhemos, pois é disso que se trata, de uma questão de escolha. Às vezes consciente, às vezes automática. Hoje convido-o a colocar tudo em perspetiva. Talvez saia surpreendido…

Somos bombardeados com inúmeros estímulos diários. Situações, pessoas e acontecimentos que pedem a nossa atenção, despertando pensamentos e sentimentos, alguns dos quais ficam a ruminar na nossa mente por longas horas, por vezes dias. Perante este ruído ensurdecedor, é natural que percamos o norte. Nessas situações, o mais fácil é entrarmos na espiral negativa da crítica, do julgamento ou da vitimização. É o mais fácil, mas talvez não seja a prática mais produtiva.

E se lhe dissesse que é sempre possível olhar para a vida de forma diferente? E se lhe dissesse que o leitor é o único responsável pelas reações que tem a cada instante? Quando nos colocamos no centro do processo de decisão e assumimos total responsabilidade por tudo aquilo que nos acontece, aprendemos a valorizar-nos e a reduzir o impacto que eventos menos positivos possam ter no nosso equilíbrio e bem-estar.

Repare, sempre que reage de forma menos positiva a algo, não só não se sente bem, como está a inflamar essa situação. Está a dar-lhe cada vez mais importância e a escalar a gravidade dos factos. Então, e se trocássemos a lente da câmara (a sua mente)? E se escolhermos olhar para esse evento com o grau de importância que lhe é devido, relativizando-o e percebendo que, por vezes, damos demasiada atenção a aspetos que não são assim tão impactantes? E se escolhermos ver o outro lado da moeda, procurando um significado positivo ou ensinamento que possamos utilizar e capitalizar para o nosso fortalecimento enquanto seres humanos?

 

Não perca o controlo!

Tenho notado que as pessoas andam particularmente reativas. Parece que fervemos em pouca água e tudo tem o potencial de nos tirar de nós. A questão é que não são as situações exteriores que nos provocam isso; somos precisamente nós que lhes damos esse poder, permitindo que as reações que protagonizamos sejam igualmente corrosivas e irrefletidas.

Meu amigo, estamos em julho! É tempo de sol, praia, banhos e descanso. A altura perfeita para nos limparmos e fazermos um reset ao corpo, mente e espírito. É tempo de recarregarmos baterias e fortalecermo-nos para as surpresas e desafios que temos pela frente. Peço-lhe por favor que preste especial atenção à forma como olha para cada acontecimento da sua vida, monitorizando os seus pensamentos, emoções e reações. Esteja consciente de cada impulso que surge no seu corpo e mente.

Sempre que a tendência for para reagir com críticas, culpas, julgamentos, vitimizações ou lamúrias, pare de imediato! Pare e lembre-se que é possível olhar para a vida através de outro prisma: o da gratidão, do amor, da paixão e da compreensão.

Há sempre algo bom em cada situação aparentemente menos positiva. Há sempre uma lição a aprender ou aspetos pelos quais podemos sentir-nos gratos.

 

Pensar e oferecer sorrisos

Gostava agora que prestássemos particular atenção à sua relação com as outras pessoas. Sei que algumas representam um verdadeiro desafio, pois despertam em si emoções que não queria sentir e das quais não se orgulha. Sejamos sinceros, todos nós o experienciamos! Porém, o que fazemos com isso é que dita o nosso caráter e grau de consciência.

Deixe-me fazer-lhe uma pergunta: procede sempre de forma irrepreensível para com os seus semelhantes? Não é possível, em momento algum, apontar-lhe pontos de melhoria? E quando tem uma atitude menos correta, gosta que lhe respondam na mesma moeda ou sente-se melhor com uma atitude de carinho, compaixão e compreensão?

Todos temos as nossas preocupações. Todos experienciamos stress, tensão e ansiedade em determinados momentos. Não tenha receio de admitir isso. Quando reconhecemos e aceitamos determinada característica/acontecimento tiramos-lhe poder. Ora, se o leitor passa por essas situações, porque é que os outros não podem passar também? E se gosta que tenham misericórdia para consigo nessas situações, por que não dar o exemplo e adotar essa postura sempre que a situação assim o convide?

 

Uma vez mais, olhe para a vida de outra perspetiva. Reconheça os momentos que lhe despertam um estado emocional mais baixo, não só para se treinar enquanto ser humano, como para melhorar o dia dos seus semelhantes.

 

Mostre-lhes, através do seu exemplo, que compreende aquilo pelo qual estão a passar e que é sempre possível encarar cada situação de forma positiva. Ofereça-lhes um sorriso, ouça-os ou simplesmente não reaja com impulsividade. Reflita por breves momentos antes de agir. Quando agir lembre-se que a sua intenção é melhorar o dia da pessoa que está à sua frente, aliviando o seu já pesado fardo.

Quero quebrar com a tendência que temos para o ataque, para a atribuição de culpas, para o queixume, saudosismo e lamúrias. Quero despertar o que de melhor há em cada um de nós, demonstrando-lhes que o que vier a seguir pode ser simplesmente maravilhoso, se deixarmos que assim seja e criarmos espaço na nossa vida para sermos surpreendidos. Quero demonstrar que é possível semear paz e esperança em cada sítio, arrancando de vez as ervas daninhas do ódio e da incompreensão.

Já sabe, coloque tudo em perspetiva. Respire fundo a cada momento e pergunte-se a si mesmo: como é que gostaria que reagissem comigo? Depois, protagonize as ações das quais se honrará. Profira as palavras que o encherão de orgulho no final do dia. Faça o que gostaria que fizessem consigo ou com a pessoa que mais ama neste mundo.

 

Fique a sós consigo mesmo e ouça-se

Acredito que esta postura só é possível quando cuidamos de nós mesmos, nutrindo-nos e permitindo-nos abrandar. Só podemos iluminar os outros se descobrirmos o nosso brilho interior, e isso requer força de vontade, paz e investimento em nós mesmos. Conheça-se melhor, conheça os seus padrões, conheça as suas paixões, medos e desejos. Descubra quem é quando ninguém está a ver. Passe tempo consigo. Só consigo. Ouça o silêncio. Ele tem tanto para lhe dizer…

Em julho colocaremos a vida em perspetiva e aprenderemos a relativizar cada situação. Este pode ser o derradeiro passo, aquele que lhe dará acesso à paz interior que tanto procura.

Obrigado por acreditar. Obrigado por não desistir. Obrigado por fazer deste, um mundo melhor.

 

Tiago Gonçalves | Instagram

Mestre em Ciências Farmacêuticas e Trainer de Soft-Skills

tiago.m.goncalves15@gmail.com

Artigo originalmente publicado na revista Zen Energy Julho, nº150.

Mais artigos deste autor no nosso site.

 

Anterior Viver na era das redes sociais - 5 dicas para a utilização saudável
Seguinte Paz interior - Transformar emoções