Poluição ambiental – o grande carrasco invisível


Em Não há planeta B, Carmen Lima diz-nos que mais de sete milhões de pessoas morrem todos os anos, prematuramente, devido à poluição do ar, e 90% da população mundial respira ar poluído.

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Em Portugal, os números também são expressivos: 138 mortes por cada 100 mil habitantes. Entre os países europeus, Portugal está no meio da tabela. É na Bulgária que o número de mortes é maior (210 por cada 100 mil habitantes). Na Islândia, o impacto da poluição do ar é menor, nomeadamente 43 mortes em cada 100 mil habitantes. Por outro lado, os efeitos fazem sentir-se igualmente em doenças crónicas. Segundo um estudo da Washington University School of Medicine, de St. Louis, nos Estados Unidos da América, um em cada sete novos casos de diabetes é causado pela poluição do ar.

Assassino silencioso?

 A poluição do ar já é classificada por muitos como o assassino silencioso, invisível e prolífico. Salienta-se a necessidade de abordar a mudança climática e de cumprir obrigações de direitos humanos, nomeadamente de controlar o aumento da temperatura. Os números da poluição do ar e da mortalidade são tão elevados que os investigadores estimam que cause mais mortes adicionais por ano do que o tabaco.

A consequência das emissões poluentes, principalmente de contaminantes como o carbono, associados à queima de combustíveis fósseis, é diversa e global. O dióxido de carbono (CO2) atmosférico absorve e emite a radiação infravermelha, o que provoca um aumento da temperatura do ar, dos solos e das águas superficiais dos oceanos.

Quando este aumento é excessivo, ou seja, quando o ritmo entre estas variações climáticas sofre uma forte aceleração, como se tem verificado ultimamente, as proporções podem ser ainda mais caóticas, se não forem adotadas medidas para contrariar esta aceleração.

Consequências graves

Segundo as estimativas da Agência Europeia do Ambiente, no ano 2000 as alterações climáticas causaram 150 mil vítimas mortais em todo o mundo e um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que, até 2040, estas mortes aumentem para 250 mil por ano.

Para além de fenómenos meteorológicos extremos, as ondas de calor e as inundações já se afiguram entre os principais impactos das alterações climáticas na saúde pública. Segundo a Agência Europeia do Ambiente, estima-se que em 2050 as ondas de calor possam vir a causar 120 mil mortes adicionais por ano na Europa.

As temperaturas elevadas são por vezes associadas a episódios de poluição por ozono, o que pode resultar em problemas respiratórios e cardiovasculares, sobretudo em crianças e idosos, e levar a mortes prematuras.

Nas zonas menos desenvolvidas, alguns efeitos indiretos para a saúde poderão atingir proporções igualmente graves, causados pela deterioração ou pela contaminação do ambiente. Por exemplo, as águas das cheias podem transportar substâncias químicas e poluentes provenientes de instalações industriais, ou das águas residuais e esgotos, contaminando fontes e captações de água potável, bem como os terrenos agrícolas.

Efeitos da poluição na saúde a curto prazo (nos dias de alta concentração de poluentes):

  • Irritação nas mucosas do nariz e dos olhos;
  • Irritação na garganta;
  • Problemas respiratórios;

Efeitos da poluição na saúde a médio e longo prazo (15 a 30 anos, vivendo em locais com muita poluição):

  • Desenvolvimento de problemas pulmonares e cardiovasculares;
  • Desenvolvimento de doenças do coração;
  • Diminuição da qualidade de vida;
  • Diminuição da esperança de vida;
  • Diabetes;
  • Cancro do pulmão.

Esta poluição poderá ainda afetar as gestantes e provocar um peso inferior nos bebés.

Inverter o ciclo

 Para nos adaptarmos às alterações climáticas, é necessário a adoção de medidas menos rigorosas e relativamente baratas, como a conservação dos recursos hídricos, a utilização de espécies mais resistentes à seca, maior ordenamento do território, novas formas de mobilidade e de energia, bem como ações de sensibilização.

Por outro lado, poderá ser necessária a implementação de medidas de proteção e de relocalização mais dispendiosas, como aumentar a altura dos diques para responder à subida do nível de água dos mares e dos oceanos, relocalizar portos, indústrias e pessoas para longe de zonas costeiras baixas e de planícies aluviais.

Contributos para reduzir os maiores problemas ambientais do século XXI:

  • Evite abandonar lixo, principalmente desperdícios de plástico, em florestas e praias, colocando-os no lixo ou no respetivo ecoponto depois da utilização;
  • Evite o uso de produtos descartáveis, substituindo-os por produtos reciclados, recicláveis ou reutilizáveis;
  • Não utilize o sanitário da casa de banho como forma de descartar lixo, como cotonetes, agulhas, discos desmaquilhantes, entre outros, colocando-os no lixo comum;
  • Promova meios de deslocação mais limpos, optando pelo transporte coletivo e reduzindo o uso de carro próprio;
  • Equacione a aquisição de uma viatura com emissões zero ou emissões muito reduzidas, quando tiver de mudar de carro;
  • Promova a plantação de espécies autóctones, como carvalhos ou sobreiros, que são mais resilientes às alterações climáticas, logo mais adaptáveis às variações do clima, às secas e aos incêndios;
  • Evite adquirir produtos alimentares provenientes do outro lado do mundo e principalmente provenientes de culturas intensivas, que geralmente são plantadas em terrenos “oubados” à floresta tropical. Um exemplo disso são alimentos com óleo de palma;
  • Limpe as matas envolventes à sua habitação para evitar o risco de propagação de incêndio em dias muito quentes;
  • Adote um uso eficiente da energia e da água;
  • Denuncie situações de poluição industrial;
  • Participe ativamente para que algumas destas e de outras medidas sejam adotadas pelos seus amigos e familiares.

 

Lima, Carmen (2020) Não há planeta B. Chá das Cinco

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