Saúde Mental: 5 dicas para a proteger


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Em março de 2020, o mundo mudou e a nossa vida nunca mais foi a mesma. As rotinas, o trabalho, a escola e as relações interpessoais sofreram alterações profundas com consequências devastadoras para a saúde mental.

As crianças e os jovens ficaram privados do convívio com os pares, da partilha de brincadeiras, dos intervalos das aulas para correrem, jogarem um jogo ou simplesmente conversarem. A telescola veio implementar uma mudança na relação que a criança tem com o ensino e com o seu processo de aprendizagem. Embora estas medidas sejam necessárias, não podemos deixar de debater as consequências para a saúde mental dos portugueses.

Tenho afirmado que até mesmo aqueles que estão a fazer tratamento psicológico veem os seus processos clínicos avançarem mais lentamente, devido à situação em que nos encontramos. Agora, vamos imaginar como estarão as pessoas que não beneficiam de tratamento psicoterapêutico e que já padeciam de alguma doença do foro psicológico antes da pandemia. Como estarão aqueles que, devido ao impacto económico, perderam os seus empregos e têm de reformular as suas vidas?

 

A evolução tecnológica veio permitir-nos continuar a aprender e trabalhar, mas não substitui o calor humano, a troca de afeto e a partilha de ideias e de sentimentos.

 

Procure ajuda, cuide de si

A diminuição drástica da qualidade de vida e da sensação de bem-estar, e os problemas socioeconómicos vieram potenciar o desenvolvimento de patologias do foro psicológico onde se destacam a Depressão Clínica, a Perturbação de Ansiedade ou níveis elevados de stress que poderão evoluir para Ataques de Pânico. Além do mais, existem outras patologias secundárias, tais como a dor crónica, as doenças cardiovasculares e as doenças autoimunes. A psicoimunologia explica que o sistema de humor está diretamente ligado ao sistema imunitário, e que pessoas com altos níveis de stress, com depressão ou ansiedade poderão sofrer um processo neurológico chamado psicossomatização, que afeta os vários sistemas do corpo humano (sistema digestivo, cardiovascular, músculo-esquelético, entre outros). Se sentir que está nesta situação, saiba que recorrer a um psicólogo especialista em Psicoterapia pode fazer toda a diferença.

 

  • A pensar nesta realidade devastadora, partilho dicas para lidar melhor com o isolamento e ter menos consequências na sua saúde mental:

 

 1. Valorizar as coisas simples da vida

Quantas vezes fomos tomar um café de forma automática? No fim, vamos a correr para o trabalho e nem nos apercebemos do prazer em sentir o sabor do café, nem pela conversa que tivemos com o colega de trabalho. Nada fica retido na memória, pois as coisas simples são feitas de forma automática e com pressa. Ter consciência de que estamos nas situações é extremamente importante para sentirmos felicidade. É por isso que os autores afirmam que a felicidade advém de coisas simples, como contemplar a natureza, ler um livro, ouvir música clássica, beber chá, brincar com uma criança ou animal de estimação. Se está a ler este artigo, certamente que na próxima vez que fizer algo parecido vai parar o seu pensamento no “aqui e agora” e sentir cada segundo.

 

2. Não entrar em negação

Esta pandemia tem criado na sociedade uma certa “habituação” às circunstâncias e ao vírus. Quando existe um acontecimento traumático e ele se prolonga no tempo, o cérebro humano tende a entrar numa rotina que, neste caso de pandemia, tem potenciado um mecanismo de defesa cerebral que se designa “negação”. Quantas vezes não ouvimos as seguintes expressões: “Já conhecemos o vírus”, “Se não me aconteceu nada até agora, já não irá acontecer”, “Ficar infetado só é perigoso nas pessoas idosas”, “Merecemos festejar, dado que estamos há muito tempo confinados”, “A pandemia é uma invenção”. Estas afirmações traduzem uma negação da realidade tal como ela é. Negar a realidade pode trazer-nos problemas graves. Afinal, é esta negação que leva as pessoas a terem comportamentos de risco, o que poderá ter levado ao aumento exponencial de casos nos últimos meses.

 

3. Manter os contactos com familiares, colegas e amigos

Manter o contacto com as pessoas é de extrema importância, pois o afeto ajuda a curar os conflitos emocionais. Partilhar o que sentimos com quem gostamos faz-nos sentir que pertencemos a algo e isso dá-nos força para superar as adversidades. Neste momento, é evidente que o contacto direto pode e deve ser unicamente feito com o agregado familiar, sem prejuízo de recorrermos às plataformas digitais, de forma a manter o contacto com todos os outros. Gostaria que refletisse acerca das pessoas que partilham casa consigo. Seja qual for o seu agregado familiar, consegue saber quando foi a última vez que disse a essas pessoas o que sente? Quantas vezes lhes disse que são importantes para si e para se ajudarem a superar este momento? Quanto tempo dedicou a conversar após o jantar? Ficam a conversar sobre o vosso dia-a-dia ou algo que têm em comum? Quantas vezes se sentou a brincar com os seus filhos ou com o seu animal de estimação?

 

4. Aproveitar para fazer algo que antes não tinha tempo de fazer

Nas últimas décadas, as pessoas queixam-se cada vez mais da falta de tempo. Já pensou que se está em teletrabalho e os seus filhos em telescola, agora já não gasta horas em transportes ou no trânsito? Por que não utiliza este privilégio para fazer coisas que antes não tinha tempo para fazer? Uma aula de Yoga, ler aquele livro que está na prateleira, cozinhar, ouvir música, pintar, entre outras atividades.

 

5. Transformar esta fase complicada em oportunidade

A nossa capacidade de “renascer das cinzas” irá traçar a oportunidade de sermos felizes, mesmo tendo a consciência de que a vida não é fácil. Por vezes, são os traumas que nos levam a ter coragem de arriscar e encarar a situação como uma oportunidade para criar algo novo, fazer um tratamento psicológico, descansar e permitir-se arriscar em novos negócios ou projetos. Vamos tentar transformar esta pandemia numa oportunidade para renascer!

Cristina G. Camões - Saúde Mental

Cristina G. Camões

Psicóloga Clínica, Neuropsicóloga, Psicoterapeuta

Autora do livro Psicoterapia – Um caminho para a felicidade

Instagram: @cristina.camoes.psicologa

918 892 708

A versão original deste artigo foi publicada na revista Reiki & Yoga Trimestral nº28.
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