Sociedade pandémica – Altruísta ou egoísta?


Illustration of diverse crowd of people wearing medical masks for prevention of virus transmission. New corona virus COVID-19 concept. Vector seamless pattern.

Será que vivemos numa sociedade capaz de ser altruísta, mesmo mediante situações cataclísmicas como a que tentamos superar atualmente?

O altruísmo é um efeito da empatia. Esta é a regra de ouro de quem possui inteligência emocional, de quem vive a emoção do outro ou, pelo menos, tenta compreendê-la. Não é uma temática que se ensine na escola, mas saber ser sensível e ter consciência do sofrimento alheio provém da natureza e da experiência de vida de cada um. Os valores morais que nos foram incutidos ou que se desenvolveram ao longo da nossa vida não são influenciados por terceiros. Portanto, ou somos capazes de ficar sensibilizados emocionalmente com os problemas e dores dos outros, ou não aprenderemos a fazê-lo nesta sociedade.

Que sociedade atual será esta?

Estamos no seio de uma pandemia que já dura há alguns meses e, ao que creio, veio para ficar mais um tempo, quiçá uns anos. Como éramos antes da pandemia? Como somos hoje? Antes da pandemia, vivíamos em modo automático, sem parar para pensar nos porquês das nossas ações. Era assim porque tinha de ser. Não olhávamos a meios e estávamos com o GPS sempre ativo e focado, não deixando a mente pensar por si mesma. Esta atitude faz com que sejamos mais egoístas, até para nós próprios. E agora? Agora fomos forçados a parar e a repensar na essência do que é estar vivo: quem somos, o que valemos, o que podemos mudar? Começa tudo ao nível do pensamento e da emoção.

Parámos. Olhámos e escutámos o que está a acontecer à nossa volta. Já não importa o dia depois de amanhã, queremos é chegar ao final do dia de hoje. Isto acontece numa fase inicial. Quando são ultrapassados alguns desafios primários, de que é exemplo a autossobrevivência, elaboram-se outros planos. Mas seremos capazes de olhar para os mais desfavorecidos? Não deveria ser uma lei humana superior: proteger quem não tem potencialidades e recursos para o fazer a solo?

Seja único e útil

O egoísmo é o contraponto do altruísmo: não é possível ser altruísta sem existir empatia. Resta saber se a pandemia estará a despertar um altruísmo que já “habitava” ali e foi aflorado por este evento ou, na realidade, ninguém foi capaz de o visualizar. O importante é que ambos podem ser desenvolvidos e transformar-se em inspiração e motivação, na presença ou ausência de uma pandemia, para que mais pessoas ocupem o espaço além das suas vidas.

Nunca é tarde para assumir um papel preponderante numa sociedade onde não impera bom senso, entre ajuda e empatia geral. Se quisermos ser diferentes, há muitos papéis sociais que podemos desempenhar com brio, privilegiando a diferença: sermos únicos e úteis a uma sociedade repleta de defeitos e doenças provisórias.

Ainda podemos mudar o rumo da história?

Creio que sim, basta permitir que comece a acontecer. Não viemos ao mundo para sofrer. Pense que todos queremos o mesmo: a felicidade, algo inerente à condição humana. Mas felicidade não é ausência de sofrimento. É, sim, um equilíbrio, sabendo estar e viver em harmonia; sentir plenitude e paz, apesar do sofrimento.

Soluções para sermos mais altruístas?

  1. Fazer voluntariado. Tendo em conta a recomendação para não sair de casa, o voluntariado online ganha força e é uma ótima maneira de ajudar quem precisa sem ter de se deslocar até uma organização social.
  2. Adotar um amigo de quatro patas. Esta é uma sugestão benéfica essencialmente para pessoas que estejam sozinhas, doentes ou idosos. Este evento trouxe mais solidão. Existem mais pessoas sozinhas do que se pensa. Conectar através das redes sociais e adotar um amigo novo é uma excelente forma de ser útil.
  3. Partilhar algo inerente aos nossos conhecimentos. Se alguém dá aulas ou se domina alguma atividade, pode iniciar tutoriais online dando hipótese a outros para aprenderem consigo: línguas, exercício físico, apoio emocional, cozinhar de forma sustentável, etc.
  4. Doar bens. Nesta fase, estamos todos carentes e não abonamos muito financeiramente. Por essa razão, há quem necessite mais de alimentos, bens, dinheiro, etc. Não custa ver que pertences temos em casa e doar o que não nos faz falta. Será um dois em um: organizamos o nosso espaço e reciclamos o que já não nos faz falta.
  5. A última dica é a sua: receitar o bem é fazer o bem. Seja feliz.

 

Sandra Pereira
Life Coach e Formadora de Gestão Emocional
sassacoaching@gmail.com
937 891 927

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