Stress e esgotamentos: 3 fontes que interferem com o bem-estar


Multitask woman. Mother, businesswoman with children, working, coocking and calling.

 

Em Kindfulness (Nascente), Padraig O’ Morain partilha a sua abordagem em relação ao stress e aos esgotamentos. Refere-se ao stress que podemos reduzir significativamente através da prática da autocompaixão de consciência plena, o designado kindfulness.

 

1-Perfecionismo

Um perfecionista é impelido a fazer tudo bem, mesmo num mundo em que esse feito é quase impossível. Quer criar um filho perfeito? Lamentamos, mas o seu filho tem personalidade própria, incluindo a tendência para procurar a autonomia, além de inúmeras outras influências, como o outro progenitor, amigos, professores e a Internet. Assim, não admira que, como salientou a Dra. Kristin Neff, os dados de investigação demonstrem que os perfecionistas corram maiores riscos de sofrer de problemas psicológicos, incluindo depressão, ansiedade e distúrbios alimentares. Uma abordagem baseada na autocompaixão em vez da perfeição anularia a exigência perfecionista, ao invés de o impelir a lutar interminavelmente para alcançar o impossível.

 

2-Apegos inúteis

Os apegos são ideias a que se aferra independentemente das consequências. Essas ideias podem também ser uma fonte de stress e esgotamentos. Por exemplo, suponha que está apegado a uma imagem de si mesmo como uma pessoa capaz de aguentar qualquer contrariedade que possa surgir na vida. Se se agarrar demasiado a essa imagem, é provável que permaneça em situações (assédio profissional interminável, exigências pouco razoáveis, etc.) onde o mais sensato seria ir-se embora – e a autocompaixão pode ajudá-lo a perceber isso. Ou seja, precisa de estar disposto a abandonar um apego se lhe for prejudicial.

No entanto, quando está sob tensão, isto é muito difícil de ver. O stress reduz-nos o âmbito de visão, limitando-nos as escolhas.

 

 

3-Funcionar em piloto automático

A consciência plena pode ajudá-lo a ver com maior clareza, não só em situações específicas, mas em geral. Isso pode ser particularmente útil quando está a funcionar em piloto automático. Imaginemos que trabalha muito durante toda a semana e aos sábados ainda se stressa mais para levar os filhos ao ballet, às aulas de representação, à natação, à música e ao futebol, além de ter de os pressionar para fazerem os trabalhos de casa. Se fizer tudo isso em piloto automático, à medida que novas atividades e exigências vão sendo acrescentadas ao rol, poderá acabar esgotado.

 

A autocompaixão e a consciência plena podem constituir um enorme apoio, enquanto lida com os múltiplos desafios.

Pausa para questionar!

Se praticar a consciência plena, irá fazer uma pausa o tempo suficiente para perceber o que se está a passar e questionar, calmamente, se aquele nível de atividade depois de uma semana de stress no trabalho é bom para si e para a sua família. Se praticar a autocompaixão, permitirá que reduza as atividades, de modo que todos possam ter um fim de semana mais descontraído. No seu desejo de fazer o melhor pelos filhos, adotou um horário de fim de semana claramente absurdo.

A autocompaixão permite-lhe dizer “não” a sobrecarregar-se cada vez mais. Greg McKeown, na sua obra Essencialismo: Aprenda a Fazer Menos mas Melhor, salienta o facto óbvio de que não temos de cumprir todas as exigências que a vida nos apresenta. Além disso, destaca o facto menos óbvio de que criar algum espaço na sua vida pode implicar recusar boas e más oportunidades. Pertencer à comissão que organiza a excursão escolar podia fazê-lo cair nas boas graças dos outros pais, mas se for o pai do nosso exemplo, não tem tempo e deve recusar.

“Só quando se permitir deixar de tentar fazer tudo, parar de dizer que sim a todos, poderá dar o seu melhor contributo às coisas que realmente importam”, escreve McKeown. Para o concretizar, será preciso, na minha opinião, autocompaixão e alguma coragem – mas acredito que vale a pena.

Kindfulness - esgotamentos

 O’ Morain, Padraig (2019) Kindfulness. Nascente

Artigo originalmente publicado na revista Reiki & Yoga Pocket, nº13.
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