Fiéis amigos e brilhantes terapeutas


Beautiful Little girl hugging retriever in the summer park

Terapias Assistidas por Animais

Primitive man must tame the animal in himself and make it his helpful companion; civilized man must heal the animal in himself and make it his friend.” Carl Jung

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Utilizados há bastantes anos como companheiros de trabalho ou de companhia, os animais de estimação são um meio que nos pode ofertar bem-estar e qualidade de vida.

Durante muitos anos, o cão foi muito útil ao homem facilitando-lhe a sobrevivência. Ele era o guarda, o farejador da caça e, às vezes, o caçador. Com o passar dos anos, as suas funções foram sendo alteradas.

 

De guarda a animal doméstico

É o século XVII que assinala grandes alterações para estes animais. Passam a ter um nome próprio, é-lhes dado acesso ao interior das habitações e na Europa deixam de pertencer aos animais que se podem consumir.

O homem reforça a aliança e cumplicidade com o animal que vive ao seu lado. Ao abrir-lhe a porta de sua casa, irá tratar e cuidar dele, e dar-lhe espaço no seu espaço interior, que se torna mais enriquecido.

Não apenas o cão, mas os animais de estimação passam a ter um lugar especial nas nossas casas e na nossa vida. São os companheiros que nos esperam sempre com alegria quando regressamos, que nos dão afeto e com os quais partilhamos tantos e tantos dos nossos momentos.

Devido à sua recetividade e disponibilidade, a ideia de uma cumplicidade na intimidade de um meio de vida partilhado foi crescendo e o animal tornou-se “utilitário”, de companhia ou doméstico, contribuindo forçosamente para modelar em maior ou menor grau a vida emocional e afetiva dos humanos.

Os animais são claros “lubrificantes sociais”, que facilitam a comunicação entre os humanos, tornando-nos, consequentemente, mais funcionais, uma competência essencial ao desenvolvimento e à regulação de emoções e dos sistemas de comunicação.

 

 

Saúde emocional assegurada

Da interação com animais de estimação na infância verificamos benefícios cognitivos no desenvolvimento da linguagem, do autoconhecimento e até como apoios na exploração do meio envolvente.

Em situações mais complexas de gerir para a criança – como a Perturbação de Hiperatividade e défice de atenção (PHDA) ou mesmo em situações de separação ou divórcio dos pais – o animal demonstrou ser uma preciosa ajuda transmitindo segurança, confiança e calma.

Também para os jovens, adultos e idosos as sensações de bem-estar, redução da ansiedade e estados depressivos, assim como o aumento da noção de responsabilidade são aspetos a destacar quando pensamos no forte suporte emocional que advém da relação com um animal.

Os benefícios físicos são claros para todos: o animal promove o exercício, tão importante em todas as fases da nossa vida.

 

O que dizem os estudos?

Estudos de investigadores como a Drª Rebecca Johnson, da Universidade do Missouri-Columbia, e a Drª Johannes Odendaal apresentam dados que demonstram alterações ao nível hormonal, desencadeadas pela interação do homem com o animal. Hormonas ligadas ao bem-estar e a sensações de prazer, como a oxitocina, a serotonina, a dopamina e endorfinas aumentaram substancialmente, após trinta minutos apenas de uma tranquila interação. Na mesma proporção, diminui dramaticamente os níveis de cortisol, ligados a situações de stress e ansiedade (Johnson and Meadows, preliminar findings, University of Missouri-Columbia, 2003 in Pawsite Interaction 2003).

Em 1961, Boris Levinson, um psicólogo norte-americano, demonstrou o potencial terapêutico das interações entre crianças e animais, introduzindo Jingles, o seu cão em contexto terapêutico, no seu consultório. Esta “introdução” terá ocorrido por mera casualidade, mas Levinson verificou que a criança conseguiu de imediato estabelecer uma relação de afeto com o seu cão, aspeto esse que vinha a ser trabalhado em sessões prévias de psicoterapia sem quaisquer resultados. Foi óbvio para Levinson o grande potencial de Jingles como promotor da relação terapêutica e veículo para chegar à criança. Foram documentadas as alterações positivas no comportamento e na comunicação de diversas crianças, em cujas sessões terapêuticas se encontrava Jingles, nomeadamente em crianças com Perturbação do Espectro do Autismo, sendo que as competências de relação e interação estariam comprometidas.

“Os animais atuam como um catalisador ou facilitador da comunicação entre pacientes e seus terapeutas. O animal possui uma capacidade única de mediar interações que, de outra forma, eram muito desconfortáveis num contexto terapêutico.” Fine, A. 2001.

É desta forma que “nascem” as Terapias Assistidas por Animais hoje desenvolvidas por muitos técnicos com formação específica, também em Portugal. Os animais são utilizados como instrumento de trabalho para melhorar o dia a dia e o futuro de muitas crianças, jovens, adultos e idosos.

A formação académica nesta área específica pode ser obtida no ISPA – IU. Mais informações através do site http://www.ispa.pt/cursos/terapia-assistida-por-animais.

 

Revista saude natural nº18

Rosário Grou
Psicóloga Clínica /Técnica em Terapias Assistidas por Animais
Diretora da Pós-Graduação em Terapias Assistidas por Animais no ISPA-Instituto Universitário

 

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