Um mundo melhor


Dawn Breaks, Ice Breaks, Abraham Lake, Alberta, Canadian Rockies

Reflexões em quarentena (texto 12)

Crise. Esta palavra tem sido pronunciada tantas vezes nestes últimos tempos, que já não conseguimos ouvi-la sem que o nosso corpo inteiro se crispe e a nossa mente se revolte. É crise sanitária, dos governos, dos refugiados, do ambiente, na economia mundial, na política, nos lares do mundo inteiro, nos hospitais, nos relacionamentos, no nosso interior. A nossa cabeça está em ebulição. Estamos à mercê da crise a todos os níveis. 

Esta pequena palavra tem um poder assustador, avassalador e atribuímos-lhe um significado negativo que pode desconcertar qualquer um, até os mais temerários e confiantes. Porém, todas as crises potenciam a tomada de decisões e todas as decisões em tempos de crise nos levam a ajustar as nossas vidas, para o bem ou para o mal.

Agora não será diferente. Quer queiramos, quer não, a crise veio para ficar, pelo menos até encontrarmos uma vacina. Nos próximos meses – e talvez nos próximos anos – teremos de aprender a conviver com ela até “domar” o vírus, e por fim dominá-lo.

Sabia que, quando escrita em chinês, a palavra crise é composta pelos dois caracteres Wei-Chi, que representam perigo/risco e oportunidade, em simultâneo? Pois é, paradoxalmente, todas as situações de crise possuem também um lado bom. Muitos estão a ficar mal, assustados, desconcertados, e até arruinados no senso próprio e figurativo.

Mas este é o momento dos mais atrevidos e confiantes, dos mais sonhadores e criativos. E também de todos aqueles que têm garra e esperam conquistar uma vida boa, apesar de tudo. É nestas situações que ideias diferentes abrem caminhos e fazem história. E esta ideia pode ser sua.

Fala-se muito do impacto catastrófico desta crise sanitária na economia mundial. Consequentemente, poucos ousam pensar na oportunidade que se possa potenciar agora ao tentar reinventar-se para adotar um comportamento diferente, fazer uma mudança radical na nossa vida que nos seja benéfica, para promover novas atividades, novos empreendimentos mais robustos, mais seguros, mais humanos e solidários.

Não acredito que o crescente desânimo e amargura seja a resposta para a saída desta crise. Para já, temos a possibilidade e até o dever para connosco próprios de refletir e de nos perguntarmos o que podemos aprender com esta situação, que nos possa servir no futuro. 

Anterior Penne à bolonhesa
Seguinte Entrevista a Eugénia Fonseca, Chief Creativity Officer da H-executive

Nenhum Comentário

Deixar um Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *