Não esquecer a vacinação de rotina é pensar no futuro!


Nos últimos tempos, devido ao contexto pandémico, verificaram-se algumas quebras nas taxas de vacinação. Isto deve-se não só ao receio das pessoas de se dirigirem aos centros de saúde, como também à falta de conhecimento sobre as consequências que podem advir deste absentismo.

 

Infeções fatais controladas

Infelizmente, nos dias que correm, ainda há pais com dúvidas em relação à vacinação dos seus filhos. Deste modo, é importante relembrar que a vacinação é a forma mais eficaz de prevenir doenças. As vacinas atuam sobre o nosso sistema imunitário para estimular a produção de anticorpos contra um determinado microrganismo, evitando que a pessoa que foi vacinada desenvolva essa doença quando entra em contacto com aquele agente infecioso. Todas as vacinas são exaustivamente estudadas, apresentando um elevado grau de segurança, eficácia e qualidade, sendo assim exigida uma certificação lote a lote. É graças à existência de vacinas que há cada vez menos casos de infeções fatais, como sarampo, meningite, pneumonia ou tétano.

As reações adversas mais frequentes são ligeiras e de curta duração, ocorrendo, na sua maioria, no local da injeção. A febre após a vacinação é frequente. Estas reações podem, se necessário, ser controladas com medicação, sendo importante não esquecer que os efeitos secundários das vacinas são mínimos, quando comparados com a gravidade dos sintomas que uma doença pode causar.

 

Crianças: vacinas recomendadas

Atualmente, as vacinas do Programa Nacional de Vacinação (PNV) aplicam-se, de forma voluntária e gratuita, a todas as pessoas que estejam em Portugal desde o nascimento. Estas vacinas podem ser administradas gratuitamente em Hospitais e Centros de Saúde do SNS, e também em clínicas e Hospitais privados que tenham esse acordo com o SNS.

Às crianças, dependendo da idade, recomendam-se 13 vacinas: hepatite B, difteria, tétano, tosse convulsa, poliomielite, doença invasiva por Haemophilus influenzae do serotipo b, infeções por Streptococcus pneumoniae de 13 serotipos, doença invasiva por Neisseria meningitidis do grupo B e do grupo C, sarampo, parotidite epidémica, rubéola e, ainda, a vacina contra infeções por vírus do Papiloma humano. A vacina do tétano e difteria precisa de continuar a ser reforçada ao longo da vida.

No dia 1 de outubro de 2020, duas novas vacinas foram incluídas no PNV. Nesta data, todas as crianças nascidas após 1/1/2019 passaram a poder ser vacinadas contra doença invasiva por Neisseria meningitidis do grupo B (vacina da Meningite B) gratuitamente aos 2, 4 e 12 meses de idade. Além disto, a vacina contra infeções por vírus do Papiloma humano (vacina do HPV), que já era gratuita para as raparigas aos 10 anos de idade, passou a estar também incluída para rapazes nascidos após 1/1/2009, sendo administrada em 2 tomas com 6 meses de intervalo após os 10 anos. As crianças nascidas antes destas datas não são abrangidas pela vacinação gratuita.

 

 Vacinas não gratuitas

Apesar de incluir algumas das vacinas mais importantes, o PNV não integra todas as vacinas necessárias. Neste sentido, existem vacinas extra PNV que também podem ser importantes fazer para aumentar a proteção das crianças. Estas não são gratuitas, pelo que para serem administradas têm de ser compradas pelos pais.

E que vacinas são estas?

 

  • A que é mais recomendada atualmente, logo nas primeiras consultas dos bebés, é a vacina contra o Rotavírus. O Rotavírus é um vírus muito contagioso, que causa infeções em bebés pequeninos (mais frequentemente antes dos dois anos de vida), causando vómitos e diarreia intensos, por vezes com desidratação. Esta vacina é dada por via oral e tem de ser realizada nos primeiros meses de vida do bebé em duas ou três doses, dependendo da marca da vacina escolhida.
  • Recomenda-se também a vacina contra as estirpes ACWY do Meningococo, causadoras de sépsis, infeção multi-sistémica grave e meningite. Esta passou a ser recomendada a todas as crianças, porque se verificou um aumento dos casos de infeção pelo Meningococo W e Y em Portugal.
  • De seguida, enumeramos a vacina da hepatite A, que é geralmente mais aconselhada a crianças que viajam para países tropicais em que as condições de saneamento básico não são as melhores. A transmissão desta doença é fecal-oral. A sua administração é feita em duas tomas com 6 meses de intervalo.
  • De referir igualmente, a vacina contra o Meningococo do grupo B, causador de sépsis e meningite, que passou a ser gratuita, mas apenas para crianças que nasceram após 1/1/2019. Para as crianças que nasceram antes dessa data, também deveriam fazer esta vacina, e podem fazê-lo em duas tomas com 3-6 meses de intervalo.
  • Destaque também para a vacina do Vírus do papiloma humano (HPV), que é recomendada a rapazes e raparigas após os 10 anos. Esta vacina faz parte do PNV, mas os rapazes que tenham nascido antes de 20009 terão de comprar a vacina se a quiserem fazer. O esquema é de duas tomas antes dos 15 anos e de três tomas após os 15 anos. Protege contra este vírus HPV, de transmissão sexual, responsável por cancro e por condilomas e verrugas orais e genitais.
  • É também importante não esquecer a vacina da varicela, que é mais recomendada aos adolescentes que não tiveram varicela na infância e para crianças de grupos de risco.
  • Por último, a vacina da gripe que, de acordo com diretrizes da DGS, é apenas recomendada a crianças com doenças crónicas no outono-inverno.

 

É muito importante que os pais estejam informados e tirem todas as dúvidas na consulta com o pediatra. A vacinação não nos protege apenas individualmente, mas também todos ao nosso redor através da imunidade de grupo. Hoje, é essencial pensar no futuro e não esquecer a vacinação de rotina.

 

Rita Gomes e Sara Aguilar, pediatras

Blogue: @beabadapediatria

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