A vida é belle


Assim sem contar, sugerido por uma grande amiga minha, acabei por ver um dos melhores filmes dos últimos tempos. Não, não é uma superprodução norte-americana, nem para lá caminha, mas é uma superprodução pela mensagem que veicula. E embora feito sob um despretensioso orçamento, para mim foi, sem dúvida, uma excelente oportunidade para reaprender.

 

Neste gracioso filme chamado La Belle Verte 1(A Bela Verde) deparamo-nos com uma criativa, porém divertida, crítica ao estado actual da ‘nossa civilização’ que é conduzida por uma mulher muito especial, uma presumível visitante vinda de um ‘outro planeta’, que quase nos mostra sob a sua óptica uma versão optimista futura do planeta Terra, em contraste com o declínio do presente modelo de deterioração ecológica, bem como um brutal consumismo a par desta imbatível poluição industrial, entre outros défices morais e éticos que culminam com este presente catastrófico e absurdo em que vivemos.

 

O que se torna singular e muito nobre no filme é a alusão aos dias de hoje representados em forma de crises crescentes (e desnecessárias) que todos nós, dentro da nossa ignorância espiritual, teimamos em fomentar: a podridão política, a ambição desmedida em prol de nada, a avidez humana avolumada por um crescente e doentio poder de certas instituições que dominam o mundo e cujo modelo capitalista que nos é mostrado tão-só mata a criatividade, subverte-a, levando a evolução humana à sua colossal mediocridade para consequentemente colocá-la num estado de cegueira materialista/consumista brutal, cujas consequências são visíveis para todos aqueles que estão um pouquinho mais atentos e têm a bênção de ver, porque já experimentaram a pílula vermelha de um despertar de consciência para uma outra dimensão, muito diferente da realidade além da ilusão da Matrix em que a maioria está refém.

 

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Artigo da Zen Energy Nº 63 (edição de Abril de 2014)

La Belle Verte não traz nada de novo, mas também não há nada de novo a acontecer no mundo, apesar de o parecer. A sua mensagem é relembrar que este poderia ser o nosso planeta Gaia, o domicílio da perfeita melodia com uma natureza que dispensa tantos zumbidos tecnológicos vindas da tão indispensável Física mecanicista. Em alternativa, todos usaríamos as nossas ‘tecnologias’ avançadas de telepatia, a capacidade de teletransporte, que nos daria a possibilidade de vivermos num permanente (necessário) estado mais lúcido, e lúdico, conjugado por um cirenaísmo mais puro, mais nobre, como vemos no filme, onde brincar de acrobacias e meditações colectivas ‘ouvindo o silêncio’ deveriam ser prioridades na vida.Neste filme vemos a nossa belle Terra que, não obstante o seu potencial divino, se converte numa anedota cósmica de humor (quase) negro. Enfim, a anedota deste consumismo bárbaro que todos calam e consentem, esboçado no subconsciente da nossa escrava civilização, tão aprisionada aos seus próprios devaneios inconsequentes. Isso não é ser humano. Ser na sua totalidade é poder evoluir sem explorar o seu semelhante, um sonho projectado no passado em direcção a um futuro que um dia só existirá quando isso se tornar presente dentro do nosso íntimo. Este é o desejo de Coline Serreau, francesa, autora, realizadora, responsável pela música original e personagem central – que teve a feliz inspiração de criar este grande filme – alguém que nos ajuda a conceber um novo mundo com mais liberdade, outra paz, mais bondade e amor, mais respeito, simplicidade e mais leveza em SER.

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