Viver na era das redes sociais – 5 dicas para a utilização saudável


No mês em que se assinala o Dia Mundial das Redes Sociais, vale a pena refletir sobre a sua importância na nossa vida. As redes sociais facilitam o contacto regular e a conexão entre as pessoas. A sua flexibilidade torna-as apelativas e, não raras vezes, irresistíveis para miúdos e graúdos.

 

As redes sociais podem representar um suporte importante na socialização e uma ferramenta útil de trabalho. Contudo, podem também funcionar como um obstáculo na gestão da vivência do quotidiano. Nos mais novos começa a haver pressão para se estar online 24 horas/dia, o que pode gerar um uso compulsivo, nomeadamente nos adolescentes, uma vez que é o grupo que revela maior dependência das redes.

 

Nunca estivemos tão conectados e tão desconectados

A vida social através de um ecrã e de filtros é muito distinta da vida social ao vivo e a cores. É dinâmica, de consumo rápido e pode ser enganadora. Os conteúdos publicados podem mostrar uma realidade baseada num Eu ideal e não no Eu real.

Atualmente, muitas pessoas encontram-se vinculadas à sua respetiva realidade virtual, nomeadamente os mais jovens. Canalizam muitas horas do seu dia a fazer publicações, têm o objetivo de ser influencers ou youtubers, ficando à mercê do número de likes. Estima- se que esta realidade ganhe cada vez mais espaço na vida de muitas pessoas.

 

A utilização consciente e equilibrada das redes não revela um risco para a saúde mental. Todavia, o desafio é gerir este equilíbrio. Como fazê-lo quando a nossa vida está tão ligada às mesmas?

Importa definir e clarificar a nossa intenção ao utilizá-las, para que o possamos fazer de forma consciente e sensata. Quando isso não acontece, podemos iniciar uma relação de dependência, impactando negativamente na saúde psicológica. O reflexo negativo manifesta-se quando fazemos uma gestão pouco equilibrada da vida online com tempo de exposição excessivo; acentuada necessidade de autoafirmação e validação externa; comparações recorrentes ou uma partilha exagerada da vida privada. Dados recentes mostram que o uso excessivo pode mesmo estar relacionado com o aumento de depressão e ansiedade.

 

Bem-estar psicológico em perigo

A partilha nas redes sociais pode representar uma competição, ainda que silenciosa, em prol da validação do outro. Fotografias alusivas a estados de constante felicidade, conquistas frequentes e uma ilusória busca pela perfeição podem ter consequências nefastas na saúde psicológica de quem vê. Cria-se facilmente uma representação idealizada acerca da vida dos outros, em detrimento da vida do próprio. As pessoas que não partilham do mesmo estilo de vida, que não têm tantos likes, podem aceder a sentimentos de inferioridade, insegurança e frustração. Existe o risco de a autoestima ficar, sobretudo, dependente do exterior, em vez de ser autorregulada.

 

Se, por um lado, o seu uso promove a conexão entre as pessoas e pode ser um trampolim para novas amizades; por outro lado, o excesso de interações virtuais pode ampliar a sensação de solidão, gerando mais isolamento.

 

A quantidade de estímulos, vídeos, fotografias, informações e opiniões podem refletir-se na qualidade dos nossos pensamentos. Ao contemplar a vida dos outros através dos ecrãs podemos auscultar a sensação de estar a perder experiências importantes ou de não estar a desfrutar da vida. Pode surgir a sensação de que não temos a relação ideal, a família perfeita, um corpo incrível, não fizemos aquela viagem impactante. Podemos também sentir uma pressão interna para o fazer e de o mostrar ao exterior, sob pena de “não ter acontecido” ao não ser partilhado.

O Ser Humano tem uma zona de permeabilidade à perturbação psicológica. Deste modo, o consumo excessivo das redes pode abrir espaço para quadros de ansiedade e/ou depressão, podendo potenciar a sensação de que estamos a falhar, de que temos de fazer mais e melhor ou de provar alguma coisa a alguém.

 

Cinco dicas para a utilização saudável das redes sociais:

 1. Identificar o gatilho: importa ter consciência do gatilho que gera o consumo das redes sociais. O uso excessivo é um marcador de necessidades que podem estar por preencher. De forma a não entrar numa espiral de excessos, há que identificar em que momentos existe mais necessidade de se ligar às redes.

2. Viver mais offline/fazer um detox virtual: quando estiver com amigos ou família, vale a pena estar realmente presente, com atenção plena ao momento. Dar preferência a atividades que facilitem uma pausa nas redes, como passatempos ao ar livre ou colocar o corpo em Viver a vida em verdade de dentro para fora.

3. Desenvolver uma atenção de qualidade: há que privilegiar primeiro a experiência e, caso faça sentido, partilhá-la Pode ser bom registar alguns momentos, mas vale a pena fortalecer o músculo da atenção para sair do modo automático que o impulsiona a registar e publicar tudo. Importa deixar ir a pressão externa que o convida a expor a vida constantemente, podendo naturalmente fazê-lo em determinadas situações e divertir-se com isso. Porém, o foco não deve ser corresponder às expectativas dos outros.

4. Monitorizar o tempo de acesso: estabelecer horários para se conectar e Desativar as notificações sonoras e visuais, bem como deixar o telefone longe do quarto pode fazer toda a diferença na redução do stress e ansiedade, ajudando- o a canalizar o tempo para outras atividades úteis e prazerosas.

5. Dedicar tempo à higiene mental: abraçar práticas que convidem à conexão com o mundo interno e com a essência, como Mindfulness, meditação e Importa sublinhar que temos um mundo de possibilidades se estivermos conectados. Porém, é necessário um bom balanceamento para que o nosso bem-estar não fique comprometido. Há que viver o bom das redes sociais, mas aproveitar a vida!

 

Helena Paixão

Psicóloga Clínica

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Artigo originalmente publicado na revista Zen Energy de Junho, nº149
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