Yoga e ansiedade: Exercício prático


A ansiedade é um dos grandes desafios das nossas vidas, revelando-se de forma generalizada na sociedade em que vivemos. O tempo tem aqui um peso considerável, a passagem do tempo: a sensação de querer que o tempo passe, a vontade de querer que o tempo pare, a insegurança em relação ao futuro, as preocupações com o passado.

 

Neste artigo partilho uma das formas de incidir nesta temática, pensando no que considero ser uma medida do tempo. Deixe-me corrigir: o tempo não tem medida, porque o único tempo que realmente temos é o agora, o presente que estamos a viver neste preciso instante. O tempo é sempre o seu presente, porque o passado já lá vai e efetivamente não sabe nada em relação ao futuro.

Ao falar (e escrever) acerca da ansiedade é fundamental também falar de respiração. Lembre-se de que vive uma respiração de cada vez, uma inspiração de cada vez, uma expiração de cada vez.

 

Uma respiração de cada vez

Proponho que se sente num lugar confortável e que nos próximos instantes se permita a estar aqui.

 

  • Escolha um local seguro e acolhedor. Sente-se e certifique-se de que leva algum tempo a reajustar o corpo nessa posição. Deve sentir firmeza por um lado, e estabilidade por outro. Deve estar confortável e seguro.

 

  • Tente trazer verticalidade à coluna e dê espaço ao peito, elevando-o ligeiramente. Reajuste a posição dos ombros e da cabeça. Deixe que a cabeça e a coluna desenhem uma linha, desde a base do seu tronco até ao topo da sua cabeça. Deixe as suas mãos no colo, uma sobre a outra. Relaxe a testa e os maxilares. Feche suavemente os olhos. Sinte leveza no seu fechar de olhos.

 

  • À medida que permanece, observe como se sente hoje. Observe como se sente agora, neste preciso instante. Reconheça como se sente. Não tire conclusões, não analise.

 

  • Observe a sua respiração: o ar que entra e o ar que sai do seu corpo. O que é que sente agora? Como é que se sente agora?

Yoga e ansiedade: Exercício prático

 

  • Comece a inspirar lenta e profundamente, sinta a expansão do abdómen e do peito. Expire devagar. De seguida, volte a inspirar e segure o ar no topo do seu peito por um ou dois segundos, e depois expire pela boca, relaxando todo o corpo. Reajuste a posição dos ombros e do peito, e repita este movimento, inspirando e expirando, por mais duas vezes.

 

  • Observe o efeito que esta dinâmica respiratória entrega ao seu corpo físico. Observe o efeito que esta dinâmica respiratória entrega à sua mente. Observe a clareza, a leveza e a purificação mental que o envolve. Observe como o seu peito e o seu coração abrandam e suavizam também. O que sente agora faz parte de si, é o leitor.

 

  • Quando sentir os pensamentos viajarem para outro lugar, regresse aqui, a este preciso instante. Aceite simplesmente que os pensamentos vão e vêm. Aceite e sinta o que há para sentir, agora.

 

  • Mantenha-se aqui, atento e ao mesmo tempo relaxado. Se alguma preocupação surgir na sua mente, receba-a conscientemente, mas não permita que o perturbe.

 

  • Visualize agora um lugar que lhe é especial. Visualize mentalmente esse lugar, observe o ambiente, a temperatura, as cores que envolvem esse lugar. Percecione como se sente. Permita-se a estar apenas, sem fazer absolutamente nada. Observe como tudo está bem.

 

  • Permaneça, observando mentalmente e percecionando esse lugar. Observe a forma como está a respirar. Inspire e expire de forma longa, demorada. Inspire essa suavidade que foi desenhando no seu pensamento e expire tudo o que o preocupa, agora. Repita para si mesmo esta frase: Eu sou leveza, eu sou calma, sinto quietude. Eu sou leveza, eu sou calma, sinto quietude.

 

  • Inspire e expire, lentamente. Demoradamente. Agradeça este tempo em que esteve aqui. Agradeça tudo o que sente agora. Agradeça a magia de respirar lenta e conscientemente. Sinta como a respiração é vida, em todas as suas formas. Lembre-se que pode voltar a este momento, a qualquer momento, em qualquer lugar.

 

  • Comece a retornar. Leve a atenção para o ritmo natural da respiração. Observe mais uma vez como se sente, como está agora. Volte a percecionar o lugar onde está, leve a atenção para o que o rodeia. E lentamente regresse, vá ao melhor de si.

 

  • Abra os olhos. Deite o ar fora pela boca. Obrigada por me ler e se escutar.

 

Ângela Nunes | Instagram

Professora de Yoga e Pilates

Artigo originalmente publicado na revista Reiki & Yoga Pocket, nº13.

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