Yoga e desporto – União entre o corpo, a mente e o espírito


Beautiful young woman yoga instructor doing kapothasana in the gym. The concept of an advanced amateur yoga and body flexibility. Copyspace

É sobejamente sabido que o que mais caracteriza a prática do yoga, seja qual for o ‘estilo’, são as diferentes posições estáticas que se fazem com o corpo, chamadas asanas. É a esta abordagem corporal que todas as pessoas têm acesso, independentemente da idade, estrutura física, formação e cultura, sendo tão acessível, como qualquer desporto.

Será um ‘atitude’ física, pela dinâmica, e corporal, pelo meio usado: o corpo. Devido a uma aparente forma de ‘não-esforço’, parece fácil a toda a gente… É, sem dúvida, especialmente, porque pela procura de uma postura fixa e inamovível (Sthira-Stukam) leva a uma interiorização, que pode levar até à concentração (Dharana) e, posteriormente, à meditação (Dhyana). De notar que nem todas as pessoas atingem este(s) estado(s), mas o estar em ‘não-esforço’, relaxando e atento à respiração, é acessível a todo o mundo, e será o mínimo de bom proveito que o yoga faz por nós.

A forma como no Ocidente a prática corporal foi sempre mais movimentada e diferenciada do resto do ser humano, nomeadamente, a mente e o psíquico/espírito, sobrevalorizou a ginástica e as suas derivações desportivas, em especial, o aspecto competitivo, que, ainda hoje, é o que prevalece nas várias áreas federativas.

Aparecimento do yoga como uma actividade

Com o decorrer do tempo, o excesso de exigência sobre o corpo, que levava ao seu ‘esgotamento’ bem cedo fez aceitar o aparecimento do yoga como uma actividade que permite abranger e controlar qualquer abuso, fosse ou não «à procura de medalhas», mas que valoriza, por igual, o efeito sobre o mental e permite uma boa atitude para com a vida, ou seja: um salutar Estado de Espírito. A actividade física – considerada no plano de compensação da pressão (stress) social/trabalho, isto é, nos horários chamados de ‘Tempos Livres’, em que o corpo e a mente são ‘libertos’ para uma ligação muito pessoal de entendimento do seu potencial de evolução quer de saúde, quer de bem-estar psicológico – permite uma série de desafios que podem ir desde uma actividade muito dinâmica, até, uma aparentemente estática. Se este desenvolvimento tem, por vezes, à partida, uma especialização, regras e resultados comparativos (competição), é, usualmente, tido como desporto. Todavia, a qualidade de esforço/trabalho em qualquer uma destas abordagens corpo/mente parte da utilização, conservação, controlo e dispersão da fonte original, chamada ENERGIA.

 

O corpo no yoga e no desporto

Os termos mais característicos que se empregam para a abordagem do corpo no yoga e no desporto são: prática, no caso do yoga, e treino, no caso do desporto. Aqui temos, também, uma questão temporal: treino, que nos leva para uma preparação com um objectivo futuro, e prática, que nos coloca no ‘aqui e agora’, independentemente de valores de comparação ou resultados. Tudo o resto é partilhável por ambas as abordagens. Mesmo no próprio yoga existem diferentes áreas desportivas, com as suas próprias regras e modalidades:

  1. Yoga Atlético;
  2. Yoga Artístico;
  3. Yoga Rítmico;
  4. Yoga Asanas (posturas).

Se pesquisarmos na Internet por ‘Yoga Competition’, não faltam exemplos, e, se há um grupo de pessoas a quem a demonstração/desporto/competição pode servir para a sua própria evolução no yoga, deve permitir-se, com regras, que tenham essa liberdade. Regressado, há pouco, da Índia, ouvi um mestre de yoga, muito conhecido internacionalmente, defender este ponto de vista. Sim, não há ‘bela sem senão’…

 

Citação do livro Sport & Yoga

Citando um dos livros de yoga editados no Ocidente, pela editora Albin Michel, 1972, Sport & Yoga, cuja tradução foi feita por Jean Herbert e H. Ghaffer:

«A concepção e actividade ocidental do desporto, tem necessidade de um complemento e o alargamento trazidos pela ciência filosófica e a sabedoria oriental do yoga»

«…Aconselha-se a começar pelo yoga que tem como primeiro objectivo o domínio do corpo; é chamado hatha-yoga»

«O corpo reage às mais ligeiras impulsões do mental e o estado mental é poderosamente influenciado pelo estado do corpo. Esta relação recíproca é utilizada pelo hatha-yoga, o corpo e o espírito tornam-se sãos. O método consiste em tornar consciente o nosso corpo e todas as suas actividades. O próprio sistema nervoso simpático e todos os órgãos cujo trabalho é usualmente independente da nossa consciência podem ser submetidos à nossa vontade».

«Mas, o que o yogui procura não é simplesmente prolongar a vida. O hatha-yoga não é um fim em si mesmo, é antes uma preparação a um yoga espiritual mais elevado.É muito difícil, num corpo doente, desenvolver a consciência e de levar o espírito a um nível mais alto de actividade».

 

Aspectos que interagem com o yoga e desporto

Todo o desportista pode fazer yoga e todo o yogui pode fazer desporto. Alguns aspectos que compatibilizam e interagem com o yoga e o desporto:

  1. Melhora a agilidade: o respeito pela capacidade de movimentos livres, até à comodidade e bem-estar, permite uma aprendizagem e incremento dos seus limites. Não ficar só pelo: «eu sou isto…».
  2. Melhora o relacionamento inter-desportivo: o primeiro princípio da não-violência, respeito e ética, aprendido através de uma atitude mental de auto-controlo e concentração.
  3. Melhora a ligação corpo-mente: o trabalho permanente de ligação entre o ‘comando’ mental e a resposta corporal, e vice-versa, com suporte na respiração, permite um aprofundar do auto-conhecimento aos vários níveis do consciente.
  4. Melhora a flexibilidade: a prática de várias posturas que são para ficarem um tempo longo, com uma abordagem cuidada às articulações, ligamentos, grupos de músculos, cultivam uma educação nestes grupos, que permite uma maior amplitude, em todos os ângulos.
  5. Melhora o equilíbrio: várias posturas que são executadas sobre um só membro, estabiliza os problemas de desequilíbrio, bem como o tempo de execução, devido à maior tomada de consciência da verticalidade e lateralidade do corpo.
  6. Aumenta a resistência interior: pelo facto de equilibrar por igual todos os tecidos, não favorecendo nenhum em particular, permite uma melhor circulação de energia que aumenta a imunidade geral do corpo.
  7. Aumenta a atenção mental: não permite a dispersão/fuga da mente em situações de maior dificuldade, devido à prática do ‘aqui e agora’.
  8. Aumenta a força: tendo todo o corpo como trabalho, os grupos musculares em esforço, vão recorrer da energia existente noutros, mantendo a noção de todo o corpo em trabalho para a finalidade pedida.
  9. Melhora a postura: na medida em que todo trabalho se baseia na correcta colocação, fortalecimento e flexibilidade da coluna vertebral.
  10.  Diminui o stress: em todo o trabalho de passagem de uma postura para a outra, há um tempo de relaxação com a finalidade de deixar instalar/actuar o respectivo efeito, que se propagará a todo o corpo, além de haver um tempo específico só de relaxação.

    Por Amândio Figueiredo
    Presidente da Federação Portuguesa de Yoga (UP) – Professor do Curso de Professores/Treinadores de Yoga em parceria com a FMH – Professor de aulas de yoga em vários locais

     

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